Hiroshi Bogéa On line

PIB de Carajás está quase superando o da Região Metropolitana

 

 

Matéria a seguir foi publicada na edição deste domingo do jornal Diário do Pará.

É resultado de excelente trabalho de pesquisa do repórter Frank Siqueira, que mostra o PIB dos municípios integrantes da chamada Região Administrativa Carajás em relação aos municípios da Região Metropolitana.

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PIB EM DISPARADA

 Carajás já quase supera a Região Metropolitana

 

Frank Siqueira

 

A composição do Produto Interno Bruto (PIB) do Pará relativo ao ano de 2010, o levantamento mais recente hoje disponível, mostra que o interior assume um papel cada vez mais importante na formação da riqueza do Estado. O resultado disso está na perda de peso relativo da Região Metropolitana de Belém, que até pouco tempo atrás se impunha de forma avassaladora pelo seu poderio econômico.

Responsável pelo cálculo do PIB em parceria com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o Instituto de Desenvolvimento Econômico, Social e Ambiental do Pará (Idesp) deverá divulgar em novembro próximo o PIB estadual de 2011 e, em dezembro, o PIB dos municípios. Esse levantamento, feito com base em dados oficiais, é um dos critérios utilizados nos cálculos que definem as cotas de partilha do ICMS, os coeficientes de distribuição dos Fundos de Participação (dos Estados e dos Municípios) e também dos fundos constitucionais.

O diretor de Estudos Socioeconômicos do Idesp, Cassiano Ribeiro, chama a atenção, na série que vai de 1999 até 2010, para a crescente participação da região de Carajás na evolução do PIB em termos nominais nas doze regiões de integração do Estado, as chamadas regiões administrativas. A região de Carajás, diz ele, é a que mais vem crescendo hoje no Pará, puxada principalmente pela disparada dos municípios de Parauapebas, Marabá e Canaã dos Carajás. Não por coincidência, os três maiores municípios mineradores do Estado.

Essa realidade, aliás, está traduzida em números. Em 2006, o PIB do Pará foi calculado em R$ 44,3 bilhões. Desse total, a Região Metropolitana participou com mais de um terço (R$ 15,6 bilhões), enquanto a região de Carajás, a segunda colocada, chegava a R$ 6,9 bilhões, ou 15,6%. Em 2010, apenas quatro anos depois, as duas regiões aparecem praticamente empatadas. De um PIB estadual de R$ 77,8 bilhões, a Região Metropolitana participa com 29,5% (R$ 22,9 bilhões), contra 28,2% (R$ 21,9 bilhões) da região de Carajás.

 

 

Veja o PIB nas 12 regiões administrativas

 

 

Região de
Integração

PIB 2006

%

PIB 2010

%

Araguaia

2.511.026

5,7

3.814.468

4,9

Baixo Amazonas

3.283.101

7,4

5.436.813

7,0

Caetés

1.167.607

2,6

1.959.853

2,5

Capim

2.093.775

4,7

3.573.508

4,6

Carajás

6.901.374

15,6

21.945.682

28,2

Guamá

1.876.977

4,2

3.208.562

4,1

Lago de Tucuruí

2.965.774

6,7

4.310.117

5,5

Marajó

966.497

2,2

1.592.425

2,0

Metropolitana

15.668.021

35,3

22.956.410

29,5

Tapajós

803.980

1,8

1.227.719

1,6

Tocantins

5.067.426

11,4

6.022.018

7,8

Xingu

1.064.117

2,4

1.800.022

2,3

Total geral

44.369.675

100,0

77.847.597

100,0

 

 

Crescimento não se reflete na renda da população

 

Na composição do PIB por município, o dado que mais chama a atenção é o vertiginoso crescimento de Parauapebas, no sudeste do Pará, berço da indústria extrativa de mineração no Estado e hoje o maior produtor de minério de ferro do mundo. Em 2012, a Vale produziu na sua mina pioneira de Carajás 105 milhões de toneladas, e a projeção da empresa é alcançar dentro de quatro anos, quando entrar em operação a mina de S11D, em Canaã dos Carajás, um volume anual de 235 milhões de toneladas.

O fulgurante crescimento do PIB de Parauapebas elevou o seu produto interno de R$ 2,997 bilhões em 2006 para R$ 15,918 bilhões em 2010, valor pouco menor que o da capital, que teve uma variação no mesmo período de R$ 12,520 bilhões para R$ 17,987 bilhões. Mantida essa trajetória, pode-se prever que dentro de pouco tempo o PIB de Parauapebas estará superando o da capital. Algo não de todo surpreendente quando se leva em conta o poder avassalador que a cadeia mineral detém hoje no conjunto da economia paraense, responsável que é por cerca de 90% das exportações do Estado.

A pujança do setor mineral se revela também nos dados comparativos dos principais municípios paraenses em Produto Interno Bruto. Excluindo a capital, os dez primeiros do ranking abrigam nada menos que cinco municípios mineradores. Além de Parauapebas, já citado, figuram na lista Marabá (R$ 3,6 bilhões), Canaã dos Carajás (1,5 bilhão), Paragominas (1,2 bilhão) e Oriximiná (1,2 bilhão).

Também na lista dos maiores, mas sem relação direta com a indústria extrativa mineral, aparecem Ananindeua (R$ 3,6 bilhões), Barcarena (R$ 3,5 bilhões), Tucuruí (R$ 2,8 bilhões), Santarém (R$ 2 bilhões) e Castanhal (R$ 1,4 bilhão).

Dos 144 municípios paraenses, os que detêm o menor Produto Interno Bruto são São João da Ponta, com PIB de R$ 19,2 milhões em 2010, Santarém Novo (R$ 23,5 milhões), Peixe-Boi (R$ 26,4 milhões), Magalhães Barata (R$ 27,8 milhões) e Santa Cruz do Arari (R$ 28,7 milhões). A título de curiosidade, vale informar que o município de Melgaço, na ilha do Marajó, apontado em recente estudo da ONU como detentor do pior Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil, aparece em 106º lugar entre os municípios paraenses, com PIB de R$ 71,6 milhões.

Infelizmente para a sociedade paraense, porém, a geração de riqueza bruta que infla os números de alguns municípios, especialmente os mineradores, quase nunca se reflete em aumento da renda também para a população. Ou seja, o aumento da renda per capita não se dá no mesmo ritmo do crescimento do PIB – o que se explica, no caso dos municípios mineradores, pelo fato de ser a atividade minerária, por sua própria característica, altamente concentradora da renda.

Veja-se o caso de Belém. Embora tenha registrado um crescimento modesto do PIB no período de 2006 a 2010, a capital mantém um nível de renda per capita bem superior ao dos municípios do interior cujo Produto Interno Bruto está em crescimento explosivo. A renda per capita média da capital em 2010, segundo o estudo do Idesp, foi de R$ 853,00. Não chega a ser um número especialmente vistoso quando comparado aos de outras capitais e grandes cidades brasileiras, mas para os padrões da Região Norte pode ser considerado um patamar razoável.

A pior média da lista foi a de São João do Araguaia, com renda per capita de R$ 216,00, valor quatro vezes menor. Entre os municípios mineradores, o gigantismo crescente dos números relativos ao PIB não se repete com a mesma intensidade na composição da renda per capita. Parauapebas, por exemplo, registrou em 2010 uma média de R$ 627,00, contra R$ 527,00 de Marabá, e R$ 517,00 de Canaã dos Carajás. Ananindeua, vizinha da capital, ficou em faixa parecida, com R$ 564,00.

 

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A seguir, Frank relaciona o PIB de cada município paraense:

 

 

PIB POR MUNICÍPIO

2006

2010

Belém

12.520.258

17.987.323

Parauapebas

2.997.778

15.918.216

Ananindeua

2.458.867

3.669.747

Marabá

2.618.914

3.601.647

Barcarena

3.566.140

3.550.233

Tucuruí

2.074.425

2.817.702

Santarém

1.430.661

2.051.529

Canaã dos Carajás

704.099

1.559.968

Castanhal

818.715

1.449.213

Paragominas

576.464

1.235.379

Oriximiná

631.717

1.210.150

Altamira

407.459

724.228

Redenção

465.704

652.092

Itaituba

457.823

649.261

Marituba

320.109

633.231

Benevides

325.895

599.178

Juruti

85.006

563.174

Abaetetuba

321.622

534.335

São Félix do Xingu

291.385

528.021

Breu Branco

229.192

514.693

Capanema

266.793

501.050

Xinguara

375.595

474.676

Bragança

273.712

451.834

Almeirim

424.493

429.254

Tailândia

257.375

428.595

Cametá

227.266

378.309

Breves

205.299

335.027

Ipixuna do Pará

159.909

316.853

Santa Isabel do Pará

180.215

316.480

Santana do Araguaia

221.961

316.215

Monte Alegre

189.089

311.784

Tucumã

165.893

305.967

Novo Repartimento

184.076

304.847

Floresta do Araguaia

82.212

289.169

Moju

159.302

272.281

Rondon do Pará

203.007

271.516

Dom Eliseu

192.787

271.095

Tomé-Açu

177.408

269.290

Conceição do Araguaia

201.717

269.266

Ourilândia do Norte

86.493

254.447

Óbidos

152.823

251.759

Jacundá

172.572

245.537

Alenquer

124.375

244.365

Acará

183.945

235.292

Novo Progresso

146.708

221.403

Itupiranga

153.282

217.920

Rio Maria

135.582

210.051

Ulianópolis

149.851

205.947

Uruará

148.711

205.931

São Miguel do Guamá

110.336

201.904

Eldorado dos Carajás

122.220

199.893

Água Azul do Norte

211.012

194.843

Portel

122.777

189.751

Capitão Poço

122.692

188.614

Pacajá

105.861

188.460

Viseu

112.429

186.309

Vigia

118.880

183.153

Igarapé-Miri

116.657

176.826

Salinópolis

119.787

167.124

Medicilândia

85.780

163.436

São Geraldo do Araguaia

110.167

156.937

Mãe do Rio

90.051

153.479

Goianésia do Pará

112.411

147.272

Baião

74.973

145.327

Rurópolis

71.497

133.885

Augusto Corrêa

81.736

131.937

Prainha

95.525

127.533

Aurora do Pará

63.499

126.361

Igarapé-Açu

75.272

124.380

Curuçá

72.707

121.482

Afuá

68.633

113.754

Oeiras do Pará

57.458

112.478

Porto de Moz

62.512

109.437

São Domingos do Araguaia

73.680

108.289

Santa Maria do Pará

61.100

107.237

Maracanã

67.360

105.900

Santo Antônio do Tauá

73.415

105.482

Curionópolis

66.212

104.120

São Domingos do Capim

60.206

104.063

Marapanim

65.733

103.525

Santa Maria das Barreiras

92.100

103.450

Concórdia do Pará

62.007

102.770

Cumaru do Norte

81.682

99.415

Limoeiro do Ajuru

49.220

94.276

Mocajuba

53.469

94.067

Jacareacanga

49.347

93.910

Piçarra

67.233

93.391

Anapu

48.041

93.290

Gurupá

56.414

93.239

Soure

62.020

93.035

Irituia

60.503

92.260

Garrafão do Norte

57.829

90.802

Brasil Novo

63.996

89.669

Muaná

50.862

88.487

Ponta de Pedras

50.744

88.285

Vitória do Xingu

63.071

87.264

Placas

38.985

85.015

Tracuateua

50.113

82.556

Salvaterra

48.094

81.200

Bom Jesus do Tocantins

50.292

81.136

Chaves

51.164

77.711

São João de Pirabas

50.796

77.124

Trairão

45.852

76.409

Belterra

50.729

75.174

Bujaru

65.151

75.130

Melgaço

40.022

71.610

São Sebastião da Boa Vista

38.017

71.317

Cachoeira do Arari

44.108

70.871

Nova Esperança do Piriá

41.848

70.406

Anajás

42.903

68.072

Santa Bárbara do Pará

42.892

66.930

São Caetano de Odivelas

45.222

66.245

Santa Luzia do Pará

42.038

66.143

Cachoeira do Piriá

33.897

65.189

São Francisco do Pará

33.239

65.188

Curralinho

38.166

64.876

Terra Santa

39.178

64.080

Curuá

33.190

64.068

Nova Ipixuna

39.816

62.146

Ourém

36.621

57.421

Bagre

30.196

56.429

Senador José Porfírio

39.700

53.293

Aveiro

32.753

52.851

Quatipuru

35.505

51.425

São João do Araguaia

38.039

49.877

Nova Timboteua

28.040

49.592

Abel Figueiredo

34.149

46.185

Bonito

21.397

46.172

Faro

26.315

43.943

Sapucaia

34.908

42.712

Colares

24.732

41.244

Pau D’Arco

30.009

38.518

Brejo Grande do Araguaia

30.895

37.132

Inhangapi

23.650

36.331

Bannach

34.771

35.626

Palestina do Pará

21.845

35.074

Primavera

19.573

33.450

Terra Alta

18.129

29.635

Santa Cruz do Arari

17.078

28.761

Magalhães Barata

16.219

27.837

Peixe-Boi

18.151

26.429

Santarém Novo

13.639

23.519

São João da Ponta

11.848

19.258

PIB DO PARÁ

44.369.674

77.847.591

 

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Nota do Blog:  como o jornalista do Diário do Pará observa na matéria, as populações dos  municípios paraense da Região de Carajás  não usufruem  os ganhos da riqueza bruta do Estado, predominantemente advinda da produção mineral.

E, mais preocupante, no rastro das “riquezas” exploradas praticamente apenas pela Vale ,  não se vislumbra nenhum futuro promissor, considerando exclusivamente o caráter extrativista da mineração.

Ou seja, o fosso social só cresce – sem perspectiva de nenhum projeto real de verticalização.

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2 Comentários

  1. Denis Lima

    10 de setembro de 2013 - 07:28 - 7:28
    Reply

    Concordo plenamente com o Ulisses, como a região do carajás é a “galinha dos ovos de ouro”, ele não poderiam perder esse cofrinho. E toda essa riqueza que produzimos aqui é sugada pela capital nos deixando a míngua por aqui.

  2. Ulisses Silva Maia

    9 de setembro de 2013 - 09:57 - 9:57
    Reply

    Eis a razão para Zenaldo Coutinho, Arnaldo Jordi, Jatene e Cia. terem feito tanta campanha pelo NÃO no Plebiscito do ano passado. Certamente já tinham essa informação na mão. Se essa região não tivesse esse poder econômico eles, certamente, tinha feito campanha pelo Sim.

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