Pelas portas do fundo

Publicado em 4 de janeiro de 2011

A ex-diretoria do Iterpa cometeu deselegante comportamento ao negar-se dar posse ao novo presidente do órgão.

Quem conta é o advogado Plínio Pinheiro Neto em emeio enviado ao blog, no qual narra sua decepção com o fato. “Não esperava que a diretoria do Iterpa não estivesse côscia, até o último momento, das responsabilidades funcionais”, diz o colaborador, reproduzindo, em seguida, matéria publicada no Diário do Pará:

No Iterpa, ninguém passou o cargo a Lamarão


Não havia nenhum diretor no Instituto de Terras do Pará (Iterpa) para receber e dar posse, na manhã de ontem, ao novo presidente do órgão, o procurador do Estado Carlos Lamarão. Até às 15h não apareceu ninguém no gabinete do presidente para empossá-lo. O clima era constrangedor e Lamarão, por vários momentos, parecia personagem da peça “Esperando Godot”, do dramaturgo irlandês Samuel Beckett.

A expressão “Esperando Godot” era bastante utilizada em tempos passados para indicar algo impossível, ou uma espera infrutífera. O enredo baseia-se na falta de comunicação entre os personagens e na pausa do silêncio da espera de algo que não se resolve.

Cansado de esperar o que não iria ocorrer, como na peça de Beckett, o próprio presidente redigiu o termo de transmissão do cargo. “designado que fui pelo governador Simão Jatene para assumir a presidência do Iterpa, compareci às 11:30, deparando-me com uma situação de acefalia, já que nem o sr. presidente anterior, nem qualquer outra pessoa por ele indicada, ou por algum de seus diretores, se apresentou para fazer a transmissão de cargo”, diz Lamarão no documento.

Como testemunhas, assinaram o termo nove antigos servidores do Iterpa, que receberam o presidente de maneira efusiva, ainda na calçada do prédio, saudando seu retorno ao órgão onde atuou como advogado, presidente e procurador do setor jurídico por mais de 30 anos. Os servidores subiram com ele até o gabinete da presidência.

Ao DIÁRIO, o presidente lamentou a ausência de diretores, dizendo que a transmissão de cargo seria o momento em que ele poderia receber as informações necessárias de quem está deixando o órgão para saber como está o Iterpa.

“Fui obrigado a lavrar o termo de posse do cargo para todos os fins de direito, inclusive a cobrança de responsabilidades por eventuais prejuízos ou ônus decorrentes dessa vacância administrativa”.

Quando estava no gabinete que passará a ocupar, Lamarão viu em cima da mesa um papel assinado pelo ex-diretor José Maria Conduru Hesketh grampeado com uma chave que continha as senhas do órgão. Conduru não esperou Lamarão para entregar-lhe as chaves, mas dizia que ficou no Iterpa até as 9h10.

O ex-chefe da assessoria da presidência do governo passado, Girolamo Trecanni, ligou para o gabinete e falou com uma assessora, transmitindo ao presidente um recado: se Lamarão ligasse para ele, Trecanni iria ao Iterpa para fazer a transmissão de cargo. O novo presidente, consultado pela assessora, descartou a possibilidade. (Diário do Pará)