Hiroshi Bogéa –  Sou um pacifista convicto. Sempre acreditei que a diplomacia, o diálogo e o respeito entre as nações são os únicos caminhos capazes de garantir uma paz duradoura. Entretanto, a História ensina uma lição dura: países não preservam sua soberania apenas com boas intenções. Também precisam possuir capacidade de defesa compatível com a dimensão de seu território, de suas riquezas naturais e da importância estratégica que ocupam no cenário internacional.

O Brasil continua investindo relativamente pouco em modernização militar quando comparado às grandes potências. Enquanto algumas nações anunciam programas gigantescos de fortalecimento de suas Forças Armadas e ampliam seus parques industriais de defesa, seguimos convivendo com limitações orçamentárias que comprometem a renovação de equipamentos, o desenvolvimento tecnológico e até mesmo a capacidade de dissuasão.

Defender o aumento do orçamento da Defesa não significa defender a guerra. Pelo contrário. A lógica da defesa moderna é justamente impedir que conflitos aconteçam. Um país bem preparado reduz a tentação de qualquer aventura externa contra sua soberania. A paz depende, em grande medida, da certeza de que uma agressão teria custos elevados para quem a praticasse.

O caso do Irã demonstra que Estados submetidos a fortes pressões internacionais procuram desenvolver capacidade militar para elevar seu poder de dissuasão. Independentemente das controvérsias envolvendo seu programa nuclear, o país construiu uma estrutura militar que tornou qualquer confronto contra ele extremamente complexo e caro para seus adversários. É uma demonstração de que capacidade de defesa influencia os cálculos estratégicos das grandes potências.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva já observou, em diferentes ocasiões, que “de vez em quando aparece um louco governando algum país”. A frase traduz uma preocupação real: a estabilidade internacional não depende apenas de tratados ou organismos multilaterais, mas também das decisões de líderes que, em determinados momentos, podem agir de maneira imprevisível.

O Brasil reúne características que naturalmente despertam atenção mundial. Detém a maior floresta tropical do planeta, imensas reservas de água doce, riquezas minerais estratégicas, enorme biodiversidade, extensa faixa marítima e crescente importância na produção mundial de alimentos. Esses ativos tornam indispensável que o país esteja preparado para proteger seu patrimônio nacional diante de qualquer cenário internacional adverso.

Isso não significa afirmar que exista uma ameaça concreta ou iminente de invasão por parte de qualquer país específico. Significa reconhecer que a política de defesa deve ser construída olhando décadas à frente, antecipando riscos e fortalecendo a capacidade nacional de responder a crises, qualquer que seja sua origem.

Fortalecer as Forças Armadas significa investir na indústria nacional de defesa, em ciência, tecnologia, inteligência, satélites, segurança cibernética, construção naval, aeronáutica e formação de pessoal altamente qualificado. Trata-se de um investimento que também gera empregos, inovação e desenvolvimento tecnológico para a economia brasileira.

O Brasil deve continuar sendo uma nação comprometida com a paz, com a solução pacífica dos conflitos e com o direito internacional. Mas precisa compreender uma realidade que atravessa séculos: paz sem capacidade de defesa depende exclusivamente da boa vontade dos outros. E a boa vontade, infelizmente, nunca foi uma garantia permanente na história da humanidade.(Foto: Forças Armadas / Reprodução)