Para que servem os tribunais eleitorais?

Publicado em 12 de julho de 2012

 

 

A pergunta se faz necessária diante do festival de cassações de mandatos de prefeitos, em fim de mandato,  assinadas pelo TRE-Pará.

Ora, ora, direis  ouvir estrelas, parodiando Bilac (*),  com o sentido de entender nefastas decisões – mas o bom senso força à pergunta por que somente agora, faltando seis meses para os caratonhas entregarem seus cargos, o egrégio tribunal decide punir quem faz safadeza para conseguir um mandato?

As consequências de decisões extemporâneas são desastrosas na vida das cidades, desingrigola tudo, porque quem assume, em fim de festa, não tem mais nenhum compromisso em administrar o que resta de mandato do cassado, pode até piorar o mundo dos mundos no afã de tentar ajudar a eleger algum candidato de sua predileção.

Em uma semana, cassaram  três prefeitos ( Conceição, Ipixuna e, agora, Santarém), coincidentemente, do PT, levantando a grave suspeição em bocas atormentadas pela dúvida que os atos causaram.

Independente de qual partido pertence o gabiru cassado, a questão é outra: por que a justiça eleitoral não se manifestou em tempo hábil?

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(*) –  Olavo Bilac, um dos mais consagrados poeta brasileiros:

 

“Ora ( direis ) ouvir estrelas!
Certo, perdeste o senso!
E eu vos direi, no entanto
Que, para ouví-las,
muitas vezes desperto
E abro as janelas, pálido de espanto”