“Países que aceitam ser o bichinho de estimação dos americanos, terminam mal”

Publicado em 30 de maio de 2014

 

Odilon Vieira, advogado radicado em Marabá há vários anos, pontua num artigo publicado originalmente na revista “Foco Carajás”, considerações sobre o antagonismo  entre Estados Unidos e  Rússia:

 

 

A Grande farsa

Odilon Vieira, advogado 

 

 

Fico estarrecido com tamanha desfaçatez, que as notícias sobre a crise na Ucrânia são transmitidas pela mídia internacional.

Sustento que a Rússia não é terrorista, nem os americanos são paladinos da justiça.

Incialmente é preciso relembrar a história daquela região.  Os russos sempre foram a última trincheira em defesa da Europa. Na idade média sustentaram o peso dos mongóis,  nas guerras napoleônicas,  foi invadida pelo grande exército francês, segurou o ataque, e  os 500.000 soldados perdidos por Napoleão,  é marco da derrocada francesa, e mais recentemente sangrou vinte milhões de cidadãos,  na luta insólita contra Hitler.

Ainda no contexto histórico da Segunda Guerra,  importante destacar, que a Crimeia, foi palco de violentos combates entre o Grupo de Exércitos Sul da Alemanha, e o Exército Vermelho, a região era cobiçada por sua posição estratégica.

Voltando aos acontecimentos recentes na Ucrânia,  precisamos entender melhor o que vem acontecendo.

Ucranianos de extrema direita, liderados por grupo paramilitares promoveram pesadas manifestações,  até que conseguiram a renúncia de um presidente, eleito de forma democrática. Um presidente legítimo foi apeado do poder por fascistas. E por trás destas hordas está a União Européia e Estados Unidos. As manifestações dos extremistas ucranianos teve início quando os europeus ocidentais propuseram à Ucrânia,  o ingresso na falida União Européia, pois salvo a Polônia,  o restante vai mal.

A Rússia tem plena legitimidade para reinvidicar a Crimeia, foi realizado plebiscito e a população da região,  de forma esmagadora votou pela incorporação aos russos, todavia os imperialistas não querem aceitar a vontade popular, ao invés disto, estão aplicando sanções econômicas ao governo de Moscou.

As grandes democracias(supostas) não querem aceitar a vontade popular!!! Isto é um grande paradoxo, o que deixa claro que o interesse é puramente econômico, apenas querem escravizar o povo ucraniano.

Os países que aceitam ser o bichinho de estimação dos americanos, sempre terminam muito mal, pois eles(ianques) entram e não saem, e quando partem, deixam a guerra e a destruição.

Se entendermos que os russos não teriam legitimidade para requerer a Crimeia, com muito mais razão o México teria o direito de reaver o Texas, que foi anexado aos EUA pela selvageria do aço.

Ingleses e alemães também questionam a conduta russa na região da Crimeia, no que se refere aos britânicos lembro que saquearam metade do planeta durante o colonialismo e neo-colonialismo, no mínimo deveriam devolver as Malvinas à Argentina, para falarem algo. E os alemães? Depois do holocausto deveriam permanecer os próximos 500 anos em silêncio,  meditando sobre isto.

Chego a pensar na possibilidade de os EUA e seus fantoches estarem forçando uma nova Guerra Fria, para que suas indústrias bélicas, tentem reaquecer a economia quebrada com a crise capitalista de 2008, de qualquer forma tudo isso é bastante temerário,  aprendemos nos anos 80, que diante de um cataclismo nuclear não haverá vencidos, nem vencedores. A Rússia não é o Panamá,  não é a Nicarágua, mas pode ser muito pior que o Vietnã,  pode ser um pesadelo para os comedores de fast-food.

Os latino-americanos não podem compactuar com os embargos econômicos proposto pelo Tio Sam, pois hoje o alvo é a Rússia, amanhã pode ser o Brasil, principalmente no que se refere aos recursos naturais, quando os americanos esgotarem os deles, tentarão tomar os nossos e não poderemos deixar isso acontecer.

Quero demonstrar que milhões de russos se sacrificaram pelo unidade da região, e é justo que a Crimeia possa decidir seu futuro, caminhando ao lado da Rússia.