Hiroshi Bogéa On line

Os Rafinhas que “construímos”

 

 

Oportuníssimo, artigo de Eduardo Guimarães intitulado “Nós criamos os Rafinhas Bastos”:

 

Ao insultar gente poderosa, o “comediante” da tevê Bandeirantes Rafinha Bastos talvez venha a sofrer alguma sanção de seu empregador, mas a sanha punitiva que ganha corpo por ele ter mexido com quem não devia se abate apenas sobre um dos muitos produtos de um sistema degenerado que reúne os produtores dessas “atrações” e um público que, em última instância, é o grande culpado pela existência desse tipo de “entretenimento”.

Se não, vejamos. Recentemente, o jornal americano The New York Times publicou matéria que dava conta de que o “comediante” Bastos é a personalidade mais influente do mundo no Twitter. Uma empresa que se dedica a estudar essa rede social apurou que o contratado da TV Bandeirantes, com seus milhões de “seguidores”, é a pessoa que mais influencia troca de mensagens entre tuiteiros.

As pessoas pagam para assistir aos shows de mediocridade, intolerância, insensibilidade e da mais pura canalhice de gente como o tal Bastos. Os programas da Band de que ele participa são os de maior audiência da emissora. Ou seja: esse sujeito não “existiria” se não existissem milhões de brasileiros que gostam de ver os mais fracos e discriminados sendo ridicularizados.

Há, no Brasil – mas não só aqui, claro –, uma perversão que seduz legiões: rir de mulheres “feias”, de deficientes físicos e mentais, de negros, de homossexuais, enfim, de todos aqueles que já são alvo de insensibilidade e perversidade no cotidiano por conta de suas características pessoais.

É simples entender por que esse pretenso “humorismo” explora tanto o filão dos socialmente desvalidos vendo o que acontece quando, por descuido, um desses mercenários da perversidade se esquece de que deve se concentrar só nos mais fracos e incomoda gente que tem como protestar e dar conseqüências aos próprios protestos e, nesse momento, é punido – em alguma medida, pois parece difícil que a Band abra mão de contratado tão popular.

Os figurões que se revoltaram com a piada de Bastos sobre estar disposto a “comer” Wanessa e o filho que ela leva no ventre devem ter rido de suas piadas de mau gosto quando não os afetaram. O ex-jogador Ronaldo, sócio do marido de Wanessa, até participou de “brincadeiras” do CQC, o programa que lançou esse “comediante” e que lhe deu sobrevida até quando defendeu o estupro de mulheres “feias”.

Porque esse é o conceito de humor que infesta a mídia. Que diferença há entre o que faz Bastos e o que fizeram o blogueiro da Globo Ricardo Noblat e o chargista Chico Caruso quando publicaram na internet, no último domingo, charge que debocha da aparência de uma ministra de Estado, a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Políticas para Mulheres? Veja, abaixo, o conceito de “humor” dessa gente.

 

Para ler matéria completa e  ver as charges dos blogueiros citados, clique AQUI.

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7 Comentários

  1. ricardo

    11 de outubro de 2011 - 17:49 - 17:49
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    o tal do eduardo deve ta precisando dar uma transadinha com alguma mulher feia pq ta mt o mal humorado! o programa é bom as entrevistas são inteligentes e leva um pouco de informaçao politica aos nossos milhoes de analfBETOS qu elegem lula e etc… agora se o tal do eduardo prefere ver programas “pseudo” culturais td bem, azar o dele, poderia “perder” um pouco do tempo dando algumas risadas em frente a TV

  2. Hudson Jr

    7 de outubro de 2011 - 11:19 - 11:19
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    Eu sinceramente não vejo nenhuma graça no CQC, essa história deles levarem as bandidagem dos políticos na comédia não é vantagem. Deveriam era formatar um programa com seriedade para cobrar desses vermes do congresso.

    Agora o Rafinha Bastos realmente pegou pesado. Na verdade ele quis dizer que comeria a Wanessa Camargo mesmo grávida, mas mesmo assim a mulher é casada! Pô tem que respeitar!

    e o Ronaldo ainda tem a minha admiração, mas também vacilou não em defender a mulher do amigo/sócio, mas em pressionar dizendo que iria tirar as empresas que tem como cliente do programa.

    Essas empresas deveriam repensar em contratar a empresa do Ronaldo, afinal ele ta trabalhando com emoção ou razão?

  3. DJALMA GUERRA

    7 de outubro de 2011 - 09:20 - 9:20
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    Infelizmente o Joseph Pulitzer estava certo a mais de um seculo quando disse ´Com o tempo uma imprensa cinica,demagogica e corrupta formara um publico tao vil quanto ela mesma`.
    Acho que esta afirmacao tambem se estende ao mundo da musica que divulga verdadeiras pornografias como podemos ver principalmente nas musicas baianas,tecno brega e forro do Ceara.
    Pobre de quem perde tempo em ver um progama de baixo nivel como o CQC,pois o mesmo nao tem o menor respeito com o publico em geral.

  4. Marcos

    6 de outubro de 2011 - 20:04 - 20:04
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    Acredito que há excessos neste artigo, principalmente quando ele omiti fatos, principalmente se colocando em condição de fazer uma avaliação geral.
    Bom, que o Rafinha Bastos é cria do povo, isso ninguém tem dúvida, todas as figuras públicas o são. Que suas piadas estão de indo de mal a pior, também não temos dúvidas. Isso é reflexo do que falamos antes.
    Agora não podemos atirar pedras neste momento, o CQC é o que é não apenas por piadas de mal gosto, isso tem que ser lembrado também é só falar nas reportagens no senado, no proteste já e outros. Principalmente, lembrar que o Rafinha Basto é o idealizado do programa Aliga, excelente programa por sinal, que denuncia as atrocidades praticadas por todos aos desfavorecidos, estes mesmo que o autor do artigo sita:Mulheres feias, deficientes, negros, pobres, etc.
    A reflexão que temos que fazer é sobre o “distúrbio bipolar” do Rafinha, que eu acredito ser de caráter social a causa, pois como é que alguém na segunda desse o sarrafo e na terça chora para defender o mesmo que ele bateu. Então como tratar essa sociedade também que rir até estourar a barriga na segunda e na terça chora revoltado. Que pessoas estamos criando. Precisamos separar o que é bom do que é ruim, podemos sorrir até estourar a barriga sem sermos covardes (como é feito nas entrevistas no congresso pelo CQC) e chorar sem sermos fingidos (no proteste já e Aliga). Assim, precisamos trabalhar melhor isto em nossa sociedade, para não termos que cairmos em discussões que ao invés de acrescentar só aumentam mais a desgraça humana.

  5. Chagas Filho

    6 de outubro de 2011 - 14:10 - 14:10
    Reply

    HIroshi, parabéns pela publicação do artigo do excelente Eduardo Guimarães.
    Eu era fã do Rafinha até o dia que ele falou aquela piada sem graça do estupro de mulher feia.
    Interessante é que a desenvoltura e inteligência do cara deixa a gente meia anestesiado, pois só depois daquele episódio é que comecei a perceber que grande parte das piadas dele era de mau gosto.
    Ms o CQC é muito bom… e A Liga também.
    É isso.
    Aquele abraço.

  6. marilia

    6 de outubro de 2011 - 12:40 - 12:40
    Reply

    Só a santinha pode salvar

    O prefeito de Tucuruí, Sancler Ferreira (PPS), vai passar este Círio de Nazaré em contrição. É que, na próxima terça-feira, será julgado pelo TRE-PA o Proc. nº 471/2008/40ª ZE, em que o Ministério Público pede a cassação de seu mandato por crime eleitoral. Ele é acusado de captação ilícita de votos, com oferta de casa e Bolsa Alimentação. O relator é o juiz federal Antonio Carlos Almeida Campelo e revisor o desembargador Leonardo de Noronha Tavares.
    Postado por Franssinete Florenzano às 10:41

  7. Anônimo

    6 de outubro de 2011 - 12:02 - 12:02
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    Hiroshi, acho que a parte mais interessante do CQC é quando eles ridicularizam os políticos fazendo questionamentos políticos e os mesmos não sabem responder. Esse pessoal (globo, blogueiros, chargistas, jornais, etc) vive ridicularizando a Dilma (por causa da sua aparência), vivia ridicularizando o Lula.. Agora quando é algo relacionado com perder cliente (propaganda), aí o bicho pega. Pior ainda foi o Ronaldo dar uma de todo poderoso e dizer que ia tirar empresas do programa. Quer escárnio maior do que piadas que fazem com pessoas mortas, o maior exemplo são essas gracinhas que estão fazendo com a morte do Steve Jobs.

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