Hiroshi Bogéa On line

Os patos na floresta

Excerto do post O Haiti não é aqui. Tailândia é aqui, do blogueiro João Lima.

Só nos últimos dois anos o sistema de licenciamento para a extração madeireira passou da ATPF, para o DOF e deste último para o SISFLORA.

Os instrumentos econômicos que financiaram a Amazônia, todavia, jamais se direcionaram à valorização da floresta e tanto menos a tornaram tão competitiva quanto a pecuária e a agricultura, pois jamais ocorreu o financiamento de um único plano de manejo florestal sustentável.

Os poucos FNOs que foram direcionados ao reflorestamento se limitaram basicamente à teca, em frações irrisórias, tanto para gerar material lenhoso estrutural quanto energético.
Agora, com a necessidade de reduzir os índices de desmatamento, se abordam os efeitos, nunca o sistema. Paga o pato quem é usuário e não quem o cria.
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1 Comentário

  1. Anonymous

    23 de fevereiro de 2008 - 16:04 - 16:04
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    Do:blog Página Crítica
    Para:o blogueiro João Lima.

    Sábado, 23 de Fevereiro de 2008

    Os boinas vermelhas estão chegando. Para ficar?

    Pela primeira vez desde sua criação em 2004, a Força Nacional de Segurança desembarcará em terras paraenses. Serão 157 homens que reforçarão a tropa de mais de 400 PMs que desde hoje ocupam as ruas de Tailândia, a 240 quilômetros de Belém.
    A ação das forças de segurança é uma resposta – adequada e indispensável – à violenta reação orquestrada pelo crime organizado que domina o município, com seus tentáculos mais evidentes se expressando através de supostas entidades patronais. Manipulam de forma descarada a miséria e o desespero de uma população que sobrevive dos precários empregos gerados por uma atividade que só sabe atuar na marginalidade, em aberta afronta à legislação trabalhista e ambiental.
    Espera-se que mais esta operação de impacto não se esgote em si mesma. A memória recente – basta recuar a fevereiro de 2005, nas ensangüentadas glebas da Terra do Meio, após o martírio da irmã Dorothy Stang – está repleta de exemplos de como ações espetaculares quando não acompanhas de medidas estruturais de combate à grilagem e de execução de um consistente plano de Reforma Agrária, tendem a dar lugar, tão logo as tropas se retirem, ao mesmo cenário de barbárie de antes.
    Tailândia se tornou sinônimo do agrobanditismo, na expressão cunhada pelo geógrafo Ariovaldo Umbelino, da USP. A cada dia surgem novas denúncias, revelando o quanto essa região foi e ainda permanece entregue à ação de verdadeiras máfias. Veja-se, por exemplo, a revelação trazida ontem pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, de que 20 projetos de manejo localizados no município foram aprovados, em dezembro de 2006, no tempo recorde de duas semanas, no apagar das luzes do reinado tucano. Na época, a Secretaria estadual de Meio Ambiente (antiga Sectam, atual Sema) era feudo do deputado Joaquim Passarinho (PTB), que dominava a área ambiental através de seu irmão, Raul Porto (este, como é sabido, preso em março do ano passado durante a operação Ananias, da Polícia Federal, de combate a quadrilhas de criminosos ambientais). Resultado: tudo não passava de fraude para “esquentar” mais de 170 mil metros cúbicos de madeira, rendendo aos fraudadores – figuras bem postas no mundo político e empresarial daquela localidade- a fabulosa soma de R$ 50 milhões.
    Misteriosamente, quando a promotora Ana Maria Magalhães de Carvalho – que tem recebido ameaças de morte – cobrou informações da Sema, descobriu-se o sumiço de todos os processos. Grosseira tentativa de dificultar as investigações que revela a sobrevivência de elementos do ancien régimen atuando com desenvoltura nesta estratégica secretaria do governo estadual.
    Tailândia, mais que tudo, para ter futuro e resgatar sua população do círculo vicioso da violência e da impunidade, precisa da presença permanente do Estado – em todos os níveis – dotado da coragem cívica de fazer, custe o que custar, uma exemplar operação mãos limpas.

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