Oleiros de Altamira legalizados com cooperativa

Publicado em 27 de abril de 2012

 

 

A empresa Norte Energia e a Organização das Cooperativas Brasileiras – Seção Pará (OCB/PA) concluíram no domingo (22) a criação da Cooperativa do Núcleo Ceramista de Altamira (Cooceramista). A ação vai atender diretamente 300 famílias que vivem dessa atividade na região e faz parte do Programa de Recomposição das Atividades Oleiras, previsto no Projeto Básico Ambiental (PBA) da Usina Hidrelétrica Belo Monte. O setor oleiro trabalha na produção de objetos que utilizam o barro barro ou argila como matéria prima, como tijolos e telhas.

Durante a assembléia geral de constituição da cooperativa, no auditório da Norte Energia, em Altamira, os membros votaram a aprovação do estatuto, elegeram a diretoria e já programaram a primeira reunião como membros oficiais da Cooceramista. “Sozinho a gente não consegue conquistar o mercado, agora com o grupo formado, nós vamos ter força para trabalhar”, defendeu Jorge Carlos, que há 25 exerce a profissão de oleiro sem registro profissional.

Entre as vantagens da organização em cooperativa, está a possibilidade dos produtores conseguirem linhas de crédito para melhorar as técnicas da produção oleira de Altamira. Com mais tecnologia, amplia-se as possibilidades econômicas, já que subprodutos também poderão ser feitos, como por exemplo, pisos de cerâmica.

A proposta de criação da cooperativa surgiu depois que a Norte Energia pesquisou o mercado de extrativismo na região de Altamira e constatou que quase a totalidade dos profissionais não possuía nenhum vínculo empregatício. Outro ponto que chamou atenção diz respeito à regulamentação ambiental, já que a maior parte das olarias funcionava sem registro no Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e no IBAMA.

Para criar a cooperativa, a Norte Energia promoveu para os oleiros de Altamira uma série de cursos e treinamentos com profissionais especializados, sob a coordenação da OCB/PA. Durante dois meses, os trabalhadores receberam informações técnicas sobre o extrativismo mineral no país, legislação ambiental e cooperativismo.

Eleita a primeira diretora presidente da entidade, a produtora Lia Lima agradeceu aos colegas de profissão pela confiança e prometeu trabalhar para que a atividade oleira seja cada vez mais valorizada na região. “O apoio que nós recebemos foi fundamental para a nossa união e eu tenho certeza que, com a ajuda da Norte Energia, nós vamos conseguir vencer” ressaltou Lia, uma das maiores defensoras da produção artesanal de cerâmica na região.

Com a Cooceramista, a Norte Energia espera incentivar outras áreas de extrativismo para que não apenas a produção oleira, mas de outras matérias-primas, ocorra de forma qualificada e seguindo a legislação. O gerente Socioeconômico e coordenador do Programa de Recomposição das Atividades Oleiras da Norte Energia, engenheiro Paulo Sérgio, acredita que a criação da cooperativa é apenas um passo para um processo muito mais amplo e que, segundo ele, receberá apoio da empresa durante todo o processo de construção da Usina Belo Monte. “Nossa intenção é dar condições para que esses trabalhadores possam melhorar cada vez mais a qualidade da produção e com isso garantir não só agora, mas no futuro, uma vida melhor para suas famílias. Eles agora vão receber orientação sobre gestão” destacou.

Com informação da Ascom da Norte Energia