Hiroshi Bogéa On line

Objeto é a floresta no chão

O blog sempre separa quem luta pela consolidação da Reforma Agrária, justamente e com armas legais. Mas bate de frente, sem medo, com os bandidos que usam o tema apenas para roubar madeiras, derrubar reservas legais com uso de motosserras e fogo.

Ademir Braz conta história que merece a reflexão sobre uma área localizada a 20 km de Marabá, invadida por movimentos sociais e à beira de perder a última reserva de castanhais e quantidade significativa de madeiras nobres.

O poster conhece os castanhais Mutamba e Cigana. Conhece de percorrer suas entranhas no dorso de animais ou dentro de barcos, cruzando o igarapé Taurizinho.

É ali onde se vê ainda o que restou de uma história de mais de meio século de extrativismo.

É ali onde ainda se vê (foto), de forma cada vez mais rarefeita, castanheiros com paneiros nas costas tentando extrair o pouco do que restou da amêndoa que tantas riquezas gerou ao Pará.

Tudo esbulhado.

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2 Comentários

  1. Hiroshi Bogéa

    13 de abril de 2008 - 21:19 - 21:19
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    Ronaldo, você precisa memorizar isso no papel. Temos uma agenda de comprometimento seu para com o blog de certos temas até agora, ansiosamente, aguardando sua presença. Escreve, parceiro.
    abs

  2. Ronaldo Barata

    13 de abril de 2008 - 15:20 - 15:20
    Reply

    Caro Hiroshi:
    A história relatada pelo nosso querido Ademir, é de significativa importância e deveria ser obrigatoriamente lida não só pelos que, como autoridades, dirigem a execução da Reforma Agrária, como por todos os que se preocupam com os destinos da Amazônia. O autor é insuspeito e merece credibilidade. Quem conhece o Ademir, sabe que sua alma de poeta e seu senso de justiça, sempre os colocaram entre aqueles que defendem os mais desvalidos e lhe dá, com justiça, a postura de um homem de esquerda. Jamais, ao Ademir, se poderia imputar um viez conservador e retrógado.
    Infelizmente, a história relatada é o retrato vivo da incapacidade governamental de implantar um plano nacional de Reforma Agrária que resgate, na verdade, os milhões de brasileiros que vivem em busca de terra para trabalhar e produzir.
    Como sabes, fui Superintendente do Incra e Presidente do ex-GETAT e participei da elaboração do primeiro plano nacional de reforma agrária e, em consequência, do regional. Como executor, nos quase 4 anos de direção do Incra, promovi a desapropriação e aquisição de mais de 2 milhões de hectares de terras, destinando-as para a criação de projetos de assentamento.
    Hoje, decorridos mais de 20 anos de tais ações, quando percorro, em especial o sul do Pará, fico entristecido pelo que vejo. As áreas desapropriadas não se transformaram, como deveriam, em polos de produção. E o que mais estarrece é verificar que os assentados não correspondem àqueles que deram origem aos processos de desapropriação, o que está me forçando, caso consiga encontrar tempo, a escrever a história “da reforma agrária que não fiz”.
    Parabenizo o Ademir pela sua coragem e honestidade intelectual e prometo retornar sobre o assunto.
    Abraços do Ronaldo Barata

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