Hiroshi Bogéa – Chega o Dia dos Pais e, inevitavelmente, volto para dentro de mim.
Não para procurar o pai perfeito que nunca fui — e talvez nenhum de nós seja —, mas para reencontrar o menino que um dia fui, o homem que me tornei e os filhos que a vida colocou no meu caminho.
Ser pai me ensinou uma coisa que só compreendi com o tempo: a gente nunca termina de aprender a ser pai.
Quando os filhos são pequenos, pensamos que nossa missão é protegê-los de tudo. Queremos segurá-los pela mão, ensinar-lhes o certo e o errado, evitar que sofram. Depois eles crescem, começam a fazer suas próprias escolhas e descobrimos, com alguma dificuldade, que amar também significa aprender a soltar.
Tenho filhos que me fizeram conhecer diferentes formas de exercer a paternidade. Cada um deles me ensinou alguma coisa sobre mim mesmo.
E hoje, olhando para trás, percebo que também errei.
Talvez tenha faltado paciência em alguns momentos. Talvez tenha faltado presença em outros. Talvez algumas palavras tenham sido ditas quando o silêncio teria sido melhor. E certamente houve momentos em que eu gostaria de voltar no tempo apenas para fazer diferente.
Mas há uma beleza na paternidade que não está na perfeição.
Está na possibilidade de continuar tentando.
Um pai também aprende com os filhos.
Aprendi isso quando meus filhos começaram a construir suas próprias vidas. E aprendi mais ainda com a chegada de Gabriel, filho extemporâneo de 8 anos que mora com a mãe dele em Florianópolis.
Talvez seja isso que Rossandro Klinjey nos ajude a compreender quando fala sobre paternidade: ser pai não é apenas gerar. É participar da formação de alguém. É oferecer presença, referência, limite, afeto e, sobretudo, segurança.

E segurança não significa criar filhos sem dificuldades.
Significa fazê-los saber que, mesmo quando a vida apertar, existe alguém a quem podem voltar.
Hoje penso muito nisso.
Porque os filhos crescem, os netos chegam e o tempo vai nos mostrando que a nossa maior herança não está no que acumulamos, mas naquilo que conseguimos deixar dentro das pessoas que amamos.
Não sei se fui o pai que imaginei ser quando meus filhos foram chegando. Sei apenas que fui aprendendo.
Aprendi com os acertos, mas principalmente com os erros.
Aprendi que pedir desculpas também educa.
Que abraço não estraga filho.
Que limite também é uma forma de amor.
Que ouvir pode ser mais importante do que aconselhar.
E que presença não se mede apenas pela quantidade de horas ao lado de alguém, mas pela qualidade daquilo que construímos quando estamos juntos.

Hoje, no Dia dos Pais, não quero celebrar uma imagem idealizada da paternidade.
Quero celebrar a possibilidade de continuar sendo pai.
Mesmo quando três filhos já são adultos, dos quatro que tenho.
Mesmo quando a vida os leva para longe.
Porque ser pai não termina quando um filho cresce.
Apenas muda de forma.
No final, talvez seja isso que todos nós procuramos quando pensamos em nossos pais: uma presença que permaneça.
E é isso que desejo deixar aos meus filhos e aos meus netos.
Não a lembrança de um homem perfeito.
Mas a lembrança de um homem que amou, que errou, que aprendeu e que, acima de tudo, esteve sempre tentando acertar.
Porque, no fim da vida, talvez o maior legado de um pai não seja aquilo que ele deixou para os filhos.
Seja aquilo que os filhos carregam dele.
Um jeito de abraçar.
Uma palavra.
Um gesto.
Uma lembrança.
Uma história.
E, quem sabe, a certeza silenciosa de que, em algum lugar da memória, o pai continua dizendo:
— Estou aqui.
Esse é o pai que eu quero ser.
E esse é o pai que, todos os dias, ainda estou aprendendo a ser.


