O muro da vergonha da Vale ameaça a dignidade das pessoas

Publicado em 31 de janeiro de 2013

 

 

 

Dias deses, o poster leu alguma coisa sobre intenção da mineradora Vale construir uma grande cerca em torno da  Estrada de Ferro Carajás, numa faixa de terra que englobaria  parte do território paraense, às proximidades de cidades “rebeldes” como Marabá e Parauapebas.

Com a cerca, imaginam os “perfumadinhos” executivos da companhia, os trilhos da ferrovia não seriam ocupados por manifestações populares.

Naquele dia,  ficamos  de comentar a preciosidade do projeto  segregacionista da mineradora, mas  terminamos passando batido.

A Vale soltou a nota de sua “boa intenção” numa manobra estratégica  para auscultar o humor das populações a serem atingidas com o grande  brete.

Sim, um grande brete – daqueles em currais usados para guiar o boi num caminho que o leva à morte ou a partidas  sem voltas.

Ou, numa imagem mais “singela”,  apenas com intuito de “vaciná-lo”.

Com sua política de acantoamento, a Vale promove a desintegração de gentes, porque fecha caminhos àqueles que usam pinicadas, pequenas aberturas na mata, para se intercomunicarem.

A construção do brete ferroviário é sinônimo de apartação, agride o ir e vir das pessoas pobres que,  desesperançosas de melhorias em sua qualidade de vida, terão ainda a humilhante imposição de encarar cercas e mais cercas diante de seus narizes.

O muro de Berlim foi derrubado em 1989, depois da separar com sua barreira física o mundo em dois blocos.

O muro da vergonha idealizado pela Vale tem o mesmo objetivo: separar gentes de seu corredor de exportação.

Delimitar território, escorando populações aos mais recônditos lugares.

Pois bem, a mineradora soltou a nota na imprensa anunciando a intenção de aprofundar  sua vergonhosa política de segregação,  em pleno território paraense,  e nenhuma autoridade se levantou  para dizer não.

Dizer não à agressiva atitude, para dar um basta nessas indecorosas projeções que só vem aprofundar o fosso social que desgraçadamente atormenta  1,7 milhão de paraenses residentes no Sul/Sudeste.

O governador Simão Jatene tem o dever  moral e a obrigação de vir a público dizer que não aceita isso.

Os prefeitos  cujos territórios são cortados pela ferrovia, também.

A Vale não pode  mais achar que somos um imenso curral no qual ela coloca seus  dejetos, para preservar a riqueza  anualmente acumulada à custa dos minérios que ela explora em solo paraense.

Enquanto existir um teclado à disposição deste poster, cerraremos luta contra esse projeto criminoso que a mineradora tentará impor goela adentro de todos nós.

Não há cerca que impedirá manifestações populares no entorno da ferrovia. A Vale pode anotar.
Não há cerca que impedirá manifestações populares no entorno da ferrovia. A Vale pode anotar.