O Moussallem que quis mudar a rota do Itacaiúnas

Publicado em 26 de fevereiro de 2012

 

 

Na foto resgatada pelo feicista Ernesto Almeida Filho, o engenheiro Alberto Moussallem aparece de camisa social branca, à esquerda.Ele exerceu  cargo público em Marabá, ocupando cadeira na Câmara Municipal, marcando sua trajetória política por tiradas folclóricas e discursos polêmicos, reforçada pela arrastada voz rouca que o caracterizava.

Para alguns, apenas folclórico.

Segundo outros, um visionário que teve a petulância (o termo é esse mesmo para os padrões de reacionarismo da época)  de sugerir o desvio do rio Itacaiúnas, depois da famosa enchente de 1980, para acabar com as cheias que sempre atormentaram, sazonalmente,   a vida de alguns marabaenses.

Vítima da galhofa e gozação dos mais zoados, a proposta de Alberto Moussallem fertilizou mentes e ganhou proporções de acordo com o interesse de cada contador de causos, enriquecendo o anedotário político.

Mas,  ao fim e ao cabo, o então vereador estava coberto de razão, descontando a inaceitável possibilidade do município se ver distanciado do trecho que forma a foz do rio em sua junção com o Tocantins.

Crível em todos os sentidos, tecnicamente, o desvio do Itacaiúnas para desaguar  no Tocantins um pouco acima da praia Croa Pelada, reduziria em 40% o volume de água que cerca a cidade, fazendo desaparecer os alagamentos nos bairros da Nova Marabá e Cidade Nova, às margens da atual calha do rio.

Claro, olhando do ponto de vista cultural e poético, a sociedade jamais aceitaria perder um dos trechos mais belos do sofrido rio, exatamente aquele riscado de curvas e que leva suas águas ao beijo definitivo  com o Tocantins.

Como representante da comunidade eleito democraticamente à época, o engenheiro Alberto Moussallém cumpriu com seu dever de propôr soluções para um dos problemas que mais afligem determinados moradores, no período invernoso.

No fundo, Alberto foi um homem que cultivava a boa conversa, se delongava em prosas políticas isentas de qualquer tipo de maldade.

Figura humana  incompreendida, mas que amava Marabá em toda a sua plenitude.

 

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Atualização às 12:58

Alberto Moussallem em um carro de mão levado por estivador, atravessando a praça Duque de Caxias, durante  a cheia de 1980, uma das maiores da história do município.

A partir desse “dilúvio”, Alberto propôs alteração no curso do rio Itacaiúnas.

A foto é do arquivo da Casa da Cultura, resgatada no mural de Ribamar Ribeiro Junior (Face).

 

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Atualização às 13:45  (26/02)

 

Comentarista Eng. Civil JC acrescenta informações a respeito de Alberto Moussallem, como profissional da área de engenharia:

 

Sem falar que o eng Alberto Moussallem foi o responsavel pela vinda da inspetoria do CREA de Marabá. Com maquina datilografa por muitos tempos, preencheu a Anotação de Responsabilidade Tecnica (ART) rigorosamente.
Alguns profissionais da area de engenharia o criticavam pelas costas por assinar as ART´s por uma valor simbolico para pessoas que nao tinham condições financeiras, principalmente de baixa renda.
A Inspetoria CREA de Marabá tem um auditorio com seu nome para demonstrar a homenagem do nosso Conselho a este profissional.
Vejo por outros olhos: o de ajudar os mais necessitados.
Correto em suas tecnicas construtivas a epoca foi um dos precursores e sem nao me engano o primeiro engenheiro civil de marabá.
Saudações ao dr Albertinho e a dra Eliana Moussallem, seus filhos.

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Atualização às 16:25 (26/02)

 

Leitor Ulisses Silva Maia também faz considerações sobre  Alberto Moussallem ao comentar o post acima:

 

Caro Hiroshi, muitos visionários de nossa história só o são assim “reconhecidos” depois que perecem. Sou jovem (28 anos), mas a história deste homem mostra, pelo menos, duas realidades: Marabá teve um grande homem; e Marabá não tem um espaço onde se possa fazer alguma reverência ao seu passado, coisa triste de um município grande onde a cultura passa longe e a educação parece não ser prioridade (isto independente de quem seja hoje o prefeito).

Bem, e quanto ao comentário do “Raimundão – 26/02/2012 – 5:42), o mais triste é que Marabá pode não ter tido enchentes maiores que as de 1957 ou 1980, mas infelizmente tem vivido tempos de piores enchentes: não temos saúde com um mínimo possível de qualidade, educação de qualidade duvidosa, ruas emburacadas, sistema de esgoto não existe, e tantas e tantas outras mazelas que nos vem assolando ao longo de mandatos e mais mandatos de pseudo-prefeitos que, para o desgosto deste povo, nada fazem.
Enfim, as eleições municipais batem à nossa parte, e aqueles que são cotados como possíveis eleitos (seja para prefeito ou vereador), não merecem mais um único voto de confiança.