Hiroshi Bogéa On line

O Moussallem que quis mudar a rota do Itacaiúnas

 

 

Na foto resgatada pelo feicista Ernesto Almeida Filho, o engenheiro Alberto Moussallem aparece de camisa social branca, à esquerda.Ele exerceu  cargo público em Marabá, ocupando cadeira na Câmara Municipal, marcando sua trajetória política por tiradas folclóricas e discursos polêmicos, reforçada pela arrastada voz rouca que o caracterizava.

Para alguns, apenas folclórico.

Segundo outros, um visionário que teve a petulância (o termo é esse mesmo para os padrões de reacionarismo da época)  de sugerir o desvio do rio Itacaiúnas, depois da famosa enchente de 1980, para acabar com as cheias que sempre atormentaram, sazonalmente,   a vida de alguns marabaenses.

Vítima da galhofa e gozação dos mais zoados, a proposta de Alberto Moussallem fertilizou mentes e ganhou proporções de acordo com o interesse de cada contador de causos, enriquecendo o anedotário político.

Mas,  ao fim e ao cabo, o então vereador estava coberto de razão, descontando a inaceitável possibilidade do município se ver distanciado do trecho que forma a foz do rio em sua junção com o Tocantins.

Crível em todos os sentidos, tecnicamente, o desvio do Itacaiúnas para desaguar  no Tocantins um pouco acima da praia Croa Pelada, reduziria em 40% o volume de água que cerca a cidade, fazendo desaparecer os alagamentos nos bairros da Nova Marabá e Cidade Nova, às margens da atual calha do rio.

Claro, olhando do ponto de vista cultural e poético, a sociedade jamais aceitaria perder um dos trechos mais belos do sofrido rio, exatamente aquele riscado de curvas e que leva suas águas ao beijo definitivo  com o Tocantins.

Como representante da comunidade eleito democraticamente à época, o engenheiro Alberto Moussallém cumpriu com seu dever de propôr soluções para um dos problemas que mais afligem determinados moradores, no período invernoso.

No fundo, Alberto foi um homem que cultivava a boa conversa, se delongava em prosas políticas isentas de qualquer tipo de maldade.

Figura humana  incompreendida, mas que amava Marabá em toda a sua plenitude.

 

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Atualização às 12:58

Alberto Moussallem em um carro de mão levado por estivador, atravessando a praça Duque de Caxias, durante  a cheia de 1980, uma das maiores da história do município.

A partir desse “dilúvio”, Alberto propôs alteração no curso do rio Itacaiúnas.

A foto é do arquivo da Casa da Cultura, resgatada no mural de Ribamar Ribeiro Junior (Face).

 

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Atualização às 13:45  (26/02)

 

Comentarista Eng. Civil JC acrescenta informações a respeito de Alberto Moussallem, como profissional da área de engenharia:

 

Sem falar que o eng Alberto Moussallem foi o responsavel pela vinda da inspetoria do CREA de Marabá. Com maquina datilografa por muitos tempos, preencheu a Anotação de Responsabilidade Tecnica (ART) rigorosamente.
Alguns profissionais da area de engenharia o criticavam pelas costas por assinar as ART´s por uma valor simbolico para pessoas que nao tinham condições financeiras, principalmente de baixa renda.
A Inspetoria CREA de Marabá tem um auditorio com seu nome para demonstrar a homenagem do nosso Conselho a este profissional.
Vejo por outros olhos: o de ajudar os mais necessitados.
Correto em suas tecnicas construtivas a epoca foi um dos precursores e sem nao me engano o primeiro engenheiro civil de marabá.
Saudações ao dr Albertinho e a dra Eliana Moussallem, seus filhos.

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Atualização às 16:25 (26/02)

 

Leitor Ulisses Silva Maia também faz considerações sobre  Alberto Moussallem ao comentar o post acima:

 

Caro Hiroshi, muitos visionários de nossa história só o são assim “reconhecidos” depois que perecem. Sou jovem (28 anos), mas a história deste homem mostra, pelo menos, duas realidades: Marabá teve um grande homem; e Marabá não tem um espaço onde se possa fazer alguma reverência ao seu passado, coisa triste de um município grande onde a cultura passa longe e a educação parece não ser prioridade (isto independente de quem seja hoje o prefeito).

Bem, e quanto ao comentário do “Raimundão – 26/02/2012 – 5:42), o mais triste é que Marabá pode não ter tido enchentes maiores que as de 1957 ou 1980, mas infelizmente tem vivido tempos de piores enchentes: não temos saúde com um mínimo possível de qualidade, educação de qualidade duvidosa, ruas emburacadas, sistema de esgoto não existe, e tantas e tantas outras mazelas que nos vem assolando ao longo de mandatos e mais mandatos de pseudo-prefeitos que, para o desgosto deste povo, nada fazem.
Enfim, as eleições municipais batem à nossa parte, e aqueles que são cotados como possíveis eleitos (seja para prefeito ou vereador), não merecem mais um único voto de confiança.

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15 Comentários

  1. Alberto Moussallem Filho

    21 de março de 2012 - 08:24 - 8:24
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    Parabéns pela Materia Hiroshi, ela já foi lida até no exterior por membros da família e tambem foi reeditada e publicada em árabe com seu nome, pelos historiadores do consulado do Libano.
    eu me lembro tambem, quando criança, que meu pai falava sobre a pavimentação da velha-marabá com blocos de cimentos, pois ele teria visto isto na Holanda, e, assim, as cheias periodicas não danificariam mais as ruas (o asfalto)… isto tambem foi alvo de muita gozação, que posteriormente o projeto foi executado pelo prefeito da época o Sr. Nagib Mutran.
    Parabéns, mais uma vez, agradeço a vc e todos os que postaram em nome da família.
    Alberto Moussallem Filho.

  2. anônimo filho de Marabá

    4 de março de 2012 - 07:30 - 7:30
    Reply

    Hiroshi,
    Longe do nosso blog a alguns dias, quando me deparo com essa belissima fotografia do saudoso Dr. Alberto Moussallem “in memoriam”, vivenciando, aquela que foi uma das piores cheias sofridas por nossa querida Marabá. Isso, me faz voltar ao tempo ! Valeu…

  3. Jorge Antony F. Siqueira

    28 de fevereiro de 2012 - 13:20 - 13:20
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    “Dr. Alberto Moussalem : Homem simples, humilde, um sonhador,, que fez da vida pública, uma arte de servir ao próximo, e não a sí mesmo”. Declaração sobre Alberto Moussalem (in memorian), do ex-vereador/deputado Evaldo Bichara, que caracteriza exatamente o inverso do que ele próprio foi, enquanto vereador e deputado. Fez da vida pública um mero trampolim. Sorte nossa (marabaenses) que teve curta carreira. Aliás, por onde andas, figura ? Desculpa Hiroshi, nada contra vc. Em 28.02.12, Marabá-PA.

  4. Evaldo Bichara

    28 de fevereiro de 2012 - 08:20 - 8:20
    Reply

    Bom dia,Primo!

    Tens razão,foi meu o comentário das 21:09h! Abs

  5. Joao

    28 de fevereiro de 2012 - 01:58 - 1:58
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    É fácil identificar é só rememorarmos os nomes dos ocupantes daquela legislatura (1978-1982):
    Guido (in memorian),Eduardo Chuquia, Manoel do Nilo, Ernesto Almeida, Pedro Oliveira,….me esqueci o resto

  6. Ex-Vereador

    27 de fevereiro de 2012 - 21:09 - 21:09
    Reply

    Hiroshi,
    Lembro-me, como se fosse hoje,em, uma memorável sessão da Câmara de Marabá,quando o apartiei,no momento em que usava a tribuna para expor suas idéias, as vezes polêmicas, como essa do desvio do Itacaiunas. No meu aparte,me associei ao seu clamor, onde mostrava as autoridades de Marabá, do Pará e do Brasil, um projeto semi-elaborado, provando, técnica e cientificamente, que era possivel eliminar-mos em 95% as cheias, que sempre assolam a Marabá Pioneira,desviando o curso do leito do Itacaiunas.Quero parabenizar, o feicista Ernestinho,por essa peça tirada de seu acervo,e pedir, que outras sejam exibidas para o conhecimento dos que chegaram depois. Amigos, dou, também meu testemunho,sobre o saudoso Dr. Alberto Moussalem: Homem simples,humilde,um sonhador,que fez da vida publica, uma arte de servir ao proximo, e não a si mesmo.Um abraço,Hiroshi!

    • Hiroshi Bogéa

      27 de fevereiro de 2012 - 23:48 - 23:48
      Reply

      Ex-vereador, e por que essa timidez em revelar a sua identidade? Assine seu nome para dignificar tão lúcido depoimento! Abs

  7. João Dias

    27 de fevereiro de 2012 - 09:45 - 9:45
    Reply

    Retratos da vida

    Testemunho que uma das obras revolucionárias e suntuosa do Dr. Alberto, quando Marabá ainda era uma pequena notável, de pouco mais de 20 mil habitantes, foi a construção da sua própria residência na rua 5 de abril.

    Por outro lado, lembro, também, da farmácia e dos medicamentos que ele nos indicava para a cura ou superação das doenças regionais. Era um “Homem” presente e disposto a soluções.

    Finalmente, a matéria ilustrada com as fotos é de uma dimensão e profundidade visual, apta a matar do coração os marabaenses saudosistas.

    Tijuca/RJ
    João Dias
    sds. marabaenses.

  8. Ulisses Silva Maia

    26 de fevereiro de 2012 - 16:04 - 16:04
    Reply

    Caro Hiroshi, muitos visionários de nossa história só o são assim “reconhecidos” depois que perecem. Sou jovem (28 anos), mas a história deste homem mostra, pelo menos, duas realidades: Marabá teve um grande homem; e Marabá não tem um espaço onde se possa fazer alguma reverência ao seu passado, coisa triste de um município grande onde a cultura passa longe e a educação parece não ser prioridade (isto independente de quem seja hoje o prefeito).
    Bem, e quanto ao comentário do “Raimundão – 26/02/2012 – 5:42), o mais triste é que Marabá pode não ter tido enchentes maiores que as de 1957 ou 1980, mas infelizmente tem vivido tempos de piores enchentes: não temos saúde com um mínimo possível de qualidade, educação de qualidade duvidosa, ruas emburacadas, sistema de esgoto não existe, e tantas e tantas outras mazelas que nos vem assolando ao longo de mandatos e mais mandatos de pseudo-prefeitos que, para o desgosto deste povo, nada fazem.
    Enfim, as eleições municipais batem à nossa parte, e aqueles que são cotados como possíveis eleitos (seja para prefeito ou vereador), não merecem mais um único voto de confiança.

  9. Antonio Carlos Pereira

    26 de fevereiro de 2012 - 11:07 - 11:07
    Reply

    Amigo Hiroshi, bem lembrado o Eng. Alberto Moussalem, então vereador. A meu ver, outro que esteve à frente do seu tempo, foi José Brito de Almeida (Zeca do Nelito) (in memorian), ao montar fábrica de beneficiamento de café etc…naquela época. Em 26.02.12, Marabá-PA.

  10. Raimundão

    26 de fevereiro de 2012 - 05:42 - 5:42
    Reply

    De acordo com meus alfarrábios, a maior foi a de 1957, em segundo lugar, foi a de 1980. Espero sinceramente que não aconteça outra maior que estas que mencionei.

  11. Eng Civil JC

    25 de fevereiro de 2012 - 21:45 - 21:45
    Reply

    Sem falar que o eng Alberto Moussallem foi o responsavel pela vinda da inspetoria do CREA de Marabá. Com maquina datilografa por muitos tempos, preencheu a Anotação de Responsabilidade Tecnica (ART) rigorosamente.
    Alguns profissionais da area de engenharia o criticavam pelas costas por assinar as ART´s por uma valor simbolico para pessoas que nao tinham condições financeiras, principalmente de baixa renda.
    A Inspetoria CREA de Marabá tem um auditorio com seu nome para demonstrar a homenagem do nosso Conselho a este profissional.
    Vejo por outros olhos: o de ajudar os mais necessitados.
    Correto em suas tecnicas construtivas a epoca foi um dos precursores e sem nao me engano o primeiro engenheiro civil de marabá.
    Saudações ao dr Albertinho e a dra Eliana Moussallem, seus filhos.

  12. Anônimo

    25 de fevereiro de 2012 - 19:36 - 19:36
    Reply

    Hiroshi,a enchente(cheia)de 1980/1981 não foi uma das maiores,ela foi ,mas foi,e com muita sobra,a maior de todos os tempos,e meus olhos,como os seus,presenciaram e documentaram,esse fato histórico. O eng. Alberto Moussalem(chamado carinhosamente de “pato rouco”)fica na história de Marabá,como político polêmico/irreverente,mas quem foi seu contemporâneo,sabe que êle era um cidadão do bem,e amava Marabá.

  13. Marise Morbach

    25 de fevereiro de 2012 - 11:44 - 11:44
    Reply

    Belo post Hiroshi; e grande lembrança: com foto e tudo. Figura singular cuja voz me visita sempre que vou em Marabá. Incrível: quantos anos se passaram de lá prá cá? Marabá nunca fica distante, nunca. Delícia de post Hiroshi Bogéa. Música para os meus ouvidos!

    • Hiroshi Bogéa

      25 de fevereiro de 2012 - 12:11 - 12:11
      Reply

      Marise, querida, fazia tempo não a via por aqui. Há figuras belas de nossa História assim que meio escanteadas, cujo resgate justo e pontual se faz necessário. Alberto Moussallem é uma delas. E quando a vejo brotando por aqui, lembro de Juvencio, você e eu conversando no Doca Spetus, ou então da sempre generosa carona que você nos consentia, buscando eu e ele no Bar do Ranulfo, anexo à sede da Escola de Samba Quem São Eles. Tenho só boas lembranças do Juva, querida. A blogosfera paraense está aí mesmo para provar que morreu muito, depois de sua partida. Abs carinhoso em todos de sua casa, família Morbach que tanto prezo.

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