O certo e o errado

Publicado em 5 de março de 2008

Deputado João Salame (PPS) envia comentário explicando seu voto de solidariedade ao colega Luís Cunha (PDT):

Não costumo fugir das polêmicas. Para o bem e para o mal.A prática de assinar documentos com data retroativa é comum em todas as plagas. É próprio de uma gente acostumada a perder prazos. Nos sindicatos, nos meios acadêmicos, no meio político, no meio empresarial, etc.
Não foi essa a motivação da ação do vereador denunciante no imbróglio envolvendo o deputado Luiz Cunha. A motivação era a irritação por não conseguirem cassar o prefeito de Viseu.
Tanto é verdade que no processo de cassação do vereador Nilson não existe nenhuma defesa do mesmo usando a questão dos prazos de desfiliação. Ele construiu sua defesa na tese da Justa Causa. Tanto que o TRE o absolveu.
O deputado Adamor explicou isso de maneira cristalina da tribuna da Assembléia. Registre-se, Adamor não tem nenhuma relação de amizade com o Luiz Cunha e foram adversários na mesma região. Por esse motivo fui solidário com ele.
Fui solidário com o deputado Luiz Cunha, que foi vítima de uma armação calhorda do vereador que era seu amigo, frequentava sua casa, e utilizou do expediente de uma gravação clandestina, sem autorização judicial, induzindo-o, para implicá-lo.Em nome da defesa da ética não podemos transigir na questão dos métodos. Senão passamos a admitir que, em nome da lei, é válido qualquer método para a obtenção de provas.
O caminho correto é o da denúncia ao Ministério Público,a solicitação de autorização judicial para gravações, etc.
Se os deputados tiverem culpa que sejam acusados, julgados e condenados num processo legal.
Mas, da forma como foi feita a armação, reafirmo minha solidariedade ao Luiz Cunha, que tem uma história de vida coerente e de seriedade.

——–

O certo é que existe uma gravação. Nela, a voz do deputado Luís Cunha admitindo ter colocado o chamegão no documento, com data retroativa, chegando, inclusive, a reconhecer arrependimento por ter praticado algo de errado.

Essa a grande questão.

——–

Ou, como prefere Juvencio Arruda, a questão maior são os ilhéus.