Hiroshi Bogéa On line

O cântico da Língua-Pátria

Quando nos deparamos com uma palavra desconhecida, quer na escrita, quer na fala, ocorre-nos, de imediato, o desejo de saber o seu significado. É natural querermos saber o sentido do que nos pareceu estranho. Freqüentemente, o contexto em que a mesma foi usada costuma esclarecer seu objetivo. A investigação do mundo das palavras é um exercício sobremaneira prazeroso.
A gramática portuguesa, mais propriamente a “linguagem”, no entender de Mauricio Gnerre, “constitui o arame farpado mais poderoso para bloquear o acesso ao poder.”
José Miguel Wisnik, crítico, ensaísta, compositor, intérprete, pianista, e um dos pensadores e artistas brasileiros que eu mais admiro, compôs com Luiz Tatit “Gramática”, canção que se debruça sobre a riqueza incomensurável que é o falar humano.

Gramática
O substantivo
É o substituto
Do conteúdo
O adjetivo
É nossa impressão
Sobre quase tudo
O diminutivo
É o que aperta o mundo
E deixa miúdo
O imperativo
É o que aperta os outros
E deixa mudo

Um homem de letras
Dizendo idéias
Sempre se inflama
Um homem de idéias
Nem usa letras
Faz ideograma
Se altera as letras
E esconde o nome
Faz anagrama
Mas se mostra o nome
Com poucas letras
É um telegrama

Nosso verbo ser
É uma identidade
Mas sem projeto
E se temos verbo
Com objeto
É bem mais direto
No entanto falta
Ter um sujeito
Pra ter afeto
Mas se é um sujeito
Que se sujeita
Ainda é objeto

Todo barbarismo
É o português
Que se repeliu
O neologismo
É uma palavra
Que não se ouviu
Já o idiotismo
É tudo que a língua
Não traduziu
Mas tem idiotismo
Também na fala
De um imbecil

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3 Comentários

  1. Hiroshi Bogéa

    26 de agosto de 2007 - 20:14 - 20:14
    Reply

    Confesso ser um viciado em comprar CDs. Agora DVDs. Devo ter uns 5 mil. Sempre disse que o dificil, numa separação, é saber o que é teu e o da parceira. Melhor, sempre, comprar dois do mesmo título. Fica mais fácil, e menos ‘briguento’: um é teu e outro dela. Agrega valor de todos os tipos.
    Chico já descreveu bem esse barato,”as sobras de tudo que chamam lar”, ao preferir ficar “com o disco do Pixinguinha, sim?O resto é seu…”

    Trocando em miúdos, é isso aí.
    Um beijo.

  2. crisblog

    26 de agosto de 2007 - 18:50 - 18:50
    Reply

    Hiroshi, quando você tiver tempo…grave umas músicas de seu bom gosto para termos acesso também !

    Beijos.

  3. crisblog

    26 de agosto de 2007 - 18:49 - 18:49
    Reply

    Nossa…o que você descobriu…

    Muito legal !

    Beijos.

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