Hiroshi Bogéa On line

Nossa cobra no Rio

Naquele mesmo final de semana seguinte, provavelmente no sábado, Jurivê Macedo teve que ir a São Luís. Na segunda, dez dias depois de nossa manchete, por volta de dez da manhã recebo telefonema do nosso editor.

– Estás sentado?, perguntou a mim. Escuta, então: – “Cobra de aproximadamente nove metros foi morta em um igarapé próximo a cidade de Imperatriz, no Maranhão….”

Lido o texto, Jurivê informava que aquilo estava em pagina interna do Jornal do Brasil (numa escala de dez leitores, jornal preferido de oito brasileiros nos tempos de chumbo da ditadura) que ele acabara de abrir no hotel onde se encontrava hospedado. O jornal circulara no domingo, dando mais uma espichada na bichona do Bacuri.
Muitas gozações curtidas depois do que acabamos de ler, o meu querido e mestre Jurivê – um dos jornalistas de mais fina ironia e humor que conheço -, me prepararia bote auspicioso, ao escrever em sua coluna do dia seguinte mais ou menos isso:

– A cobra de cinco metros encontrada no igarapé Bacuri, mesmo depois de morta, só faz crescer. Foi noticiada no jornal O Imparcial com dois metros a mais de seu tamanho normal (esse normal aí foi por conta do Juredo, viu? ) e o Jornal do Brasil estampa para os leitores do país que a sucuri tem, em verdade, nove metros de cumprimento. Minha expectativa agora fica por conta do tamanho da cobra a ser dado pelo New York Times.

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1 Comentário

  1. Waldyr Silva

    9 de fevereiro de 2007 - 03:41 - 3:41
    Reply

    Caro Hiroshi:
    A história da cobra do Bacuri me fez lembrar um fato interessante ocorrido por volta de 1989 ou 1990, em Belém, onde eu morava na época.
    Um grande amigo meu, então editor de polícia de um jornal da capital, estava às voltas para fechar as páginas de polícia, mas não havia matérias boas, apenas “briga de vizinho”.
    Ao passar no cruzamento da Pedro Álvares Cabral com a Júlio César, nas proximidades do Casota, ele e o fotógrafo tiveram uma brilhante idéia. Retornaram à redação, apanharam uma cartolina e escreveram que os delegados mais bravos do momento estavam sendo marcado para morrer, com “assinatura” dos mais violentos bandidos da cidade.
    Retornaram ao trevo e expuseram a cartolina com o “recado” dos bandidos aos delegados ao lado de um despacho (galinha preta, garrafa de cachaça e outros objetos) que acabara de ser colocado no local. Fotografaram aquilo tudo.
    Depois, os dois voltaram para a redação e ligaram para os supostos delegados marcados para morrer, questionando o assunto. A matéria foi manchete principal da edição. No dia seguinte, até o jornal concorrente desdobrou o assunto.
    Abraços:
    Waldyr Silva
    Parauapebas (PA)

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