No meio do campo eleitoral, marginais.

Publicado em 3 de outubro de 2014

 

Ausente de Marabá nas últimas horas  a trabalho, somente à noite de quinta-feira passei a me atualizar quanto aos últimos acontecimentos políticos da cidade.

Além da leitura de jornais,  nas redes sociais pude constatar, também, o furdunço  em torno da depredação de alguns cartazes políticos de alguns candidatos proporcionais que integram a coligação do majoritário Helder Barbalho,  imediatamente associada a suposta participação do deputado Tião Miranda (PTB).

Ações comumente atribuídas a militantes desgovernados, passaram a ser creditadas a um candidato a deputado estadual, que, coincidentemente, lidera todas as pesquisas feitas no município com algo em torno de 40% da tendência do eleitorado.

A militância de Tião Miranda, ao longo dos anos,  tenta me estigmatizar como pessoa que faz oposição a ele no blog.

Falso juízo de valor, se cada um pesquisar aqui mesmo neste sítio as notas positivas que já foram postadas, citando o nome do deputado.

Como também, pacientemente pesquisando, lerão posts com críticas a atuação do parlamentar.

Sempre disse ter alguns senões a forma às vezes isolada com que Tião toma decisões, muito centralizador.

Mas, não se tem registro de que o ex-prefeito de Marabá tenha perfil perseguidor ou de usar golpes baixos para criar situação política favorável.

O tipo de vandalismo detectado em alguns pontos da cidade, vitimizando propaganda de candidatos, é recorrente.

Há cerca de 30 dias atrás, eu cheguei a constatar alguns cavaletes e cartazes de Tião Miranda sodomizados,  em alguns pontos da cidade, com a colocação de cartazes de outros candidatos –   sobre as fotos do deputado do PTB.

Certamente, a postura incivilizada de alguns cabos eleitorais desgovernados cria essas situações.

E quem assim procede, para qualquer lado, atua como elemento desconectado dos costumes republicanos, manchando uma campanha eleitoral que segue tranquila, apenas aguardando a hora do eleitor ir às urnas.

Eu sempre digo  que quem lidera pesquisas, não tem porque baixar a qualidade do debate, principalmente numa disputa majoritária.

Na eleição proporcional, a pichação de cartazes,  ou sua destruição, surge do rompante da militância   – maioria das vezes sem conhecimento do candidato.

E quando fatos da natureza abordada ocorrem, o correto são os candidatos atingidos pelo vandalismo colocar a case em ordem, determinando a calmaria entre seus comandados.

Na eleição para prefeito de 1996, militantes dos candidatos Geraldo Veloso e Elza Miranda (adversários diretos da disputa) armaram o maior quiprocó no trevo da rodovia Transamazônica, que liga Cidade Nova e Velha Marabá, tendo como saldo negativo duas pessoas feridas por agressões à pau.

Poucas horas depois de ocorrido o incidente, Geraldo Veloso e Tião Miranda – candidatos a prefeito e vice – reuniram cabos eleitorais, pedindo a todos que não alimentassem baixarias.

A pronta intervenção dos comandantes  da campanha  contribuiu para que, a partir dali, o pleito transcorresse de forma tranquila.

Certamente, se tivessem se omitido, ou mandado seguir o mandamento do “chumbo trocado não dói”, a campanha teria sido sangrenta.

Atiçar fogo com fogo, não é atitude das mais sábias num processo eleitoral, principalmente considerando a disputa proporcional, que exige bem mais do que a concentração de votos num único município.

Está ficando cada vez mais  para trás, os “recursos” dos escândalos eleitorais.

O eleitor não engole mais esse tipo de “malandragem”.

A última delas – o Brasil bem lembra – foi quando  o programa eleitoral de Zé Serra, na eleição passada para presidente da República, tentou usar um factóide como “bala de prata” (*), ao mostrar na TV  uma pequena bola de papel atingindo a cabeça do candidato tucano numa carreata, como se fosse pedra arremessada pela militância do PT.

No país do futebol, José Serra, candidato a Presidente da República, simulou uma “contusão”.

Uma vergonha!

À noite do dia seguinte, as câmeras do SBT mostraram claramente que Serra fora  “agredido” por uma bolinha de papel!!!

Daquelas que alunos costumam jogar nos professores aos montes.

A cinética (**)  da bolinha mostrava, nas imagens do SBT, que o movimento é lento e a bolinha quica pra cima, numa evidência da sua leveza.

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(*) A expressão bala de prata foi adotada como uma metáfora para designar uma solução simples para um problema complexo com grande eficiência.

(**) Cinética, segundo o Houaiss, é o ramo da física que trata da ação das forças nas mudanças de movimento dos corpos.