No macunaímico mundo malemolente de Jordy

Publicado em 3 de maio de 2012

 

 

O homem público que usa temas como  ética e  decência para  pavimentar a carreira política, tem o dever de exercitar os valores defendidos em sua vida particular. Caso viva  diferentemente do que apregoa  como bandeiras de luta, é falso tudo o que diz.

Pelo país, sabemos, há arautos da moralidade construindo falsas biografias, exatamente por venderem imagem de bons mocinhos sem cuidar da verdadeira personalidade, na vida real.

O caso do áudio postado  no Youtube com suposta voz do deputado federal Arnaldo Jordy, e reproduzida aqui no blog, induzindo uma moça a proceder aborto, é um desses casos em que não cabe justificativas – como já estão se esforçando uns e outros por aí -, condenatórias a publicação do mesmo como agressão à vida privada do parlamentar.

Arnaldo Jordy construiu, ao longo dos anos, imagem de político “íntegro, ético e decente”, só que na vida real, isso não tem sido demonstrado.

Por ocasião do plebiscito pela criação dos Estados de Carajás e Tapajós, caiu no Youtube (também no Youtube, como agora), entrevista de Jordy concedida à televisão de Marabá favorável à criação do Estado de Carajás.

Em Belém, Jordy se dizia contra.

Agora, aparece esse vídeo no qual a suposta voz do parlamentar tenta forçar uma ex-namorada à prática criminosa de aborto, negando-se a assumir o filho.

Se o áudio for comprovadamente originário da boca de Arnaldo, é mais um ato camaleônico dele à serviço da “ética e da decência”.

Não se pode fechar os olhos à lógica de que o homem público tem que ter traços de personalidade iguais, no privado e fora dele.

Não cabe aqui o papo furado de  uso da publicação do áudio porque é ano de eleição e Jordy é competitivo candidato à prefeitura, tampouco o bordão de que ninguém tem o direito de entrar na vida privada de ninguém.

Do momento em que as redes sociais detonam determinadas situações, comprovadamente expostas ao domínio público, temos o dever de repercuti-las, caso o personagem seja homem público e, principalmente, cotado a disputar uma prefeitura, com possibilidade de vitória.

Todo mundo sabe:  não basta César dizer ser  honesto. Precisa ser honesto.

Ética e decência são valores inalienáveis. Quem os usa como slogan de bandeira partidária, tem o dever de provar seu exercício na vida privada.

Ao forçar a barra diante da moça no sentido dela usar o aborto como solução à  gravidez indesejada, supostamente por ele, Jordy  revelou caráter macunaímico: ao distinto público, defende o respeito às  leis, caça pedófilos, exige respeito à  ética e à  decência;  nas alcovas, o jeito malandro, malemolente, artimanhoso, armadilhoso, jogando às favas qualquer tipo de escrúpulo.

Caráter tão verossímil como a dos anti-heróis, marginal à sociedade, cujas estratégias são a trapaça e a representação.

A aventura inseparável da trapaça; o parecer prevalecendo sobre o ser; o disfarce, a mutação.

Se for comprovadamente a voz  de Jordy,  o fato é bem vindo.

Belém não merece ser mais administrada por  políticos de falsos discursos.

E, olha, extraindo raras exceções, o que tem de candidato camaleômico habilitando-se para tentar segurar a  prefeitura da capital….

Belém não merece mais isso.