No bairro Cabelo Seco, mirante precisa ganhar conceito de espaço cultural

Fui conhecer o Mirante construído no bairro do Cabelo Seco, saudando o encontro dos rios Tocantins e Itacaiúnas.

Como área contemplativa, obra interessante.

Como espaço urbanístico pensado à humanização da cidade, faltam algumas intervenções que poderiam deixar o local integrado a um paisagismo natural, e dedicado a reabilitar território urbano.

O concreto predomina.

Pequenas ilhas verdes aparecem com grama e plantio de árvores.

Observei moradores do Cabelo Seco carregando cadeiras de suas casas para sentarem-se próximo ao encontro dos rios. Fiquei maravilhado com a imagem.

Cenário genuinamente de quem mora no Cabelo Seco.

Essa a proposta: obra para quem dela precisa e quer vive-la intensamente.

Como não sei se o projeto do mirante já foi concluído, ou se ainda receberá outros equipamentos, ficarei no aguardo para novas considerações.

Mas imagino que na extensão da intervenção urbana, logo, logo-, barracas de pequenos vendedores, mesas soltas ao longo do estirão de concreto marcarão o dia a dia das pessoas, caracterizando o ambiente como imenso bar público – o que seria lastimável.

O mirante precisa ser disponibilizado pelo poder público assentado em três eixos de atuação: “Mais Vida”, “Mais História”, “Mais Cultura”.

Ali nasceu Marabá, e ali vive a população economicamente menos favorecida do município, população que conta histórias de pais pra filhos, e por ai vai.

O mirante não pode ser a extensão da orla, como intervenção urbana.

Em toda a extensão da orla, misturam-se tipos de atividade voltadas à venda de alimentos e bebidas. Objetivo característico de toda beira-rio.

O mirante deveria ser um hiato, na trajetória da orla.

Que tal fazer dali um ponto de debates culturais, criar um quiosque para os contadores desenvolverem suas histórias às crianças que ali frequentarem?

Criar um mundo lúdico no frescor dos dois rios se beijando?

As observação que faço, deixa-se claro, não têm o intuito de desqualificar o empreendimento.

Ao contrário.

A importância da obra é de valor indiscutível.

Mas vamos pensar um pouco mais à frente?

(Texto originalmente publicado nas redes sociais do blogueiro)