Hiroshi Bogéa On line

Não sejamos conformistas

 

 

Mafalda, personagem das histórias em quadrinhos que sobrevive há mais de 30 anos, criada pelo argentino Quino, possui uma mistura saborosa de humor com questionamentos sociais.

 

Gosto de ler as tirinhas da Mafalda (queria ter sido igual a ela quando criança e adolescente), porque elas me fazem deter o olhar em situações que normalmente ficaria omissa.

Serei um pouco Mafalda agora, mesmo adulta…

Quero cutucá-los: quantos não ficam omissos diante de atitudes que agridem o próximo? Quantos não fazem “vista grossas” à violência sofrida por uma vizinha que apanha do marido? Quem não se esconde para não presenciar um ato de pedofilia? Por que fechar os olhos para uma “boca de fumo” que existe na sua rua, na sua quadra, no seu bairro?
Posso responder: por medo, por não acreditar que será resguardado, caso se posicione.

Porém, nosso ser grita, brada diante de tanta intolerância. Queremos ver a justiça sendo executada, sonhamos em contribuir com a construção de uma sociedade pacifica, onde nossos filhos, sobrinhos, amiguinhos, alunos, poderão crescer brincando na rua, indo de bicicleta até a escola, pulando na frente de casa em dia de chuva…

Trago uma boa notícia (não é nova, há cerca de dois meses o Hiroshi a deu aqui no blog): existe uma forma de cada um de nós, cidadãos brasileiros, combater o crime, quer organizado, quer o esporádico: pegando o telefone e ligando para o número 3312- 3350, falando de forma segura e anônima com o Disque Denúncia, em Marabá.

Funcionando há dois meses no município, tendo Igor Guedes na coordenação, o órgão custeado pela Vale e Associação Comercial e Industrial de Marabá (ACIM) – até agora tem demonstrado à sociedade ser uma ferramenta eficaz no combate ao crime.

Já catalogou mais de 1.000 denúncias nesse curto período de existência, numa prova do quanto a população de Marabá estava engasgada, precisando ser ouvida, atendida, cuidada.

Em dezembro, a Vila São José recebeu a agradável visita de Igor Guedes, coordenador do Disque Denúncia. Naquele momento, ele reuniu-se com algumas lideranças da comunidade expondo um recado bem claro e simples: denunciem o tráfico de drogas, os abusos às crianças e adolescentes, ou qualquer outro ato violento, liguem!

Deixou claro que só assim poderemos, todos, cobrar dos demais órgãos de segurança um posicionamento, para que a justiça prevaleça.

O dirigente do órgão tem sido muito aberto ao diálogo com as comunidades e associações de moradores, procurando conhecer o cotidiano da cidade, aproximando-se de secretarias e demais entidades responsáveis pela promoção do bem estar da população.

O Disque Denúncia transforma-se, dessa forma, numa entidade defensora dos direitos das pessoas sem voz, oprimidas e sem maiores perspectivas de libertarem-se de jugos opressores. Suas ações têm surtido efeito positivo, muitos criminosos foram presos, o tráfico tem tido baixas consideráveis, assaltos foram evitados.

Agora, sabendo onde encontrar ajuda, não se conforme: ligue, denuncie!

Faça parte da construção de uma sociedade que não se calará diante de injustiças.

Faça parte da turma da Mafalda, incomodando-se com o silêncio das vítimas, não se conformando…

 

(*) – Evilângela Lima é Educadora e Diretora da Escola São José, localizada na Vila São José, distrito de Marabá.

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4 Comentários

  1. Edilene Leal

    18 de janeiro de 2012 - 10:40 - 10:40
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    O que você aborda é muito interessante. Propõe-nos a reflexão quanto à violência existente na cidade de Marabá e que não devemos calar jamais diante desse fato. O disque denúncia realmente estar sendo um grande aliado da sociedade Marabaense no que diz respeito à violência que tanto tem assustado essa população principalmente para quem tem filhos. Uma vez que estes estão em processo de formação de identidade tendo que conviver com vários tipos de violência .
    É preciso que tenhamos coragem para denunciar os vários fatos ocorridos, seja de violência com a criança, mulher, tráfico de drogas qualquer ação que remete violência ao próximo.Precisamos dizer NÃO À VIOLÊNCIA.

  2. Antonio Leite

    18 de janeiro de 2012 - 10:05 - 10:05
    Reply

    Amiga, com as suas proposições podemos perceber o quanto vc, tem o olhar observador para as situações que envolvem as problematicas da nossa sociedade. Isso demostra o quanto precisamos ter conhecimento dos direitos constitucionais para podemos combater esses tipos de violencia para com as pessoas menos favorecidas de oportunidade, de conhecimentos. Sendo assim, nós, enquanto cidadãos conhecedores dos nossos direitos temos o dever de buscar combater essas mazelas que muitos, sem carater ou limites, fazem uso do poder ou da ingemuidade dos outros para aproveitarem-se dessas situações de violência na sociedade.

  3. Evilangela

    15 de janeiro de 2012 - 06:02 - 6:02
    Reply

    Vanessa;
    Isso mesmo: vamos gritar: BASTA! E ensinar nossos alunos a gritarem também.
    Vamos voltar às aulas com esse pensamento.
    Beijão amiga!

  4. Vanessa Santos Pereira.

    14 de janeiro de 2012 - 23:12 - 23:12
    Reply

    Concordo quando vc diz:não sejamos conformistas!Realmente não devemos nos calar diante de tantas injustiças que existem nesse mundo,principalmente NÓS,que somos educadores e como todo cidadão almejamos por uma sociedade melhor e mais justa.Vamos em frente,na busca de mais respeito e dignidade….vamos gritar bem alto BASTA,a qualquer tipo de violência fisica ou moral.Para essa luta,conte comigo!
    Um grande abraço!

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