Na sala de aula, Marluce usa a contação para gerar jovens leitores

Publicado em 19 de junho de 2015

Atendimento especial para alunos com deficit de aprendizagem. Lendo gibis.
Atendimento especial para alunos com deficit de aprendizagem. Lendo gibis.

Durante todo ano de 2014, os bairros de Marabá eram coloridos com a presença do programa “Marabá Leitora”, sessões de leituras  encenadas pelas educadoras Marluce Caetano e Cláudia Borges, usando a contação como instrumento de propagação da cultura e do estímulo à leitura.

 

(  Aqui  e  Aqui )

 

De tanto apelo cultural,  “Marabá Leitora” extrapolou os limites de Marabá, apresentado-se em municípios vizinhos.

 

O talento das meninas chamava por voos mais longos.

Nem bem tardou, Marluce e Claudinha  são chamadas para fazer contação em Belo Horizonte.

Na quinta-feira, ao receber telefonema de amiga agente cultural que trabalha em Belém, perguntando se eu conhecia integrantes do grupo “Marabá Leitora” (ela queria saber da possibilidade de levar as meninas para uma contação na capital),m foi que dei conta do silêncio delas.

Fui saber o que estava ocorrendo, e, na biblioteca Orlando Lobo, onde ambas  concentravam suas atividades, veio a triste informação:

– “As duas foram chamadas para voltar à  sala de aula”, informou servidora da BOL, adiantando o endereço da escola onde eu poderia encontrar  Marluce.

– “A Claudinha (Cláudia Borges) foi embora pro Ceará, com toda a família”, encerrou a informante.

Teimoso, me desloquei até o bairro Jardim União, mais precisamente à Escola de Ensino Fundamental Cristo Rei.

Próximo à uma janela semi aberta, observei Marluce lendo um gibi para alunos com deficit de aprendizagem.

Ela ria, encenava, diante do olhar de cada criança irradiando felicidade.

Só depois de alguns minutos, bati à porta e encontrei uma educadora plenamente cumpridora de seu papel, sorriso aberto e a alegria de me reencontrar.

Quando foi deslocada para ficar numa sala de aula, Marluce encontrou  nos alunos do Cristo Rei o desafio diário de transformar a escola num paiol de atividades lúdicas.

Ela fez do limão, “deliciosa limonada”, como diz.

 

– Estou simplesmente maravilhada, confessa, diante da inauguração da Sala de Leitura que ela idealizou com demais servidores da escola.

A Cristo Rei  ainda funciona em prédio improvisado, num bairro quer não tem saneamento, e sofre com as carências comuns aos pontos mais distantes da área urbana central.

A sala a ser inaugurada dia 24 de de junho leva o nome de  Maria Gabriela Ferreira Gomes (convite abaixo).

Convite escola

– O nome foi escolhido democraticamente, através de eleição  na  comunidade escolar, para homenagear aluna falecida em feveiro deste ano, diz Marluce.

Para estimular a leitura escolar, a educadora  iniciou atividades levando alunos para percorrerem ruas do bairro, deparando-se com o lixo  que tanto atormentava moradores.

Hoje, a comunidade escolar desenvolve o projeto  “Leitura: aprendendo com higiene e saúde”.

– Lançamos mão do que  fazer para melhorar o dia a dia…”

Marluce e Claudinha foram convidadas para retornar à sala de aula, acabando com um projeto que tanto encantava não apenas uma escola, mas diversas, dezenas, até jovens de outras cidades.

Uma partiu pro Ceará; a outra continua na luta (foto abaixo), revelando felicidade no trabalho que realiza numa escola de jovens de base carente.

Leitura Marluce

Como eu as conheço de muito tempo, e fazia esforços para registrar toda apresentação do “Marabá Leitora” aqui no blog, tenho absoluta convicção que no fundo apenas uma escola não lhes batam.

Marluce e Claudinha sonhavam em alastrar os bairros com suas contações.

Elas não nasceram para ficar no limite de suas ruas.

A esquina, as praças, as vias públicas – são o palco de sonhos de quem vive o inconformismo e a ansiedade para fazer algo bem mais do que os limites de uma escola.

A burocracia e a busca pela gestão financeira de uma cidade não podem estar acima da ludicidade.

Brincadeiras, contação,  fazem parte do patrimônio cultural, traduzindo valores, costumes, forma de pensamentos e gerando aprendizagem.

Espalhar leituras pelos quatro cantos do município  fornecem à criança a possibilidade de ser um sujeito ativo, construtor do seu próprio conhecimento, tornando-o autônomo progressivamente diante dos estímulos de seu ambiente.

As esquinas pedem Marluce e Claudinha.

Leitura 4

Leiura 3

Fotos feitas por mim, de Marluce na Escola Cristo Rei.