Morreu ou não morreu?

Publicado em 5 de março de 2010

Não sei se li, e não entendi. Ou o texto está mesmo confuso e a matéria, depois de editada, é uma daquelas à perfeição para desinformar.

Ou tudo misturado virou o samba-do-crioulo doido.

O barato está na edição desta quinta-feira, 4, do jornal Opinião, de Marabá.

Manchete do Caderno 2 do jornal: “Bebê indígena morre de gripe suína”.

No texto de sete parágrafos, dá pra ler com muita visibilidade a desinformação completa.

E barrigada.

Tudo ao mesmo tempo!

Começa assim:

“Técnicos da Funasa com o apoio coordenador técnico da Funai na aldeia Trocará, Bruno Henrique, já estão na reserva de Tucuruí, onde foi confirmada a primeira morte por Gripe Suína. Eles tentam traçar um diagnóstico da situação na aldeia onde outros seis índios estariam com a suspeita da Gripe A-HIN1″.

No final do terceiro parágrafo, ratificação da morte do bebê:

(…) “A vítima é um bebê de seis meses”.

No quarto parágrafo, como num truque de iluminismo, a criança já não está morta.

“A ernia asuriní mora na aldeia Trocará, que fica no município de Tucuruí. A Funasa informou que uma equipe intensificará a vigilância na aldeia e que a vacinação de bloqueio do vírus deve começar no dia 15 de março. O bebê foi levado para um hospital de Belém”.

No quinto parágrafo, o redator do texto, Edmar Brito, reforça a situação da criança “vivinha da silva”:

“De acordo com as informações dos médicos do hospital e da equipe de saúde indígena da Funasa, a criança foi medicada e deve ficar em observação por tempo indeterminado”.

Os leitores do Opinião, coitados, devem estar até agora confusos, sem saber se o bebê indígena morreu ou não de gripe suína.

Nota do Blog: as frases negritadas são nossas.