Hiroshi Bogéa On line

Molhando a terra

São 13h30.

Começa a chover forte aqui em Marabá, molhando o sisudo e silencioso inicio de tarde desta quinta-feira um pouco melancólica.

Chove de chuva a água molhando o quintal aqui de casa, sem trovões nem relâmpagos.

A alcova do céu anuviado nem repara folhas e altas galhas da mangueira que dá manga-rosa duas vezes ao ano.

O quintal de casa preserva o verde.

Há manga-rosa, limão, carambola e outras frutas, do tempo em que Sonia morava por aqui e semeava a natureza.

A chuva continua caindo forte, chamando o poster a competir com ela esse momento sublime de jorro de águas e palavras no monitor.

Há muitas redes guardadas no imenso baú posto num quarto de casa. Bate agora vontade de atar uma delas, e embalar, ouvindo o som da chuva chovendo água de inverno trôpego.

Mas o blogger resiste.

                – Isto é hora de se atar rede?!, denuncia o consciente.

Aqui dentro de casa, enquanto a chuva banha o ainda silencioso asfalto desta metrópole sobressaltada de esperança por um dia sem violência, ao longe, se ouve um bem-te-vi saudando o espetáculo de águas, diante desse divino cenário de gorjeios naturais.

Na garagem de casa, olhando pela janela do quarto, xaxins guarnecem samambaias beijando os fortes pingos antes tímidos que se avolumam em gargarejos da tormenta que por aqui desaba.

Chuva que não cessa, persistente, apressadamente inundando ruas e becos.

De repente, achando-se matreiro rosnar de poeta, o poster se imagina pássaro entre as nuvens carregadas.

Tiraram a tampa do céu…

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6 Comentários

  1. Anonymous

    13 de fevereiro de 2010 - 13:53 - 13:53
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    Que venha chuva , que chova poesia,mas que não venha enchente, que estraga a harmonia,Gostei do poster. Adoro poesia. Até fiz uma.

    A chuva dos Bloger´s
    Saudades da minha terra, do cheiro de capim,
    Se tudo está bom prá vocês, Tá ótimo prá mim,
    Só não se pode esquecer,as flores no jardim,
    Se cai água em demasia, sai o brilho de jasmim,
    Se falta água na bica,quem vai molhar o jardim,
    Gosto muito deste bloger, do Quaradouro também,
    Por aqui deixo um abraço daquele que só lhes quer bem.
    (Anônimo que ás vezes irrita vcs dois.)
    Amo vcs. de Coração.

  2. Hiroshi Bogéa

    13 de fevereiro de 2010 - 02:03 - 2:03
    Reply

    18:05, sim, que venham chuvas, muitas chuvas, molhando o chão da terra nossa de todo dia. Abs

  3. Anonymous

    12 de fevereiro de 2010 - 21:05 - 21:05
    Reply

    Pôxa, gostei desse texto…nossa terrinha é tão quente q ao lê-lo senti o cheiro e o barulho da tão esperada chuvinha.

    Vc conseguiu mexer com os meus sentidos com tanta sinestesia no texto.

    que venham mais chuvas.

  4. Anonymous

    11 de fevereiro de 2010 - 18:35 - 18:35
    Reply

    Antigamente havia um sentimento de vizinhança ,onde os vizinhos eram mais amigos e se preocupavam mais em confraternizar de vez em quando também não tinhamos internet e nem tanta correria quanto hoje.São os dias atuais.

    Goreth

  5. Hiroshi Bogéa

    11 de fevereiro de 2010 - 17:51 - 17:51
    Reply

    Meu garoto, bom demais tê-lo assim, expondo toda a alma que eu conheço de tantos carnavais. Só você mesmo para fazer estufar o peito da gente de saudades. E a gente nem se vê, pertinho um do outro!

  6. Quaradouro

    11 de fevereiro de 2010 - 17:46 - 17:46
    Reply

    Caro:
    Conheço essse quintal e suas mangas. Debaixo delas comi costela de porco na brasa com cerveja e não me isentei de encarar manga verde com sal, que com pinga é um estouro!
    Também tenho uma área assim. Um dia, o inesquecível craque Iveny, irmão de Yule Climério passou na porta de casa e de dentro do caminhão olhou pra casa e disse, gozador:
    – Tô vendo aí carambola, pezinho de limão caipira, manga bacuri… Só tira-gosto de pinga!…
    E eu:
    – Tem também um pé de boldo, fresco, pra ajeitar o figueiredo!

    Bom, quero dizer que aí tinha também aquele negócio que se come no fim de ano e joga a semente por cima do ombro e que serve também pra gripe braba – româ, parece, não recordo o nome. E tinha umas crianças que agora são adultas e nunca mais eu vi, mas me alembro, enquanto vou ficando pra trás nessa corrida em que nossos filhos ganham a dianteira e nos esquecem logo ali adiante.
    Saudades de você, baixim…

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