Meg Barros reage às baixarias do Psol

Publicado em 5 de outubro de 2013

 

Sofrendo pesada campanha difamatória de setores do Psol insatisfeitos com a sua saída do partido, para ingressar no PROS, a vereadora de Belém Meg Barros acaba de publicar em seu blog manifesto explicando as razões de seu desligamento da legenda e enumerando a baixaria impetrada contra ela por fundamentalistas psolistas:

Leiam:

 

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Porque eu saí do Psol?

 
Sou advogada, com OAB, formada há mais de 10 anos pela Universidade da Amazônia. Entrei pra faculdade de Comunicação Social/Jornalismo por amor ao ofício. Já passei por duas pós-graduações: Direito Administrativo Lato Senso e Jornalismo Cidadania e Políticas Públicas, a qual ainda estou cursando. 
 
Não quero me colocar em posição de destaque, de forma alguma, porém não posso deixar de citar este breve histórico sobre a minha vida acadêmica, da qual tanto me orgulho, motivada pelo desejo de sempre ser uma pessoa melhor, para poder contribuir sempre de forma um pouco mais qualificada na sociedade em que vivo.
 
Entrei para a política porque acredito no meu potencial, porque sou credenciada pelas minhas referências acadêmicas, pela minha família, pelos meus amigos, por todos aqueles que acompanham o meu trabalho publicamente há mais de 05 anos e por todo o acúmulo que conquistei na lida com comunidades carentes.
 
Sempre simpatizei com os partidos de esquerda. Era o discurso deles que falava ao meu coração.
Vivi a primeira eleição de Lula com a glória da vitória do operário que chegou à Presidencia da república, fui tomada por uma emoção juvenil que hoje virou lembrança de um passado povoado de sonhos.
 
Ingressei no Psol por afeição à esquerda e aos seus líderes políticos, por simpatia aos princípios e por concordância aos valores éticos do partido. Acredito que o partido é uma excelente referência num País eivado de barbaridades e ilicitudes em se tratando de crimes contra o patrimônio público. 
 
Só eu acreditei que seria aceita com unanimidade no Psol. Desde o dia um do meu ingresso na legenda fui vista como “intrusa”, discriminada pela minha cor, pela minha aparência e pelo meu posicionamento nada radical. Basta clicar na imagem abaixo para comprovar.

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Na tarde do dia 04 de outubro, redigi uma Carta Aberta ao Psol livre de qualquer mágoa ou ressentimento, na qual comuniquei aos militantes da legenda minha desfiliação. A tendência da qual eu fazia parte, APS – Ação Popular Socialista – liderada pelo Deputado Estadual Edmilson Rodrigues, como sempre, agiu de forma serena, madura e com a lucidez dos grandes líderes, e aceitou pacificamente minha decisão. Mas as alas radicais reproduziram os discursos que as apequenam ao longo de gerações. A imagem abaixo reproduz mais um exemplo da hostilidade das tendências radicais psolistas.

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Não sei porque algumas tendências internas dos partidos de esquerda usam um crivo ideológico pautado em esteriótipos nos quais eu não em encaixo. Eles se dizem um partido democrático, plural, de massas, em defesa das minorias, etc., mas não aceitam conviver com diferentes. Clique nas com postagens abaixo, feitas por alguns dirigentes do Psol, que comprovam o tratamento com o qual sempre fui recebida dentro do partido.

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A verdade é que nunca fui aceita no Psol por algumas tendências, mesmo antes de qualquer possibilidade de eu ingressar no parlamento com a minha vitória nas urnas em 2012. Essas postagens por si só respondem à pergunta que eu fiz no título deste artigo. Basta clicar nas imagens para ampliar.

 

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Se o Sr. Francisco Almeida, que é vereador eleito pelo Psol, tece este tipo de comentário na imagem abaixo, imagine os demais? Mas não há de ser nada… É uma pena eles esquecerem que estes registros são públicos e facilmente questionados judicialmente posto que são fatos tipificados como crime contra a honra e  já vem com provas de autoria e culpabilidade embutidos.

 

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Nem todos, não posso generalizar, mas uma parte considerável do partido não aceita diálogo com pessoas de pensamentos divergentes. Na postagem anterior que fiz aqui no Blog, com o título “A Falsa Lógica do Parlamento” desenvolvo bem o duelo travado pela intolerância política entre direita e esquerda. Não canso de lamentar toda essa intolerância, pois sei que eu somaria muito mais ao partido.

Meu pensamento político é singular. Apesar do formato institucional que obriga a filiação partidária e o ingresso em partidos políticos para disputar cargos eletivos, eu sou desacreditada neste formato.
 
Compreendo perfeitamente o movimento que tomos as ruas do Brasil em junho pois eles também estão desacreditados. Nenhum partido consegue escutar e refletir a sociedade brasileira. Somos de uma geração livre que não aceita repetir um discurso preparado e se adequar a um perfil ideológico para ser “aceito”numa agremiação partidária. Vivemos um ativismo autoral em que várias pessoas diferentes defendem diferentes causas para mudar e melhorar o País, sem no entanto ter vínculo ideológicos taxativos.
 
No passado, acreditava-se que partidos políticos eram grupos de pessoas que representavam um pensamento. Mas quando nos deparamos com a quantidade de partidos repartidos em correntes internas que se degladiam camuflados em tendências – quando na verdade são projetos políticos que refletem interesses pessoais – vemos que não há nada de novo nesses partidos, e sim, a repetição das velhas práticas, porém com nova roupagem ideológica.
 
Política é missão, não importa o partido. Tem que ser algo que nos envolva por amor às causas, com equilíbrio, inteligência e resistência, pois não é fácil conviver num ambiente sempre minado de armadilhas e de interesses hostis.
 
Hoje o que o País precisa é da chamada ética de urgência, na qual o pensamento político arcaico seja rechaçado, e no lugar dele, pessoas objetivamente pautadas na defesa do interesse público se coloquem à serviço da gestão de  nossas cidades e do nosso povo. 
 
Chega da hipocrisia política, a sociedade brasileira não suporta mais isso.
 
Escolhi um partido político novo, o Pros, porque vou continuar lutando para ocupar espaços na vida pública, e para isso tenho que me enquadrar no Sistema Jurídico Eleitoral. Contudo, reforço que acredito ser necessária a construção de um novo modelo político que promova uma reforma política avançada, pautada na eficiência dos resultados da boa administração púbica, caso contrário, vamos sucumbir à nossa própria ganância auto-destrutiva.
 
A crítica isola o ofensor e fere inocentes. Ninguém gosta de ser ferido. Mas devolvo as ofensas com meu próprio exemplo de serenidade, pois acredito que jamais estarei desamparada, pois tenho crédito com quem de longe comanda tudo isso. Não permitirei que a mágoa me perturbe, pois escuto a voz silenciosa de Deus. A verdade sempre prevalece sobre todas as vaidades. Minha força vem da minha inabalável fé num futuro melhor. É importante lembrar, colhemos inevitavelmente, tudo o que semeamos.
 
Encerro este artigo com um pequenino trecho da oração de São Francisco de Assis que resume tudo o que penso sobre a vida e sobre a política: “Onde houver ódio, que eu leve o amor. Onde houver ofensa, que eu leve o perdão”.
 
Meg Barros