Hiroshi Bogéa On line

“Marcha Mundial da Mulheres” publica nota sobre “Caso Jordy”

 

 

Nota da Marcha Mundial das Mulheres sobre o aborto e o “Caso Jordy”, enviada  ao blog, com pedido de publicação:

 

 

A Marcha Mundial das Mulheres – Pará, vem tornar público seu posicionamento a respeito do “Caso Jordy”. Nossa prioridade não é discutir o conteúdo do áudio, mas os argumentos conservadores adotados por diversas pessoas com o objetivo de defender o deputado e criminalizar a mulher.

Em preliminar, gostaríamos de negritar que não aplaudimos a divulgação de conversas privadas na internet ou em qualquer outro meio, haja vista a exposição das pessoas envolvidas. Nossa preocupação se direciona principalmente à grávida, que não é uma pessoa pública, mas merece de todos a mesma consideração devotada ao deputado quanto à sua privacidade.

Não concordar com a exposição de um caso pessoal, não quer dizer que concordamos que o aborto é um assunto privado. Pelo contrário, afirmamos que o aborto é assunto público, assim como a violência contra as mulheres e a pedofilia. O feminismo sempre disse que “em briga de marido e mulher”, a sociedade e o Estado devem sim “meter a colher”.

Defendemos a legalização do aborto por entender que cabe às mulheres, no exercício da autonomia sobre seus corpos e suas vidas, tomar a decisão se querem ou não interromper a gravidez não planejada, sem pressão do parceiro, da família ou da Igreja, mas, sobretudo, sem a ameaça de ir presa por isso.

Na prática, muitas mulheres já decidem e abortam, muito mais do que as pessoas querem admitir, pois quando se trata de uma filha, parente, amiga, namorada, amante ou esposa percebemos que o nível de tolerância e solidariedade com esta realidade é bem maior do que quando se trata de debater mudanças na legislação que permitam a interrupção até as primeiras 12 semanas de gestação, o que, registre-se, é permitido na maior parte do mundo.

A verdade é que este debate está contaminado pela hipocrisia e pelo machismo. Hipocrisia porque a maioria da sociedade nega às mulheres este importante direito sexual e reprodutivo (opinião pública conservadora) mas, no privado, entre quatro paredes, numa conversa telefônica ou num confessionário, não faltam justificativas para achar que os casos das suas “conhecidas” eram diferentes (opinião privada liberal), ou seja, vistos como casos excepcionais, quando constituem a regra. Machismo porque os que ditam as regras são os homens: maioria no parlamento, entre os juízes e os líderes religiosos, e o fazem sabendo que a conseqüência é a morte de milhares de mulheres todos os anos.

No Brasil, estima-se que mais de 1 milhão de abortos ocorram anualmente, só que de maneira completamente insegura, com métodos caseiros ou em clinicas de aborto, estas últimas um privilégio daquelas que podem pagar ou ainda que o próprio parceiro ou família viabiliza o pagamento. Portanto, o aborto é um caso de saúde pública também, já que as mulheres pobres, sobretudo as negras, são as que recorrem a métodos de abortamentos inseguros.

No caso em debate nas redes sociais, percebemos um linchamento público da mulher que lutou pelo direito de prosseguir com sua gravidez. A mulher que não admitiu ser pressionada se torna, na voz dos defensores do deputado, uma pessoa malvada e mal intencionada, interesseira e premeditada. Para nós, feministas, esta postura não surpreende, mas merece o justo combate. Assim como não aceitamos a expressão “mulher de malandro”, não aceitamos ser culpadas pelos estupros que sofremos, não aceitamos o abuso sexual de menores como algo normal, não calaremos diante do machismo que justifica qualquer atitude masculina e culpabiliza as mulheres.

Temos direito de sermos mães, se quisermos. Direito de andar na rua à noite e de nos vestirmos como quisermos, sem ter todo esse moralismo descarregado sobre nós.

Em defesa dos direitos da mulheres, seguiremos em marcha até que todas sejam livres!

Belém, 09 de maio de 2012.

Marcha Mundial das Mulheres – Pará

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1 Comentário

  1. Mestre Chico Barão

    10 de maio de 2012 - 05:56 - 5:56
    Reply

    Dando ou Dano o Objeto

    Ta bom pelo que esta colocado “assim como a violência contra as mulheres e a pedofilia” só dois temas onde o Jordy é notado um prejudicial e outro favorável não quiseram equilibrar sua balança de índole.

    São por essas atitudes de desvio de função que associações, ONGs , marchas, sindicatos , passeatas e afins perdem credibilidade pois mostram que sua iniciativa não se destina ao melhor para comunidade e sim o melhor para defender individualidade!

    Uma construção não se resume ao alicerce (base) e ao telhado (objetivo) existe entre eles a parede de finalidades específicas (segurança e sustentação)

    O alicerce sendo a marcha das mulheres e o telhado o direito de abortar onde esta a parede que dará sustentação e segurança no que foi exposto, afinal se foi uma conversa postada na rede, a marcha das mulheres (quem assinou) deveria condenar ou absorver e não tentar amenizar o ocorrido de maneira tão explicita!

    Para aproveitar o tema com coerência e trazer ao debate de forma isenta seria ao menos razoável colocarem:

    “ Não por é por motivos como os que o Jordy colocou forçando a barra com alegações pessoais que queremos legalizar o aborto e sim para correção do que não era previsto e nem seria um fator benéfico se concluída a trajetória do que não era esperado! “

    Palavras finais da nota:

    Em defesa dos direitos da mulheres, seguiremos em marcha até que todas sejam livres!

    Notem como o escrito é individual no “da” e não “das” querendo dar noção de coletivo no “mulheres” e não” mulher” !

    “até que todas sejam livres” : atenção cartórios plantão permanente para separações divórcios ,desquites etc, atenção diretores de presídios femininos e carceragens previsão de fugas em massas, atenção todos os paparazzi previsão de mulheres fazendo striptease para ficarem livre das roupas etc, etc!

    Essas palavras acima se destinam não em denegrir o direito ao aborto ou a marcha em si , mas ao seu uso indevido que foge ao objetivo com conseqüências danosas ao objeto.

    MCB

    OBS: Uma curiosidade:

    Se fumar maconha é crime assim como fazer aborto porque que se eu fizer apologia a maconha dizendo que cada tem o direito de fumar ou não porque cada um tem o direito sobre seu corpo vou em cana, porem se fizer o mesmo em relação ao aborto nada acontece?

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