Hiroshi Bogéa On line

“Marcha de Indignação” mobiliza Piquiá

 

 

Cerca de dois mil moradores do bairro Piquiá, em Açailândia (MA), estão neste momento (11 horas) protestando em frente aos prédios da a Prefeitura e do Fórum da cidade. Elas representam 350 famílias do Piquiá rebeladas à decisão do Tribunal de Justiça do Maranhão que suspendeu, provisoriamente, a desapropriação do terreno escolhido para abrigar as famílias, alegando ter na área 50 cabeças de gado.

“Não agüentamos mais ver nossos moradores adoecendo e morrendo, precisamos urgentemente que o Tribunal de Justiça resolva nosso caso e nos dê direito de uma moradia digna”, explica, pelo telefone, Willian Pereira de Melo, residente há 30 anos no local.

A história do Piquiá de Baixo, localizado as margens da BR 222 – Km 14,5, surgido em 1970 começou a mudar a partir da implantação do Grande Projeto Carajás, década de 1980, e, mais ainda, depois da construção do pólo siderúrgico, instalado de um lado; e a Estrada de Ferro de Carajás do outro. Desde então, cerca de 350 famílias lutam por uma moradia digna.

Pesquisas realizadas em 55% dos domicílios do Piquiá, pelo Centro de Referências em Doenças Infecciosas e Parasitárias da Universidade Federal do Maranhão, e do Núcleo de Estudos em Medicina Tropical da Pré-Amazônia, revelam que 41,1% da população queixam se de doenças nos pulmões e na pele.

Manifestações ligadas ao aparelho respiratório (tosse, falta de ar e chiado no peito) foram queixas encontradas em todas as faixas etárias, inclusive com boa intensidade em menores de 9 anos de idade.
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A cefaléia (dor de cabeça constante) foi encontrada em 61,2% dos pacientes, além da incidência de alergia, acometendo as vias aéreas superiores e olhos (coriza e lacrimejamento) foram encontradas em 61,2% dos pacientes.

 

Os pesquisadores creditam essas doenças a alta poluição causadas pelas cinco siderúrgicas com fumaça e dejetos depositados no solo e na água da comunidade.

Enviadas por e-mail, reivindicações apresentadas hoje às autoridades de Açailândia:

 

– Depois de anos de luta, nossa nova terra e nosso futuro estão nas mãos de três juízes de São Luís. Um julgamento está por acontecer e decidirá se a terra fica para 50 vacas, cujos donos têm muitas outras terras, ou se fica para nós, que somos mais de 1.100 pessoas e não temos opção.

– Há 07 anos nossos 21 processos de indenização aguardam julgamento do Poder Judiciário! Por que os pobres têm sempre que esperar tanto?

– O Governo do Estado prometeu muito, enviou secretários de estado e até o vice-governador a nos visitar… Mas até hoje não se comprometeu formalmente a desembolsar nem 1 real sequer para nossas casas!!

– A Prefeitura só desapropriou (finalmente!) um terreno para nós porque foi obrigada. Mas na hora de defender na justiça suas próprias atitudes, fica calada e ainda atrapalha o processo. De que lado está a Prefeitura?

– Há laudos e estudos internacionais que denunciam a gravíssima situação da saúde no Piquiá de Baixo. Mas a Prefeitura fechou o posto de saúde de nosso bairro há mais de um ano e nos fornece água somente poucas horas ao dia. Mais uma mulher morreu há pouco tempo de câncer no pulmão, e ninguém se preocupa com nossa saúde!

– As siderúrgicas continuam poluindo nosso ar, nossa água e solo. O barulho não nos deixa dormir. Nossos processos se bloqueiam pela burocracia e os recursos. Mas nem o Ministério Público nem os órgãos ambientais nunca mandaram parar um forno por respeito à nossa vida!

– A mineradora Vale fica observando tudo isso e se acha limpa. Mas foi ela que trouxe essas siderúrgicas pra cá e é ela que as alimenta de ferro e escoa sua produção. Se ela tivesse realmente interessada em uma solução, já teria exigido isso das siderúrgicas. Mas não: ela quer duplicar, construir um novo Carajás, passando por aqui. E nós nem aguentamos o primeiro!

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1 Comentário

  1. Karla Maués

    8 de dezembro de 2011 - 11:19 - 11:19
    Reply

    Todo progresso tem um preço !
    Insuportável, na maioria das vezes.
    Ontem assisti no jornal que uma cidade no novo Estado do Mato Grosso, (que deveria ser um exemplo de desenvolvimento) está pagando um preço altissimo pelo “sucesso do agronegócio” de soja e o uso de produtos quimicos. Coceira, feridas, dor no estômago, vômitos, falta de ar em adultos e crianças. Solo e ar … está tudo contaminado pelos proximos séculos!! Emprego que é bom nada, porque tudo está mecanizado.
    Mas ao governo importa sao as divisas. Pra quem valeu a pena dividir?
    Chegará nossa vez, fiquem certos disso! Porque tanto interesse em pavimentar a BR 163? Acreditam que é só para o bem do nosso povo? Para escoar nossas produções familiares para as Guianas?
    E Belo MOnte? Justifica-se sua construção só para garantir energia pra todo o BRasil? E o que vamos perder NÃo conta?Mas sejamos otimistas, nada de pensamento negativo. Alguem ha de ganhar com isso. Quem será?
    Vamos pagar pra ver.
    Ontem, um jovem Senador do Amapá, durante uma discussão sobre o Código Florestal, denunciou movimentação parlamentar na Câmara Federal, prevendo a liberação total de reservas indigenas, de kilombos e as zonas de proteção ja demarcadas, para fins agricolas. Oh futuro pai d´égua!
    Este povo do Piquiá, ja pensou em reclamar com o Senador Sarney?
    Olha que tem terra a bessa no Maranhão bem longe dessas monstruosas, mas necessária mineradoras. Eu acho que é mais seguro debandar do que ficar la, porque os agentes poluidores ja se entranharam em tudo.
    O poder econômico é devastador e consegue “tratorar” ( como dizem os petistas) nossa dignidade e nossa esperança.
    Boa sorte em sua luta e fiquem em paz!

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