Marabá: novo governo, velhos hábitos
Máquina espalhando piçarra e escória, na área verde da Folha 17, hoje à tarde
Máquina espalhando piçarra e escória, na área verde da Folha 17, hoje à tarde. Observem, o container de lixo já está no local.

Nem bem começou, a gestão do prefeito Tião Miranda dá mostra de que velhos hábitos e conhecidos esquemas de locupletação no setor público continuam arraigados e, pior, “florindo” precocemente.

Antigas tentações de gente enfronhada no coração do segundo escalão  de fazer patrimônios à custa de áreas verdes, são reveladas na nova administração,  menos de 15 dias após a posse dos novos governantes.

No início da tarde desta terça-feira, 10, o blogueiro tomou um susto, ao subir a ladeira da Folha 17, e deparar-se com uma máquina enchedeira espalhando piçarra e escória – subproduto da indústria guseira -,    num pedaço de chão que fica na esquina da principal via de acesso do bairro.

O local é ambicionado por muitos especuladores imobiliários, mesmo eles sabendo tratar-se de área verde remanescente.

Por diversas vezes, ao longo dos últimos 20 anos, o terreno foi alvo de processos fraudulentos, dentro da prefeitura de Marabá, gerados a partir de servidores inescrupulosos ávidos por vender o local a preços exorbitantes.

A curta rua, por onde passa um carro, seria incorporada pela área grilada, acabando com o tráfego de mão única de quem sai da escola.
A curta rua, por onde passa um carro, seria incorporada pela área grilada, acabando com o tráfego de mão única de quem sai da escola. A barraca de lona já está colocada em ponto estratégico, pelo domínio da área.

O pequeno terreno, para viabilizar um lote comercial, necessita da junção de um pedaço de rua asfaltada, que serve de saída da rua principal que leva até a Escola Gente Importante.

Sem o pedaço da rua, a grilagem da área verde torna-se comercialmente inviável, razão pela qual nas diversas tentativas de documentação “fria” anteriores, a curta rua foi fechada, estrangulando o tráfego da via que sai do colégio, com a provocação posterior de diversos acidentes.

Em todas as tentativas de grilagem da área, este blogueiro envolveu-se em brigas estressantes, chegando a  acionar o Ministério Público.

O blogueiro, numa tentativa de ajudar a prefeitura a manter o espaço intacto, propôs urbanizar pessoalmente a área, criando um jardim público iluminado.

Os custos da urbanização sairiam dos bolsos do blogueiro e de um amigo que tem terreno ao lado.

A manutenção do mesmo também ficaria sob nossa responsabilidade.

Nesses anos todos, ninguém da prefeitura respondeu às tratativas.

Em 2011, numa das últimas tentativas de grilagem da área verde, o então dirigente da Superintendência de Desenvolvimento Urbano de Marabá, Miguelito Gomes, foi acionado para ver de perto trabalhos de demarcação que estavam sendo feitos no local, para efeito de “documentação”.

Miguelito descobriu quem estava por trás da safadeza e revogou a grilagem.

O próprio Ministério Público entrou em ação, ouvindo depoimento do blogueiro.

Veja tudo o que ocorreu àquela época, lendo esta matéria.

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Pois bem, o flagra desta tarde, no mesmo terreno da prefeitura, tinha duas pessoas à frente, além de operadores de máquina.

Ao ser questionado pelo blogueiro do que se tratava os serviços ali realizados, um dos moços disse que vai colocar um container de lanche.

– “Este local aqui virou ponto de lixo, quero um lugar para vender lanche e sobreviver, e a prefeitura me autorizou ocupar o local”, disse o rapaz, sem revelar, no entanto, quem autorizara, pelo poder público.

Quem, em verdade, nessas horas, revela o autor da obra?

Ora, a rapidez com que o espaço verde está sendo ocupado, numa nova administração pública, levanta suspeitas insuspeitas.

E, para quem apenas busca um lugar para sobreviver, os custos dos serviços de contratação da máquina, aquisição de escória e piçarra, devem ser levados em conta.

Por trás dessa manobra, tem gente de olho na área verde.

Cria-se a situação de ocupação inicial, depois trabalha-se internamente, para “documentar” o imóvel.

O blogueiro  acionará o Ministério Público.

A área verde e a rua que ajuda a dar segurança ao tráfego de veículos que chegam e saem da Escola Gente importante, são da população de Marabá.

A Escola tem mais de 500 alunos, em dois turnos, gerando movimentação fora do comum de veículos , nas horas de rush.

O prefeito Tião Miranda e seu vice, Toni Cunha, certamente não sabem disso, razão maior da crença de que esse tipo de safadeza não deverá progredir em suas gestões.

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