Mãos femininas no manche do jato da Trip

Publicado em 18 de novembro de 2011

 

 

Pontualmente, às 12h10 de quinta-feira, 17, o jato Embraer 190 levantou voo na rota Marabá-Belém.

De cara, deu para perceber a predominância feminina nos procedimentos normais de decolagem de um jato comercial.

Sentado na terceira fila de poltronas, área onde sempre procura se instalar quando viaja, o poster – observador atento de tudo que o cerca -, pressentiu a ausência de marmanjos no quadro de comissariado.

Quatro belas moças espalhavam simpatia e singularidade eficiência no atendimento aos passageiros.

Quando o jato passava ao largo de Tucuruí, o comando da aeronave soltou uma daquelas comunicações de praxe priorizando a situação meteorológica do aeroporto  destino, temperatura ambiente e desejando uma boa viagem a todos.

Tudo seria “normal” se o comunicado de comando tivesse partido de uma voz masculino.

 

– “Aqui fala a comandante Betânia (…), que deseja a todos, ao lado da coopiloto, uma boa viagem”.

 

O jato da Trip com 90 passageiros estava sob a responsabilidade de seis belas mulheres.

O poster não se conteve.

Com o jato da Embraer em solo, após o desembarque de todos os passageiros no Val de Cans, nos dirigimos a chefe de comissárias, pedindo para conversar com a comandante, antecipando, claro, a saudação ao atendimento charmosamente profissional das bonitas meninas.

Apresentado a Betânia (foto abaixo), que está no comando dos jatos da Trip há pouco mais de ano, o pôster pediu para registrar foto de toda a tripulação, depois de um rápido bate-papo com as moçoilas.

 

À tardinha da quinta-feira, o pôster tomou conhecimento de que dobra o número de licenças emitidas pela Anac para pilotos do sexo feminino.

Números da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) mostram o crescimento do número de mulheres procurando o mercado aéreo.

Em 2009, foram expedidas 44 licenças para pilotos do sexo feminino: 35 delas conseguiram licença de piloto privado e outras 8 de comercial.

Apenas uma obteve a habilitação para comandante de uma linha aérea.

O número duplicou em 2010, quando foram expedidas 86 licenças para mulheres: 56 novas de piloto privado, 24 de comercial e 6 de linha aérea, para a qual são necessárias 1.500 horas de voo. Em relação ao ano anterior, a tendência é que 2011 termine com um novo recorde.

No jato da Embraer, as belas meninas da Trip, pequenas, discretas e delicadas, não esquecem do batom e, com unhas caprichosamente pintadas, tocaram suas atividades com a naturalidade de quem trabalha em casa.

Mãos sensíveis e macias, de duas mulheres segurando, com firmeza, o manche de um jato de 60 toneladas.

A comandante Betânia é uma simpática piloto recém-promovida ao posto e com mais de 3 mil horas de voo.

Na tarde de quinta-feira,  o blogger viveu raro momento dentro de um jato comercial cuja totalidade da tripulação era formada por mulheres tomando conta de numa aeronave com capacidade para 110 passageiros.

A pressão do rush da aviação impediu que o poster checasse o nome de todas as garotas, fato imperdoável numa situação dessa natureza.

A primeira mulher no mundo a receber licença para pilotar um avião foi Raymond de Laroche, em 1910. Ela também foi a primeira mulher a fazer um voo solo, em Paris, no mesmo ano. Desde então, mulheres apaixonadas por aviação passaram a ingressar no mercado.

Na Força Aérea Brasileira, a primeira oficial aviadora só se formou em 2006. Hoje, a FAB conta com 22 mulheres no comando de suas aeronaves pelo Brasil, grande parte tem nas mãos aeronaves de grande porte que atuam no transporte de tropas e na busca e salvamento.

Na Gol, a primeira mulher a chegar ao posto de comandante foi Elisa Rossi, em 2007. Em agosto, a companhia promoveu mais duas copilotos ao comando de jatos.

 

Comandante Betânia, copiloto e comissárias: tripulação feminina da Trip

 

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Atualização às 18:43 (18/11)

 

Paulo Uchoa, também passageiro da  ilustre “aeronave feminina” da Trip, comenta:

 

Hiroshi acabei de voar com elas. São as Damas Voadoras. Decolagem e pouso perfeitos. Procedimentos seguros e exatos. Se a terra já era das mulheres, os céus também são delas. Longa vida a ginecocracia. Rsrsr Excelente registro o seu, Hiroshi. Parabéns a Trip e a Você Hiroshi.