Faixa preta de Jiu-Jistu agride violentamente garota de 22 anos que não quis ficar com ele

Publicado em 13 de abril de 2016

Agressor

O  caraíba da foto acima, observem bem, é lutador de Jiu-Jitsu.

Chama-se Airton Carneiro.

Como já vem sendo noticiado enfaticamente nas redes sociais, o brutamontes agrediu uma jovem de 22 anos, num dos bares mais frequentados da capital – o  Restô Bar, localizado na avenida Braz de Aguiar, no bairro de Nazaré, área nobre de Belém.

Abaixo, transcrição de narrtiva do DOL sobre a agressão de Aitron.

 Myriam Ruth, 22 anos, mostra hematomas após denunciar agressão sofrida por homem dentro de bar em área nobre de Belém. (Foto: Reprodução)

Myriam Ruth, 22 anos, mostra hematomas após denunciar agressão sofrida por homem dentro de bar em área nobre de Belém. (Foto: Reprodução)

“Fui vítima de assédio e agredida a socos e pontapés. Estou despedaçada. Despedaçada física e emocionalmente, mas não vou me calar”, relata chorando a jovem Myriam Ruth, 22 anos, estudante do curso de Medicina em uma instituição de ensino particular, que afirma ter sido agredida por um jovem no último domingo (10), durante uma festa no Toca Restô Bar, localizado na avenida Braz de Aguiar, no bairro de Nazaré, área nobre de Belém.

Nas redes sociais, o homem apontado como agressor de Myriam se identifica como originário de Buenos Aires e, atualmente, morador de Belém. Ele ainda divulga fotos ostentando sua faixa preta de Jiu-Jistu e posando com medalhas.

Myriam, que também usava a web para compartilhar seus momentos felizes e rodeados de amigos, agora tem em sua página pessoal uma enxurrada de compartilhamentos solidários a violência que sofreu. A foto do olho coberto por hematomas repete-se na timeline tomando o lugar dos posts antes de alegria.

A jovem relata que a confusão no bar iniciou quando compartilhava uma mesa com mais cinco amigas. O agressor teria se aproximado da mesa junto com um grupo composto por outros homens. Após repetidas atitudes invasivas, iniciou-se a cena que terminaria em espancamento.

“Eu cheguei ao bar por volta das 20h e tinha reservado uma mesa. Próximo de meia noite, ele (o agressor) se aproximou da nossa mesa com os amigos e colocou o balde de bebida sem pedir autorização. Eles foram ficando muito próximos e aquilo estava me incomodando. Chamei um segurança e ele não fez nada. Aí, fui até uma segurança mulher e contei o que estava acontecendo. Ela foi até a mesa e pediu para eles se retirarem, mas logo em seguida voltaram e foram se aproximando cada vez mais”, conta.

Ela detalha que logo em seguida veio a violência. “Ele ficou tão próximo de mim e eu pedi para se afastar. Nisso, ele foi e passou a mão em mim e eu disse para ele não tocar. Foi quando ele me deu um soco e eu caí no chão, chegando bater a cabeça na mesa. Ele continuou as agressões, me dando chutes. Minha amiga tentou impedir e também foi agredida. Ele ainda me ameaçou de morte”.

“A Polícia Militar foi acionada e os policiais simplesmente alegaram não poder fazer nada por não ter sido um flagrante, mesmo com muitas testemunhas presentes, já que o rapaz, com auxílio dos amigos, imediatamente fugiu do local”, relatou.

Mesmo machucada, Myriam buscou auxílio na Delegacia da Mulher, no bairro do Marco, porém julga não ter recebido a atenção adequada.

“A delegada sequer me ouviu e se negou a gerar boletim de ocorrência por não ser um crime de violência doméstica, o que todos sabemos, se considera omissão de socorro. A delegada ainda mandou eu ir para casa e tomar um banho. Onde estão as leis do nosso país que deveriam nos proteger?”.

Na segunda-feira (11), a jovem foi encaminhada para o Hospital da Aeronáutica, onde recebeu atendimento e foi emitido um laudo com todas as lesões. Ela também realizou o exame de Corpo de Delito.

Myriam Ruth conta que apenas nesta terça-feira (12) conseguiu registrar um Boletim de Ocorrência na Seccional da Sacramanta.

“Quantas vezes mais vamos ouvir essas histórias? Podia ser uma mãe, irmã ou conhecida nossa. E dessa vez fui eu! Não terei vergonha de gritar aos quatro cantos, isso tem que parar! É criminoso e não vai sair impune. Eu espero que seja feita justiça. Eu estou fazendo acompanhamento psicológico. Estou com medo de sair de casa. É um sentimento de impotência”.

REPERCUSSÃO NAS REDES SOCIAIS

Nas redes sociais, a mãe de Myriam, Jucy Nery, fez um post público indignado da agressão sofrida pela jovem. No texto, Jucy afirma que a “família chora e está indignada pela falta de humanidade e respeito de alguns seres humanos”.

A mãe da vítima levanta questões sobre direitos das mulheres que ainda são violados constantemente. “Em pleno século 21, uma mulher que recusa um assédio descarado é vítima de empurrões, socos e pontapés pelo próprio, pois foi isso que este agressor fez com minha filha. Não vamos nos calar, não temos medo”, escreveu Jucy.

Aflita, ela ainda critica a falta de assistência no atendimento da Polícia Civil. “Ao chegar por com ajuda de suas amigas à Delegacia da Mulher para prestar queixas, sequer foi vista pela delegada de plantão que se recusou a recebê-la e gerar boletim de ocorrência, alegando não se tratar de violência doméstica. Ou seja, uma polícia que teoricamente deveria manter a nossa segurança nos deixou completamente desamparadas!”.

Até a publicação desta reportagem, o depoimento postado nas redes já havia superado 900 compartilhamentos, além de centenas de comentários indignados. Veja:

Boa noite, caríssimos!!
Pensei mto antes de apresentar essa situação aqui, mas não resisti em trazer mais uma denúncia de violência contra mais uma mulher .Agora não é mais uma notícia que leio nos jornais ou redes sociais, ou assisto nos programas de Polícia nas Tvs. Agora a violência esbarrou em amigos mto, mto próximos.Quase parentes. Então achei melhor deixar o desabafo da minha amiga que chora a dor, o desrespeito e a indignação de sua filha amada e que foi cruelmente agredida, e que poderia ser filha, amiga, parente de qqer um de nós. Temos que denunciar e pedir ajuda de amigos para por fim a essas situações cada vez mais corriqueiras em nosso dia a dia.

Breve relato:
“A poucos dias postei meu orgulho e minha alegria pelo qual minha filha escolheu seguir, a Medicina e dividi com todos nossos amigos tamanho alegria deste belo curso e de grande responsabilidade porém a estrada a ser percorrida é longa assim como os desafios sao contínuos, mas diante de todas as adversidades da vida, minha filha mais velha Myriam Ruth se formará. Quantas oportunidades de lazer eu vi você perder ao se debruçar nos livros, foram muitas noites que lhe vi estudando exaustivamente, então porque nao apoiar você em seu lazer com as amigas? Isso é mais do que justo.

Mas hoje estou aqui para dividir com vocês um momento de muita dor, revolta e tristeza. Nossa familia chora e esta indignada pela falta de humanidade e respeito de alguns seres humanos.

No domingo à noite, após sair com as amigas para se distrair numa casa noturna de Belém, que teoricamente deveria fornecer segurança aos seus pagantes, minha filha foi fisicamente agredida, desrespeitada por um rapaz insatisfeito com as negativas às suas investidas.

Em pleno século 21, uma mulher que recusa um assédio descarado é vítima de empurrões, socos e pontapés pelo próprio, pois foi isso que este agressor fez com minha filha. Não vamos nos calar, não temos medo, porque estamos cansadas de ler isso todos os dias, e dessa vez foi com a MINHA FILHA. Uma mulher, estudante e tão cheia de direitos quanto todo e qualquer ser humano. Ao chegar por com ajuda de suas amigas na Delegacia da Mulher para prestar queixas, sequer foi vista pela delegada de plantão que se recusou a recebê-la e gerar boletim de ocorrência, alegando não se tratar de violência doméstica. Ou seja, uma polícia que teoricamente deveria manter a nossa segurança nos deixou completamente desamparadas!!! E o que eu faço como mãe? Alguém me diz? Hoje minha filha está aqui na minha frente, cheia de hematomas e dores no corpo por falta de HUMANIDADE deste ser … E apenas hoje conseguimos realizar um boletim de ocorrência e finalmente ser ouvidas. Onde vamos parar? Quantas mulheres mais vão ser espancadas em lugares públicos sem chances de defesa???? Quantas vão morrer??? Que mundo é esse???”, da amiga e mãe da vitima, Jucy.