Hiroshi Bogéa On line

Leitores expõem divergências sobre hidrovia

 

 

Dois comentários pinçados do  post  Caminhada para viabilizar hidrovia cada vez mais longa,  assinados por anônimos, suscitam visões diferentes sobre a importância da hidrovia.

 

O primeiro, autodenominado Pereira:

 

Pereira

Acontece que a hidrovia é para viabilizar a exportação de três produtos: minério, boi e soja. São exatamente três produtos que não pagam ICMS conforme a Lei Kandir. Ou seja, as elites locais tem interesses que coadunam com interesses das elites estrangeiras e do Centro-Sul do País. As riquezas naturais de nossa região são exauridas para beneficiar uma minoria, grandes grupos econômicos. Enquanto isso aumenta a degradação ambiental, a pobreza e a precariedade dos serviços essenciais à população local como saúde, educação, transporte, moradia, saneamento básico, entre outros, sem contar o número alarmante da prática análoga a de escravidão. Quer dizer, os bens naturais de nossa região deveriam servir ao povo e não a certos grupos econômicos que enriquecem cada vez mais. Se os 12 trens da Vale, que levam todos os dias quase 500 toneladas de minério, não pagam ICMS, agora vamos ver as grandes embarcações levar não só minérios, mas bois, soja e outros, sem pagar ICMS e prejudicar ribeirinhos e pescadores com o fluxos das barcaças pelo leito do rio Tocantins. Que desenvolvimento é esse que enriquece uma minoria, causa graves problemas ambientais e faz ficar mais pobre a maioria da população?

 

O segundo comentário leva a assinatura do “Porco D`água”.

 

 

Porco D´água

Que é preciso acabar com a LK, estou de acordo. Mas é muita ignorância, desconhecer os benefícios de uma hidrovia. Ela economiza diesel pela quantidade de carga que transporta. O frete baixa.As embarcações contratam tripulações, pilotos,engenheiros náuticos, homens de convés, estivadores, conferencistas operadores de guindastes, de containeres, de maquinistas, de mecânicos para isso tudo, sem falar de vigias, de fiéis de armazéns, eletricistas, caldeireiros, metalúrgicos, ferramenteiros, engenheiros de produção, técnicos em ações náuticas classes que são bem remuneradas.Os estaleiros recebem encomendas e geram postos de trabalho e renda.As oficinas náuticas recebem demandas para atender as questões mecânicas.A capitania dos portos engajam novos militares para náutica, mecânica, reparos, sinalização, fiscalização, controles. A receita abre concurso para ações de alfândega. Os fornecedores de combustíveis, abrem inúmeros postos de trabalho. Armazéns são construídos para abrigar mercadorias e bens. Esteiras rolantes, munkes, carros pipas. Trilhos novos são assentados. Locomotivas são operadas neles. Novos vagões são fabricados. Portos são abertos e neles todo pessoal de apoio e manutenção são contratados. São milhares de trabalhadores. Só uma pessoa muito besta mesma, como esse Pereira, que vem dizer que uma minoria é que é beneficiada.Esse discursinho de esquerdista boboca precisa morrer agora. Neste instante.Desconhecer as vantagens de uma hidrovia é desconhecer o desenvolvimento do vale Mississipi, do Volga, do Danúbio, do Reno, do Pó, do Paraná, do Prata, do Amazônas. Não pode existir pessoa mais desinformada do que esse Pereira. Que ele venha para o debate. Pois ainda vou falar dos klusters do soja, do boi e dos minérios. Uma coisa, só uminha ele tem razâo: precisamos acabar com a lei Kandir. Oresto queele postou, é merda.
Abraços,
Porco D’Agua.

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10 Comentários

  1. Domício Jorge Brasil Soares

    20 de julho de 2013 - 09:21 - 9:21
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    Amigo Hiroshi, recebí alguns questionamentos sobre”Espadarte”(sétimo comentario de cima prá baixo). Esclareço que é um Projeto(ainda) do maior Terminal Portuario Offshore(afastado da costa) com sistema água-água, que é diferente do terra(rodovia)-água(hidrovia), (atual sistemática ou matriz, como queiram), com potencial para 80 milhões de ton./ano. Para efeito de comparação : Distancia entre Carajás(Província mineral-PA) e o Terminal Portuario Ponta da Madeira em São Luís-MA é de 892 km, enquanto de Carajás até Espadarte Porto(Ilha dos Guarás) no Município de Curuçá-PA é de 520 km. Em 20.07.13, Marabá-PA.

  2. Domício Jorge Brasil Soares

    19 de julho de 2013 - 10:58 - 10:58
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    Amigo Hiroshi, ainda em tempo, faço pequenos esclarecimentos que complementam minha postagem acima : Não sou contra a instalação da ALPA em nossa cidade, ao contrario, nossa combalida economia(do município e adjacências), agradeceria, e muito. Acontece que a crise é a nível mundial. Há pouco, assistí na Globo News com a Míriam Leitão, entrevista com autoridades falando justamente da desaceleração da economia do /no bloco asiático. Isso não é bom prá nós, pois haverá reflexos/desdobramentos negativos, pois a China é, talvez, senão com certeza, nosso maior parceiro comercial. Destarte a VALE ainda – técnicamente – seja controlada(acionista maior) pelo governo federal, a mesma possui um Conselho de Diretores formado por profissionais com larga e comprovada experiencia na área de mineração, que, ao final de estudos, decidem onde a empresa vai aplicar recursos, e não Mírian Belchior(Ministra por escolha política)) que nada entende do metier. Diante desse quadro, a ALPA, no momento, é simplesmente desaconselhada, indicando a continuação da aplicação de recursos em papéis(commodities). Suponhamos a construção da Siderúrgica e seu consequente trabalho de verticalização do minerio in natura, em chapas, estruturas etc… aconteça; ao seu cabo para quem seriam vendido os produtos ? Para o exterior em crise ? Iria concorrer – por exemplo – com CSN(sua cliente) e Bao Steel Corp. Internacional ? A conclusão é simples. Em 19.07.13, Marabá-PA.

  3. CICERO MACEDO

    17 de julho de 2013 - 22:17 - 22:17
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    Hiroshi,

    O que me faz ler seu blog são suas matérias muito interessantes e a participação de pessoas com alto nível de conhecimento que contribuem para enriquecer o conteúdo postado.
    O blog é muito melhor que um jornal, onde temos apenas um tipo de visão. Aqui podemos ter uma visão holística e tirar nossas conclusões de maneira mais acertada.
    Obrigado ao blogueiro e aos ilustres comentaristas. Nossa cultura se enriquece com vossas participações.

  4. Domício Jorge Brasil Soares

    17 de julho de 2013 - 19:26 - 19:26
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    Amigo Hiroshi, comentaristas acima todos tem sua parcela de razão em suas colocações. Sobre o assunto hidrovia, postei comentario em data anterior, que por oportuno, com devida vênia, reproduzo em parte. “Não há mais saída para este país que não seja a de reencontrar suas verdadeiras potencialidades e, neste específico ponto, numa única alternativa : Ou se resolve de vez seus enormes gargalos de logística e integração, ou iremos, inexoravelmente, para o “abraço do urso”. Tambem neste ponto, “governar, não é apenas ficar torcendo para que a China e o resto do bloco asiático não arrefeçam seu crescimento. Há espaço e tempo, ainda, para tomadas de decisões, e o aproveitamento dos rios, no caso o Tocantins/Araguaia, que reduziriam sensivelmente o custo do transporte, sem comparação com as rodovias, que permitiriam ao Brasil aumentar, exponencial e substancialmente, seu poder de competitividade no mercado externo, principalmente na área de alimentos. É imprescindível a extinção da perversa Lei Kandir. Quanto ao principal concorrente, os EUA, eles não tem mais o que “enxugar” no custo da logística, pois usam há 200 anos as ferrovias integradas com as hidrovias Mississipi/Missouri. E no campo, nosso país detém ll% a mais de produtividade, por hectare, sendo que no caminho até o porto jogamos fora quase 10%, pela ineficiencia do transporte e acrescemos 40% no custo, pela logística perversa dos caminhões. Acima do Paralelo 16 (Barra do Garça-MT) todo o caminho dos grãos deveria seguir para o denominado Arco Norte, mas não há capacidade portuaria para uma demanda de 50 milhões de toneladas. Sòmente 10% da produção do Centro-Oeste segue pelos caminhos do Norte(Santarém-PA e Itacoatiara-AM), mas por um caminho tortuoso e longo que inclui rodovias até Porto Velho-RO, seguindo pelo Rio Madeira até os citados municípios, e mesmo a BR-163 não teria cacife para dar vazão à demanda reprimida, ainda que se invista em capacidade portuaria em Santarém, por isso já surgem alternativas do Porto de Santana-AP, via balsas saindo de Miritituba-PA. Os Projetos do TEGRAN, de São Luís-MA((15 mi/ton) e TERGRAN(Terminal Graneleiro), no Outeiro(18 mi/ton.) poderiam gerar alternativas, e neste ponto, a integração da Ferrovia Norte-Sul com Marabá e o uso do Tocantins, seria mais interessante para o escoamento dos grãos da região do MAPITO – Maranhão/Piauí/Tocantins.. Enfim, acho que toda a discussão em relação ao Pedral do Lourenção e a liberação da hidrovia até Marabá-PA está por demais focada nas “commodities minerais e sua verticalização”, deixando de lado o principal, que seria a “teia” de serviços e comercio que surgiriam na região(comentario do CJP), decorrente da posição geográfica priveligiada tambem, de Barcarena/Belém e outras regiões do estado, inclusive Espadarte – este num sistema agua-agua, desde que feitos os investimentos necessarios, provocando uma verdadeira “virada de eixo” nessa “contra-mão”. As variantes do assunto são enormes e complexas, principalmente na cabeça de quem tem o poder decisorio, que mudariam, ou iniciariam o processo de mudança da atual sistemática. Espero ter me feito entender e contribuir para o debate. Em 17.07.13, Marabá-PA.

  5. hidrovia

    17 de julho de 2013 - 13:05 - 13:05
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    Caro Francisco Alves,
    Com todo respeito informo ao senhor que a mão de obra que atuará na hidrovia não será, na sua maioria, importada. Vamos aos fatos:a) Todo pessoal, todo ele, que atuará na condução dos comboios serão brasileiros. Formados pela magnífica unidade da Marinha brasileira em Belém, no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar – Ciaba. Lá, estão se formando os maiores comandantes de náutica e máquina da Marinha Mercante do Hemisfério Sul. Os estaleiros,estão empregando os moços formados pela engenharia naval da Ufpa.,hoje sendo empregados nos maiores estaleiros do Brasil. São contratados antes mesmo da formatura. Os salários, são os melhores do Brasil. Em Icoaraci, onde estão concentrados os estaleiros paraenses, há aos que na porta das empresas as placas de”precisa-se” não são retirada. A Delegacia Regional do Trabalho oferece estatísticas acusando o programa de admissão como um dos mais positivos do Brasil. Faltam metalúrgicos, caldeireiros, soldadores, chapeiros, eletricistas navais, calafates e outros das áreas meio, tais como, administradores, engenheiros navais, chefes de turno, gerentes e auxiliaes das mais diversas atividades em um estaleiro naval. Com relação à mão de obra da Marinha, desnecessário dizer que serão todos brasileiros. Serão treinados na Base Naval de Val de Cans, uma das mais antigas da América do Sul. A estiva só contrata brasileiros. E são milhares que deverão assumir os posto. Devo continuar? Ainda temos que falar, dos operadores de guindastes, containeres, serviços de conferência, fiéis de armazém, aduaeiros, fiscais da Receita Federal, pintores, eletricistas,carpinteiros, mestres de obras.As faculdades formarão ecologistas, engenheiros navais, economistas, contadores, matemáticos.. Portando, caríssimo Francisco Alves, a sua colocação merece, com todo respeito, nossas humildes observações.
    Att.
    Agenor Garcia
    jornalista

  6. Claudio José Pinheiro Filho

    17 de julho de 2013 - 09:24 - 9:24
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    O Pereira esquece a quantidade de empresas que darão suporte a verticalização mineral; que agregarão valor à comercialização da carne e trabalharam na industrialização da soja. Todas essas empresas pagaram tributos aos cofres públicos, sejam ao município (ISS) ou ao estado (ICMS). Outro ponto é a oferta de trabalho, que inevitavelmente crescerá, invertendo assim, uma lógica, carrasca, que perdura desde o começa da colonização e politização dessa área. Sem dúvida esse processo, em sendo bem conduzido, trará grandes avanços desenvolvimentistas para a região.

  7. apinajé

    17 de julho de 2013 - 08:51 - 8:51
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    bom dia amigos.
    os dois colegas foram felizes em seus comentários,fizeram observações pertinentes,em que pese as palavras diferentes,seus raciocínios me levam a enxergar os mesmos objetivos,o bem de nossa região,o que nunca será alcançado se não houver vontade e força política.
    são dois lados da mesma moeda cada vez mais desvalorizada.
    um abraço a todos.

  8. marabaense atento

    17 de julho de 2013 - 08:14 - 8:14
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    Realmente vendo os dois lados dá pra ver que os dois tem razão. é só vê o seu exemplo da vale passa aí todo dia não dá satisfação a ninguém .tem sua própria estrada exclusiva que ela mesma está duplicando . e essa hidrovia vai trazer muito mais danos que benéficio vai mexer nos rios .na pesca .no lazer e ainda vai ser nóis que vamos pagar a conta .é duro ter que admitir mais o seu pereira tá com razão . vamos ter umas migalhas em troca dos nossos bens

  9. Francisco Alves

    16 de julho de 2013 - 16:09 - 16:09
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    Esse Porco d’ agua é outro ignorante, fez uma parte do discurso muito boa, depois estragou atacando o Sr Pereira com palavras de baixo calão. Concordo em parte com os dois discursos, mas o que mais me chamou atenção é que as colocações feitas pelo Sr Porco, na sua maioria será mão de obra importada, poucas coisa será feita em nosso estado, pelo andar da carruagem a unica coisa que o estado irá fornecer é a matéria prima, prova disso é o que vale faz a muitos anos, por esse motivo concordo com o discurso do Sr Pereira, o meio ambiente irá sofrer, será saturado e se brincar o estado ficará na miséria, precisamos acabar com esse governo e junto com ele essa lei Kandir, pense numa desgraça para nosso estado. Torço pra que dê certo, mas estou com Sr Pereira, o ceticismo estar tomando de conta das nossas vidas, pois são tantas promessas não cumpridas e essa me parece que tem o mesmo fim.

  10. hidrovia

    16 de julho de 2013 - 14:43 - 14:43
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    Caro Hiroshi,
    Finalmente um bom tema vem à baila. De fato, reduzir a hidrovia a benefícios de uma minoria, é muito temerário. Porco D’Agua (nome dado aos homens que fizeram história na navegação do Tocantins. Heróis que venceram as turbulências dos canais do Capitariquara, Lourenção e dessas águas sairam gloriosos), pelo visto, entrou com os dois pés no baixo ventre desse discurso,digamos, pré-muro de Berlim, levantado por um certo Pereira. Essa hidrovia vai,com toda certeza, dar a mais expressiva alavancada em nossa combalida economia. Ela viabiliza, como enfatizou Porco D’Agua, todos os segmentos listados. E pode acreditar, caríssimo Pereira, uma grande maioria haverá de tirar, do funcionamento dela (a hidrovia), os melhores resultados. Trata-se de um conjunto de leis da economia que serão desdobradas em favor do desenvolvimento, registradas desde que o homem, pelo rio, desde então, começou a desenvolver o transporte de cargas e de passageiros. Nações foram construídas solidamente, a partir das vias navegáveis (rios, lagos e canais). A idéia reduzida e tacanha, externada no texto que provocou a ira do Porco D’Agua, não pode mesmo prosperar. Pelo menos naquilo que Pereira declarou:”riquezas naturais de nossa região são exauridas para beneficiar uma minoria, grandes grupos econômicos”, isso é conversa fiada. Há em nossas universidades milhares de jovens se formando e procurando bons empregos, especializações e bons salários. Uma hidrovia, oferece a estes jovens,todas as chances e oportunidades para a elevação da qualidade de vida que tanto desejamos. É claro que temos que evitar, por exemplo, a poluição do rio. A degradação da ictiofauna e dos danos que essa Lei Kandir nos impõem. Tratar a questão da hidrovia sob o tacão destes discursos esquerdiotas, não pode. Sou mais o Porco D’Agua.
    Agenor Garcia
    Jornalista.

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