Lançada em cachaçaria de Belém bebida à base de folha de jambu

Publicado em 5 de dezembro de 2015

Quem informa é a jornalista Esperança Bessa, do Diário do Pará:

Dedé (de uniforme preto) ao lado do sócio Rogério Perdiz. (Foto: Divulgação)
Dedé (de uniforme preto) ao lado do sócio Rogério Perdiz. (Foto: Divulgação)

O sabor é inconfundível. Basta dar um gole, deixar um pouco o líquido se espalhar pela boca e depois permitir que ele desça rasgando garganta abaixo, deixando tudo com uma sensação diferente. Como diria a cantora paraense Dona Onete, “o jambu treme”. Mas não, essa é uma cachaça de jambu diferente das artesanais que estamos acostumados por aqui. Na verdade, uma bebida mista que, em perfeita alquimia, associa melado de cana, cachaça e jambu, numa fórmula mágica que leva a assinatura de André Parente, mais conhecido como Dedé, um dos mais renomados e populares chefs de cozinha do Amazonas, que acaba de lançar a Jambucana, sua criação talvez das mais delicadas e especiais no ramo de aguardente, e a primeira com uma assinatura amazônica.

A Jambucana é fruto de mais de um ano e meio de criação, desde a concepção até a obtenção do selo do Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI), ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), que dá garantias de qualidade para exportação, e do selo da Associação dos Produtores Artesanais de Cachaça de Salinas (Apacs), que assegura que o produto é artesanal e está dentro dos padrões de qualidade das melhores cachaças brasileiras. Desde o início, uma certeza: Dedé queria o sabor exótico do jambu em sua criação. 

“Comecei a estudar como fazer para a essência do jambu entrar na bebida e fui fazendo testes com amigos. Eu não queria só misturar o ingrediente jambu à cachaça, queria saborizar a bebida mesmo, para que tivesse um toque de drinque”, explica o chef e empresário. O jambu que sai de fornecedores paraenses já com um primeiro tratamento chamado branqueamento (é lavado, sofre choque térmico em água quente e depois é embalado a vácuo, para conservar os nutrientes) seguia para Manaus e, de lá, as várias amostras de Dedé eram enviadas para o Engenho Buritis, referência em produção artesanal em Minas Gerais e parceiro antigo dele em outras cachaças que levam sua marca (como a Amburana, Prata, Carvalho e uma edição limitada comemorativa). O resultado foi desenvolvido a quatro mãos com o master blender Armando Del Bianco, que deu à experiência gourmet de Dedé toques de bebida tipo exportação. 

“Não pretendemos fazer em escala industrial, a ideia é manter uma produção com sabor de artesanal, de exclusividade”, avisa Dedé, que aposta no rótulo como algo para ser identificado como um dos sabores da região. “Queremos que o manauara, o paraense, todos se identifiquem com a bebida, mas principalmente que o turista, quem vem de fora querendo conhecer os sabores amazônicos, tenham ela como referência”, avisa. A criação possui um 30% de teor alcoólico (outro motivo pelo qual não pode ser considerada de fato uma cachaça, que deve ter a partir de 44%) e é levemente dourada. Se as cachaças artesanais de jambu feitas em Belém têm um gosto forte e marcante, seguindo a linha da criação pioneira de Leo Porto, do Meu Garoto, a versão manauara é bem mais leve, suave, aveludada. Diria até mais gourmet. Ideal para compor drinques, ela é perfeita para ser consumida bem gelada, o que lhe dá um aspecto ainda mais licorzado. Na primeira degustação oficial ao público durante a Feira Internacional da Gastronomia Amazônica – FIGA ela foi servida inclusive em um balde de gelo, seguindo uma tendência de se oferecer no mercado atual destilados direcionados ao público de cidades quentes (vide Old Parr, que lançou sua linha de uísque Silver para servir também em balde de gelo, o que lhe rendeu o apelido de “cowboy gelado”). 

A produção da Jambucana é centralizada no eixo Amazonas – Minas, sendo que a matéria-prima sai do Pará e a ideia de Dedé Parente é ampliar os laços com os fornecedores daqui. “Mantemos uma relação de fornecedores no Pará para produtos que têm maior qualidade aí, como o açaí, o tucupi e o jambu. Agora minha intenção é fechar com uma comunidade paraense para que toda a produção dela seja direcionada para a nossa cachaça”, projeta, já apostando na Jambucana como um dos seus principais carros-chefe de agora em diante. Uma aposta certeira, se levarmos em consideração que o produto tem o sabor e o cheiro da Amazônia.