Hiroshi Bogéa On line

Justiça adia audiências da UHE de Teles Pires

 

 

Protestos de indios Kayabi surtem efeitos.

 

Justiça Federal determinou o adiamento das audiências públicas da usina hidrlétrica de São Manoel, projetada para o rio Teles Pires, na divisa entre o Pará e o Mato Grosso.

O Ibama e a Empresa de Pesquisa Energética  receberam notificação, também, para providenciar tradução dos estudos de impacto ambiental da usina para as línguas indígenas dos povos afetados pela obra. A decisão é do juiz Paulo Cezar Sodré, da Justiça Federal em Sinop (MT) e atende a pedido de procuradores da República e promotores de Justiça do Pará e Mato Grosso.

Desde quarta-feira, índios Kayabi e Munduruku mantém sete servidores da Funai e da EPE como reféns em uma das aldeias da Terra Kayabi, em protesto contra a falta de diálogo sobre o empreendimento hidrelétrico. Índios Kayapó se deslocaram hoje para a aldeia para reforçar o protesto. O Ministério Público Federal acompanha as negociações para liberação dos servidores, mas os índios exigem a presença do presidente da Funai.

A realização das audiências públicas com a comunidade dos três municípios afetados diretamente pela construção da UHE São Manoel foi divulgada com apenas 18 dias de antecedência. Para os procuradores, o prazo curto da divulgação restringe a participação da população interessada e ainda dificulta a análise dos documentos técnicos, complexos e extensos sobre os impactos ambientais da construção da usina na região.

A decisão da justiça determinou, ainda, que as audiências públicas, além das cidades de Paranaíta e Alta Floresta (MT) e Jacareacanga (PA), também sejam realizadas nas terras indígenas Kayabi e Munduruku. Obteve-se também a determinação para a tradução do relatório de impacto ambiental para a língua dos povos indígenas afetados e que seja garantida a presença de um tradutor nos eventos. A multa diária estipulada é de R$ 50 mil para a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Ibama caso a decisão judicial seja descumprida.

Participação efetiva – Nas audiências públicas, o estudo e o relatório de impacto ambiental são apresentados à comunidade para dirimir dúvidas. As críticas e sugestões também devem ser coletadas e levadas em consideração.

A ação conjunta do Ministério Público Federal em MT e no PA, e do Ministério Público Estadual de MT, atende um pedido da comunidade urbana, rural e indígena, de instituições e autoridades do local expresso em documentos nomeados de “Carta do Teles Pires’ e na “Carta do povo Kayabi” que relatam a necessidade de discussão dos impactos que serão causados pela construção e funcionamento não só da UHE São Manoel, mas das outras seis UHEs que serão instaladas na bacia hidrográfica do rio Teles Pires.

A Usina São Manoel está sendo construída no rio Teles Pires, no extremo norte de Mato Grosso, na divisa com o Pará, com previsão de capacidade de 700 MW e 6.600 hectares de área alagada.

A ação civil pública nº 6910-50.2011.4.01.3603 tramita na seção da Justiça Federal em Sinop (MT).

 

Com informação da Ascom PEMG

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