Juiz quer punição a policiais adulteradores de moto

Publicado em 3 de abril de 2012

 

 

O juiz de Direito de Marabá César Lins, que durante quase dois meses respondeu também pela Comarca de Curionópolis, oficiou à Corregedoria Geral de Polícia Civil  apuração de denúncias  de adulteração do motor de um moto ocorrida no interior da delegacia de Polícia daquele município.

O fato teria ocorrido no final do ano de 2011 quando a proprietária da moto, Elza Cardoso  de Almeida foi às dependências da delegacia verificar o estado em que se encontrava seu equipamento de transporte, apreendido em outubro do mesmo ano por trafegar com documentação irregular.

Conforme relatou ao promotor Hélio Rubens Pereira, a dona da moto constatou a troca de  peças originais do equipamento (a descarga e o pedal de partida), bem como a adulteração da numeração do motor.

O delegado de polícia de Curionópolis Thiago Carneiro Rodrigues  recebeu a denúncia da própria reclamante.

Para surpresa de Elza, dia seguinte à constatação da falta das duas peças, retornando para checar novamente o equipamento, observou que o pedal e a descarga originais haviam sido recolocados.

Foi nesse dia que Elza descobriu a adulteração.

O Ministério Público determinou ao delegado  abertura de Inquérito Policial para apurar a denúncia.

Em contato com serventuário do Fórum de Curionópolis, na tarde de ontem, 2, o pôster tomou conhecimento da dura bronca que o delegado Thiago Rodrigues teria recebido do juiz César Lins, semana passada.

No gabinete do promotor Hélio Pereira, inclusive diante da presença deste, alguns servidores chegaram a ouvir o juiz dizendo  a Thiago que ele não tinha condições para gerir a delegacia de Curionópolis por não ter autoridade diante de seus comandados. “A situação foi muito constrangedora porque o doutor César Lins passou uma reprimenda dura no delegado, exigindo dele a apuração urgente da denúncia”, conta a fonte.

Procurado agora pela manhã para falar sobre o assunto, o celular do juiz César Lins encontrava-se fora de área.

A seguir, reprodução de documentos obtidos pelo blog junto ao Fórum de Curionópolis sobre os indícios de crimes praticados pela polícia civil daquele município, nesse caso de adulteração da moto.

Abaixo, Termo de Declaração de Elza de Almeida, relatando  o caso junto ao Ministério Público.

Neste outro, ofício do promotor Hélio Rubens Pereira requisitando abertura de Inquérito Policial.

E, finalmente, ofício do juiz César Lins solicitando providencias à Corregedoria Geral de Polícia Civil.

 

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Atualização às 17:43

 

O delegado de Polícia Civil de Curionópolis, Thiago Carneiro Rodrigues, acaba de enviar emeio  com sua versão sobre os fatos acima publicados:

 

Em cumprimento ao disposto constitucional do artigo 5º, inciso V encaminho este relatório como direito de reposta sobre os fatos que ocorreram em Curionópolis, no dia 30/03/2012.

1.      Em agosto do ano de 2011, a polícia civil realizou um policiamento ostensivo no intuito de combater a direção perigosa em veículo automotor, onde muitos jovens empinavam suas motocicletas em via pública, causando um grande risco para a segurança viária no município.

2.      Foram apreendidas várias motocicletas, nos quais resultaram em procedimentos inquisitórios e encaminhados para o Fórum desta comarca.

3.      Somente em fevereiro/2012, a autoridade judiciária (juiz) apreciou a causa referente a Sra. ELZA CARDOSO DE ALMEIDA, resultando na liberação de sua motocicleta.

4.      Contudo ao chegar nesta Depol, a proprietária alegou que foi adulterado o chassi do motor da referida moto.

5.      Esta autoridade instaurou o Inquérito Policial para averiguar o suposto fato delituoso, que não condiz de forma alguma com a instituição Polícia Civil.

6.      Este procedimento foi encaminhado para a Corregedoria desta Instituição para os procedimentos cabíveis.

7.      Vale ressaltar, que a Delegacia é um prédio público, onde várias pessoas entram e saem deste Departamento Policial.

8.      Que não é função da Polícia Civil o depósito de motocicletas e veículos automotores.

9.      Há um 01 (ano) e 04 (quatro) meses que estou a frente desta Delegacia é a primeira vez que houve uma reclamação de fatos dessa natureza.

10.     O juiz de direito Cesar Dias de França Lins não proferiu nenhuma reprimenda a esta autoridade policial, somente informou que tomaria os procedimentos cabíveis.

11.     E, por fim, esta autoridade policial tem completas condições para gerir qualquer Delegacia em qualquer circunscrição policial, pois referido magistrado não acompanha dia a dia, o trabalho deste Delegado e de seus comandados. Sendo que a população curionopolense reconhece e respeita o trabalho e a dedicação da POLÍCIA CIVIL nesta circunscrição.

Respeitosamente,

 

Thiago Carneiro Rodrigues