Jornal diz que suspeitas do assassinato de empresário revelaram “frieza” diante da polícia

Publicado em 2 de outubro de 2021

Reportagem do jornal Correio de Carajás revela detalhes da prisão das pessoas acusados de envolvimento na morte do empresário Edilson Ribeiro da Silva, morto em abril de 2021.

Reportagem assinada a oito mãos, pelos competentes profissionais Ana Mangas, Ulisses Pompeu, Chagas Filho e Delmiro Silva, conta como foi efetuada as prisões pela polícia de  Foz do Iguaçu.

Material fotográfico pode ser acessado AQUI no site do portal.

A seguir, íntegra do texto  jornalístico:

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Dentre os sete presos acusados de participação no assassinato brutal do comerciante de joias Edilson Ribeiro da Silva, morto em abril de 2021, em Marabá, estão Gabryella Ferreira Bogéa, a Gaby Bogea, e a sua mãe, Ainotna da Silva Ferreira.

Elas foram presas nesta quinta-feira, 30, em prédio na região central de Foz do Iguaçu, no Paraná, e de acordo com informações obtidas pelo Correio de Carajás, possivelmente as duas estariam planejando ir embora para os Estados Unidos. Os mandados de prisão foram expedidos pela 3ª Vara Criminal de Marabá.

Segundo a Polícia do Paraná, durante o cumprimento dos mandados de prisão foram localizados na residência das foragidas joias que teriam sido furtadas na data do crime, bem como, bolsas e perfumes de luxo, celulares, dinheiro e demais objetos decorrentes da prática criminosa.

Com a grande repercussão do caso nas redes sociais, alguns comentários relacionados a esse assunto surgiram, dando a entender que Gabryella e a mãe queriam começar uma nova vida longe de Marabá.

As suspeitas foram conduzidas à carceragem provisória da 6ª Subdivisão Policial, onde permanecerão até a transferência para a Cadeia Laudemir Neves, ficando à disposição da justiça.

Sem poder dar detalhes e informar a função de cada um no crime, o delegado Thiago Carneiro, superintendente de Polícia Civil do Sudeste do Pará, que acompanha de perto as investigações, que são conduzidas pelo delegado Marcelo Delgado, conversou com exclusividade com a Reportagem do Correio de Carajás no final da manhã desta sexta-feira, 1º de outubro.

De acordo com Carneiro, a delegada da PC de Foz do Iguaçu – que fez a prisão de mãe e filha – ficou estarrecida com a frieza das duas no momento da prisão. Elas permaneceram caladas e não responderam a nenhum dos questionamentos policiais, “fazendo pouco caso da situação”.

“Foram feitas buscas e apreensões somente em Foz do Iguaçu e foram encontrados alguns objetos que podem ajudar na investigação”, revelou o superintendente.

Segundo a Reportagem levantou com outras fontes, Rafael Ferreira, irmão de Gabryella, foi preso no aeroporto Santa Genoveva, em Goiânia, e não se negou a prestar depoimento. “Há fortes indícios que ele queria ir para outro lugar. Sabia que estavam sendo monitorados”, afirma o delegado.

Na cidade de Imperatriz foi preso o suspeito Bruno Glender. Ele foi encontrado em posse de um carro importado, que não foi apreendido por enquanto. A polícia vai averiguar se o veículo é produto de furto ou não. De acordo com informações, Bruno também prestou depoimento.

Já em Marabá, das três pessoas presas – Maria da Paz, Alanna Camilla e Matheus Mendes – apenas uma pessoa permaneceu calada.

Questionado pela reportagem se já há provas de quem participou diretamente da execução, o delegado Thiago Carneiro é assertivo. “Sim. Os sete estavam envolvidos direta ou indiretamente. Inclusive há executores entre eles. Ontem foram ouvidos alguns suspeitos e temos provas robustas da participação dos sete. Mas os depoimentos de cada um são fundamentais para sabermos se há mais alguém envolvido. Há possibilidade de ter mais uma pessoa. Isso vai ser investigado durante os 30 dias de prisão temporária”.

Após as investigações e conclusões sobre a participação dos sete acusados, a Polícia Civil solicitou a prisão temporária para auxiliar na investigação. Thiago Carneiro explica que esse momento é fundamental para distinguir quem é quem na história, afirmando que inclusive um dos presos, já é figura conhecida no meio policial.

Diante das provas, o superintendente contou com exclusividade ao Correio que já dá pra saber quem é o mentor intelectual do crime. “Provas apontam para duas pessoas que realmente organizaram toda a situação para a execução do assassinato. Um dos presos teve o papel de fazer a ponte entre o mandante e o executor”, conta.

Muito conhecida na cidade, Maria da Paz, a mais velha do grupo, chamou bastante atenção da população por estar envolvida no crime. Outras fontes consultadas pela Reportagem afirmam que ela teria participação indireta, mas para defender a filha.

MOTIVAÇÕES

Segundo a Polícia Civil, a motivação para o crime foi que uma das pessoas devia quase R$ 2 milhões para Edilson. Essa dívida, aliás, já vinha se acumulando há alguns anos. Inclusive tentaram negociar imóveis para abater o débito.

“Dos sete, uma pessoa devia esse dinheiro. Mas os outros usavam esses pertences também. Mas a dívida era no nome de uma pessoa”, conta.

30 GOLPES DE FACA

Edilson Ribeiro de Sousa foi morto com pelo menos 30 golpes de faca no pescoço e tórax, além de ter sido estrangulado. Para o delegado, possivelmente mais de uma pessoa executou o crime.

No momento do assassinato, a vítima estava com várias joias, que possivelmente foram roubadas do veículo no dia do crime, que totalizaria em torno de R$ 1 milhão. Ao que tudo indica, a polícia deve acionar os familiares da vítima para que se possa fazer algum tipo de reconhecimento e comprovar que aquela joia pertencia a Edilson, já que a comercialização desses produtos não tem nota fiscal especificando cada uma das peças.

Sobre a repercussão do caso na mídia e nas redes sociais, o delegado afirma que sabia que poderia chamar muita atenção por se tratar de pessoas conhecidas.

“A investigação foi bastante complexa. Temos provas técnicas anexadas ao inquérito policial, provas testemunhais que foram fundamentais para a elucidação dos autores e também provas periciais”, finaliza.

O repórter do CORREIO DE CARAJÁS, Delmiro Silva, que reside em Conceição do Araguaia, tentou ouvir os familiares de Edilson Pereira, onde ele também morava e possuía imóveis.

A reportagem foi informada por funcionários do hotel da família do empresário que todos estariam viajando e não havia previsão de retorno. Também não foi informado telefone de contato de nenhum familiar do empresário, que era muito conhecido naquela cidade. (Ana Mangas, Ulisses Pompeu, Chagas Filho e Delmiro Silva)