Hiroshi Bogéa On line

Interligação fluvial potencializa região da Transam

 

Artigo assinado pelo empresário Ítalo Ipojucan, secretário de Indústria e Comércio de Marabá:

———-

 

A longa espera do Oeste do Pará pelo momento que aqui no Sul aguardamos, tudo indica,  chegou. A região de Itaituba-PA, mais especificamente o distrito de Miritituba , longe de uma simples expectativa,  passa de fato por um momento singular  e cujos reflexos serão estendidos a toda região.

A BR -163, importante eixo de ligação entre o Mato Grosso e o Pará , no seu traçado corta municípios  como Sinop, Sorriso, Nova Mutum e Lucas do Rio Verde,  cidades em cujo entorno se destaca volumosa produção de  grãos.

Segundo o Valor Econômico( jan/13), com a pavimentação, que anda a passos largos, chegando a Itaituba,  viabiliza nova rota para exportação de soja e milho  pelo Norte do País. Uma alternativa  que deve reduzir em cerca de 10% a 15% os custos dos fretes dos produtores de grãos. Hoje mais  de 70% dessa safra é escoada pelos portos de Paranaguá (PR) e Santos (SP), cerca de 2 mil quilômetros de distância.O terminal paraense dista apenas 900 quilômetros desse cinturão agrícola.

O distrito de Miritituba-PA será utilizado como ponto de  interligação fluvial (hidrovia) até portos exportadores de Santarém-PA, Porto de Santana-AP e Porto de Vila do Conde -PA. Esse movimento,   já estimula  investimentos privados que começam a chegar à região, com projeto  capaz de escoar até 20 milhões de toneladas de grãos do Mato Grosso pela região Norte.

Ainda segundo o Valor Econômico(jan-13),  grandes investimentos privados deverão migrar para o entorno de Itaituba, e cujos  primeiros carregamentos já devem acontecer a partir da safra de 2014/2015.

 Tradings americanas Cargill e Bunge, operadoras logísticas Hidrovias do Brasil e Cianport, esta última criada com o objetivo de capturar  e explorar as oportunidades do corredor logístico BR-163 Rio Tapajós – uma joint-venture entre Flagril e Agrosoja, duas gigantes na comercialização de grãos de Mato Grosso ,  já possuem projetos em fase final de licenciamento ambiental e com obras a iniciar ainda em 2013.

Os investimentos:

Segundo a Valor Econômico, a Cianport pretende implantar uma estação de transbordo em Miritituba e terminal privativo na ilha de Santana (AP), para receber e exportar a produção do Mato Grosso. Calcula investimentos da ordem de  R$ 380 milhões na construção de estruturas. Outros valores da ordem de R$ 3 bilhões de reais até meados de 2020, deverão ser investidos na construção da estação de transbordo, armazéns, terminais portuários, empurradores e embarcações.

A Cargil que opera em Santarém, pretende investir cerca de R$ 200 milhões para receber a produção em Miritituba-PA e transportá-la  pelo Tapajós até o porto, ampliando o seu volume de soja exportado por Santarém de 1,9 milhão de toneladas para 4 milhões ton/ano.

A Bunge deve investir cerca de R$ 500 milhões na construção também de uma estação de transbordo em Miritituba-PA e terminal portuário em Vila do Conde – PA, com capacidade para movimentar até 5 milhões de toneladas.

A Hidrovias Brasil,  deve investir valores próximos ao da Bunge no mesmo eixo, com capacidade para movimentação de cerca de 4,4 milhões de toneladas. Deve contratar a construção de cerca de sete comboios de barcaças com capacidade individual de até 700 mil toneladas anuais.

Segundo o presidente de Flagril, Jaime Binsfeld, o novo corredor de exportação deve viabilizar a expansão da fronteira agrícola para os municípios localizados entre o norte de Mato Grosso e o sul do Pará.

Para relembrar, aqui recebemos a visita da Hidrovias Brasil, que inclusive adquiriu área às margens do Tocantins, com objetivo de implantar seu projeto em Marabá, similar ao oeste paraense, paralisado em virtude da indefinição da hidrovia.

Na mesma toada, recebemos a visita da Bunge, Cargil, VW Logística, Linave e outros tantos – todos na expectativa da hidrovia como rota alternativa de escoamento de produção. Todos suspensos, no compasso de espera, de definição da hidrovia, do bendito Lourenção.

Na terrinha de Francisco Coelho, continuamos defendendo o óbvio. O desenvolvimento a partir da hidrovia Tocantins –  um passo que certamente marcará um Sul do Pará de  “antes” e o de “depois” da hidrovia – se tiverem dúvidas , aproveitem a oportunidade,  conheçam a  Miritituba-PA  de hoje …e a do amanhã.

Post de 

1 Comentário

  1. casemiro

    11 de maio de 2013 - 14:31 - 14:31
    Reply

    É Hiroshi, mas fazer o obvio, é o que o menos se espera dos politcos Paraenses e do governo Federal.

Deixe seu Comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *