Infectologista explica as formas da população estar em alerta aos sintomas da ‘varíola dos macacos’

Em entrevista à TV Liberal, a médica infectologista Helena Brígido explicou que quando a OMS identifica uma doença e ela tem uma manifestação local e se espalha mundialmente, essas notificações são comuns, para que as vigilâncias epidemiológicas dos países possam proceder para impedir o avanço da doença.

“Quando a OMS decreta, todos os países, todas as vigilâncias epidemiológicas de cada estado e município precisam ter uma estratégia de ação. Imagino que o Estado e a prefeitura irão manifestar em nota mais detalhada do que fazer”, disse.

“Temos todos os riscos. Estamos no momento que o Pará não tem caso, mas precisamos observar portos e aeroportos para fiscalizar [a entrada de] pessoas que vêm de locais com casos confirmados. Como a região sudeste do Brasil e outros países. É importante que usem o termo correto ‘Monkeypox’, pois é uma doença que pode aparecer em qualquer animal e ser humano, não é de exclusividade dos macacos”, completou.

Estudos identificaram que o vírus “Pox” é transmitido pelo ato sexual, no sêmen – secreção que transporta o espermatozoide -, então todas pessoas que tiverem contato sexual podem contrair a doença.

No entanto, ela diz que os estudos ainda precisam de aprofundamento da temáticas e que as transmissões pelo ar e toque nas lesões, também são as principais formas de transmissão. “Monkeypox pode ser transmitido pelo ar e pela proximidade. Então, em um voo, até sentar próximo às cadeiras pode pegar. São lesões que de cara pode não demonstrar; um médico pode saber, mas uma pessoa comum pode não identificar e entrar em contato e se contaminar”, arguiu.

“Há um estudo que demonstra que o vírus está no sêmen e aí há a possibilidade de ser transmitida – de homem para mulher ou de homem para homem. A vulnerabilidade é geral. Mas a questão que tem aparecido mais é na área sexual, porque na fricção da área genital tem o contato – na área abaixo do abdômen, coxa, próximo a área genital – mas tem pessoas que têm lesão no braço, rosto, peito. Então, tem que ser mais investigada essa área”, disse relacionando a doença com o fato de entrar em contato com a pele, fluídos e lesões.

A região Norte e o Pará não têm casos confirmados da doença, reforça Helena. Contudo, a especialista alerta para o período de férias, viagens para locais que já têm casos confirmados ou contatos com pessoas que vieram dessas localidades. “Temos que ficar atentos com pessoas que estão com lesões de peles que vem de locais com casos. Estamos no mês de julho, mês de turismo, pessoas que vem em aeronaves. Monkeypox pode transmitir pelo ar e pela proximidade”, alertou.