Hidrovia e mercado atacadista, alternativas para Marabá

Publicado em 10 de dezembro de 2012

 

 

A frase de Murilo Ferreira, presidente da Vale, de que qualquer outro tipo de investimento da mineradora, além da venda de minério de ferro em estado bruto, “é secundário”, levou por água abaixo os sonhos de grande parte do empresariado marabaense  quanto a construção da Alpa, a médio prazo.

O desalento da classe produtora local ficou evidente na entrevista que Ítalo Ipojucan, presidente da Associação Comercial e Industrial de Marabá, concedeu a este blog.

Para justificar a pouca crença no projeto de verticalização do minério, além de citar o próprio desinteresse do Estado em operar nesse sentido, Ítalo se apega a dados oficiais do setor siderúrgico mundial para explicar-se.

“A  comercialização de produtos siderúrgicos, apenas para 2012, não deverá passar de 1,5 bilhão de toneladas, enquanto a capacidade instalada de produção ultrapassa 1,8 bilhão de toneladas – sem citarmos que  até 2016 mais de uma centena de novas usinas estarão em operação, em diversos países, muitos deles da América Latina, com capacidade de produção estimada em 380 milhões de toneladas”, exemplifica o dirigente da ACIM.

Com o excesso de oferta, a lógica do mercado aponta para a derrubada do lucro de quem comercializa e os preços do aço caindo.

“Para se ter ideia da queda de preços do aço no mercado internacional, a  cotação do aço laminado a quente em bobinas, que superava a marca dos US$ 1.000 a tonelada antes da crise financeira de 2008, caiu mais de 35% nos EUA, para US$ 636 a tonelada”, revela Ítalo.

Como o empresário visa, obviamente, lucro em todo investimento demandado, Ipojucan tem consciência de que a Alpa, “pelo menos nos próximo cinco anos, não terá seu start deflagrado”, diante da brusca queda dos produtos advindos da verticalização.

Mas, ao mesmo tempo, Ítalo compreende ser possível  alavancar esforços no sentido de que as obras de derrocagem da hidrovia sejam imediatamente iniciadas. “Essa via de escoamento é importante para o país, e, particularmente, para a nossa região, como janela de diversificação do nosso eixo de desenvolvimento”, esclarece.

Paralelamente a luta pela hidrovia, Ítalo  cita outras alternativas promissoras.

“O mercado atacadista é outra fonte de geração de emprego e renda, já que essa atividade é fomentadora de diversas ações paralelas. Por isso vejo com bons olhos o projeto deflagrado pelo  Grupo Mateus  de implantação de um CD (Centro de Distribuição) em nosso parque industrial”, entusiasma-se Ítalo, mais uma vez arregaçando as mangas, disposto a  empreender novas lutas em favor do desenvolvimento regional.

Sem a Alpa, observa Ipojucan, Marabá poderia abraçar a causa de implantação de um pequenos parque  metal mecânico.

Esse assunto, abordaremos nesta terça-feira, 11.