Greve dos professores de Marabá ganha adesão da categoria até na zona rural. Vereadores apoiam movimento, que parou as escolas em quase sua totalidade

“Hoje é o 3º dia de greve. Acabamos com o medo e o silêncio no município de Marabá, e nossa classe fez isso. Na contradição do debate da sociedade, temos todos os trabalhadores hoje paralisados. Queremos o mínimo de desgaste com esse governo, com a implementação e valorização salarial. Nossa pauta é muito extensa e o responsável é o Tião Miranda. Um governo centralizador, não a uma gestão compartilhada, com a Câmara, sindicato, população. Não estamos mais no ano 2000, é importante que o governo compreenda que é preciso reavaliar essa realidade. Ele não cumpre com o nosso PCCR (Plano de Cargos, Carreira e Remuneração) do Magistério. Tivemos corte no vencimento e nunca foi devolvido esse recurso pra gente. Dinheiro não é o problema em Marabá. Dinheiro é a solução. A dívida maior que está aí, é do próprio governo atual, que não dialoga conosco. Ficamos penalizados com escolas sucateadas”.

 

Depoimento é da coordenadora do Sintepp-Marabá, Joyce Rebelo, falando da tribuna da Câmara Municipal de Marabá, na manhã desta quarta-feira, 23.

Em seu terceiro dia de paralisação, a greve dos educadores de Marabá apresentou ao prefeito Tião Miranda uma lista reivindicatória constando  23 itens, entre reajuste do piso dos auxiliares de secretaria de nível médio, em defasagem desde 2016, que já está em atraso;  reajuste no piso do magistério de 2022, da ordem de 33,24%;  pagamento de abono, gratificações, retroativos, promoções e implementação da hora-atividade.

Maioria dos parlamentares posicionou-se favorável ao movimento dos educadores, condenando a posição intransigente do prefeito municipal, Tião Miranda, que vem postergando atender as justas reclamações dos professores e demais servidores da área educacional.

Está marcada para a próxima sexta-feira, 25, reunião do prefeito com  a categoria.

O presidente da Câmara, vereador Pedro Correa, falou duro em defesa dos manifestantes.

“(A prefeitura) Ficar seis anos sem reajuste e sem sentar com a categoria não dá. Não tem como resolver os problemas da cidade ou do servidor sem sentar e abrir diálogo para verificarmos aquilo que é possível ou não”, disse Pedrinho Correa, da tribuna.

A paralisação da classe educacional está tendo apoio quase que maciço da categoria, com fechamento de escolas até na zona rural, onde o servidor é mais sensível às ameaças de perseguição do poder público caso  apoie movimentos grevistas.

Imagem mostra como ficou lotada a Câmara Municipal de Marabá: educadores em greve em seu terceiro dia.