Giovanni Queiroz agora faz proselitismo

Publicado em 29 de março de 2012

 

 

O plebiscito ocorreu em dezembro de 2011, mas o deputado federal Giovanni Queiroz (PDT) continua fazendo proselitismo político com o tema Estado de Carajás.

A preciosidade a seguir é de autoria dele, ao discursar durante encontro regional do PDT, ocorrido em Marabá, no último final de semana:

 

– “Este governador Simão Jatene foi o grande carrasco dos nossos sonhos. Foi ele quem vetou a possibilidade de podermos acelerar o nosso desenvolvimento para atender os anseios da nossa região, com a criação do Estado de Carajás”.

 

A afirmativa tem nítido objetivo de aprofundar facciosismo numa questão que antes mesmo do plebiscito, estava escrito nas estrelas.

Primeiro, o povo paraense é quem deve  ser responsabilizado como “o grande carrasco dos nossos sonhos”. Foi a grande maioria da população quem assim  determinou, votando livremente nas urnas o desejo de manter o Estado inteiro.

Antes mesmo de Simão Jatene “entrar de cabeça na briga”, como também afirmou Giovanni em outra parte do discurso, ou seja, em período anterior à campanha do plebiscito, duas pesquisas do Ibope mostravam que 62% da população seria contra a divisão.

Quando saiu o resultado do plebiscito, as pesquisas bateram fielmente, considerando margens de erro: 66,59% escolheram “não” para a criação do estado de Carajás e 66,08% rejeitaram a criação do estado de Tapajós.

Portanto, a presença de Jatene no vídeo defendendo a integralidade territorial do Pará nada influenciou no resultado da consulta.

Bom senso recomenda ao deputado Giovanni Queiroz a prevalência do equilíbrio emocional. Afinal, ele é um brilhante parlamentar que muito tem lutado no Congresso Nacional pelas causa do Estado.

Tripudiar com o resultado do plebiscito é  cometer erro de desonesta avaliação da capacidade do povo saber assumir seus caminhos.

Em verdade, a lamentável desilusão que o plebiscito exerce sobre as populações do Sul e Oeste do Estado é fruto da má condução do “produto” vendido, bem antes da aprovação da consulta popular.

Quem não se lembra de Giovanni e alguns seguidores andando pelas duas regiões garantindo que o plebiscito seria realizado apenas na “área interessada”, que segundo o deputado federal, somente no Sul e o Oeste do Pará?

Em diversos pronunciamentos públicos, Giovanni vendeu essa barato como se a interpretação da lei fosse verdadeiramente ao pé-da-letra. Chegou, inclusive, a dizer que havia no STF jurisprudência favorável à sua tese – o que não se confirmou depois, quando o Supremo deu um sonoro Não ao entendimento equivocado.