Garimpagem espalha mercúrio no Igarapé Sereno

Publicado em 19 de setembro de 2014

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balsa com equipamento de garimpagem no Sereno

Os igarapés Rio Vermelho, Sororó, Taurizinho e Sereno  ajudaram a escrever a história de Marabá como  importantes vias de escoamento da produção de castanha – e, bem antes, da borracha.

Das belas e destemidas histórias que ajudaram a escrever, os citados igarapés são apenas imagens na memória de quem viveu os tempos áureos do extrativismo.

A expansão agrária e o desenfreado ciclo de criação de gado transformaram nossos belos igarapés em vasta área de destruição.

Todos estão morrendo, sufocados pela devastação, assoreamento e depositários do lixo produzido nas áreas de assentamento e fazendas.

Últimos corredores  ecológicos fluviais da região, os quatro igarapés são frequentemente usados, também, para a  criminosa “exploração” de minérios.

Vez por outra, aparece um malfeitor, instala maquinários às margens dos rios e tome a  jogar mercúrio em seus leitos.

O poster flagrou uma dessas ações criminosas ao sobrevoar de helicóptero alguns dos igarapés citados.

Do alto, ao passar pelo Projeto de Assentamento Castanheira, à altura da BR-155, entre a fazenda Santa Bárbara e terras da família Miranda, deu para perceber que havia uma pequena balsa com maquinários sobre ela, ambiente típico de garimpagem.

Não deu outra.

Ao descermos da aeronave num descampado próximo e andarmos cerca de um quilômetro, chegamos até o local.

O rio Sereno, novamente concebido pelas mãos humanas para escorrer em sua extensão   produtos químicos (foto abaixo)

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Um acampamento improvisado nas imediações da balsa (foto abaixo)  dava sinais de que os trabalhos de garimpagem haviam sido abandonados alguns dias.

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A situação do Sereno, no entorno da área de garimpagem,  é de igarapé totalmente agredido, devastado – longe de parecer com aquele rio  que vivia protegido pela floresta e sem sofrer qualquer tipo de agressão por parte de quem dependia dele.

Sereno 5

O igarapé que transbordava vida, hoje não mais existe.

As  atividades humanas estão cada vez mais em conflito com a saúde e a longevidade da floresta e do igarapé.

As tensões começaram a partir dos anos 80, e atualmente continuam com a  ocupação por colonos, fazendeiros, e  garimpeiros.

A área onde a garimpagem foi iniciada pertence a um assentado do PA Castanheira, segundo informação obtida numa vila próximo.

O  indivíduo teria feito experiência para descobrir ouro no Sereno, estimulado por outras pessoas.

É bom que a Semma e o Ibama fiquem antenados com essa denúncia.

A qualquer momento, o “garimpeiro” volta à tona, liberando mercúrio por toda a extensão do igarapé.