Flamel pede prêmio Puskás pelo gol mais bonito

Deu no Globo Esportes, com reportagem de  Gustavo Pêna e Samara Miranda:

O torcedor mais antigo deve lembrar da novela Fera Ferida, exibida entre os anos de 1993 e 1994. O nome do personagem vivido pelo ator Edson Celulari se tornou o apelido de um dos jogadores paraenses que mais vêm se destacando no ano. Entre gols e passes precisos, o meia Flamel, do Águia de Marabá e ex-Flamengo, marcou um golaço na vitória por 3 a 0 diante do Fast, pela Copa Verde. Esse gol, aliás, de acordo com ele, é um dos mais bonitos da carreira e teve um nível de dificuldade maior do que o do atacante Wendell Lira, ganhador do Prêmio Puskás.

Foi o terceiro gol do Águia.

Aos 32 minutos do segundo tempo da partida contra os amazonenses, Flamel recebeu a bola dentro da área e chutou. No rebote, tocou por cima do goleiro, tirou do zagueiro e saiu para comemorar com o torcedor (veja o gol no vídeo acima). Segundo o jogador, o gol também merece concorrer na premiação da Fifa ao final da temporada.

– Realmente foi um gol muito bonito, fiquei muito feliz, mas é difícil concorrer com o mundo todo, não é? Vamos torcer, e acho que tem, sim, condições de ser selecionado para disputar no Puskás. É difícil concorrer nesse prêmio, mas vamos ver. Seria a coisa mais maravilhosa que poderia acontecer na minha vida, comparada ao nascimento dos meus filhos. Nem me imagino lá. Isso seria tão maravilhoso e fantástico que precisaria de um tempo para cair a ficha. Foram gols diferentes (comparado ao de Wendell Lira), todos bonitos, mas o meu acho que foi bem mais.

Foto de Fernando Torres
Foto de Fernando Torres

Natural de Oriximiná, cidade do Baixo Amazonas paraense, Arlisson Sousa Cardoso virou Flamel justamente porque, quando criança, costumava se vestir com uma camisa sem gola, parecida com a usada por Celulari na trama exibida pela Rede Globo. Ele começou a carreira na Tuna Luso e acumulou passagens por equipes como Treze, Paysandu, Confiança e Ferroviário.

Mas a grande oportunidade do paraense aconteceu em 2009, quando, ao lado do atacante Aleílson, seu companheiro no Águia, foi convidado para um período de testes no Flamengo, depois do Azulão eliminar o Fluminense de Fred e treinado por Carlos Alberto Parreira, além do América-MG, ambos pela Copa do Brasil.

A estadia na Gávea foi curta. Dos três meses que deveria ficar no Fla, Flamel passou apenas 45 dias. Segundo ele, a saída de Cuca e a efetivação de Andrade no cargo de treinador atrapalhou a sua sequência no Rubro Negro. O meia guarda nas lembranças os momentos no clube carioca e o contato com craques como o atacante Adriano.

– Foi uma avaliação de três meses, mas só fiquei um mês e meio. Mudaram de treinador, aí não tive oportunidade. Apesar disso, foi bom treinar ao lado de jogadores importantes, campeões pelo mundo como Adriano e Kléberson. Foi uma experiência muito boa, até hoje colho frutos disso. Convivi com pessoas muito humildes, como é o caso do Léo Moura e Ronaldo Angelim. Foi a melhor experiência da minha vida, indiscutivelmente.

Vivendo o melhor momento da carreira aos 32 anos, Flamel está na sua sexta passagem no Águia de Marabá, clube do Sudeste do Pará. O atleta é o grande líder do time marabaense, que caiu para a Quarta Divisão no ano passado, apesar dos nove gols marcados por ele na Terceirona. Em 2016, o meia já balançou a rede quatro vezes no Parazão. Pela Copa Verde, foram mais dois gols.

Flamel comemora a boa fase no Águia, mas ainda pensa em voos maiores na carreira. Com passagem sem brilho pelo Papão, em 2007, atrapalhado por lesões, o jogador ainda acredita em novas oportunidades nos dois maiores clubes da capital do Pará, Paysandu e Clube do Remo, mas também pensa em jogar em outras equipes de destaque do futebol nacional.

– Estou no Águia, onde tenho uma identidade muito grande com torcida, o povo de Marabá, a diretoria… A gente sempre tem o objetivo de crescimento dentro da nossa área. Ainda almejo ir para grandes clubes, por exemplo, Remo e Paysandu, mas vivo um momento muito bom no Águia. Tenho que cumprir meu contrato, sou feliz aqui. Vamos ver o que acontece mais lá na frente