Fedentina estomacal

Publicado em 6 de outubro de 2009

Leiam, ipsis litteris, o que diz um moço chamado Rui Hidelbrando, no site por ele criado para defender o Estado de Carajás:

Criar o Comitê Carajás é queimar a ponte que nos liga a exploração secúlar (sic) dos governantes do estado do Pará é termos a visão que não existe outro caminho a não ser seguir em frente o Comitê Carajás, representa um novo momento na luta pela emancipação política do estado do Carajás, a região sul e sudeste do Pará que não mais suporta a coleira de dependência política e administrativa imposta sobre o nosso povo, apresentamos um perfil geográfico completo, cultura migratórias riquíssimas, trabalhadores de todas as partes do Brasil, se concentram aqui e formam um conjunto de potencial que poderá transformar a nossa região em uma terra de oportunidade um novo estado que irá fortalecer a economia Brasileira, vamos para o tudo ou nada independência ou morte, em nome da causa emancipalista conclamo a todos os lideres políticos, empresários e cidadãos de todas as classes sociais a se juntarem nesta luta em busca da independência de nosso povo, queremos o nosso estado é agora vai ou racha.

Frases grifadas são de autoria do poster a realçar a que ponto chegamos, nós residentes no Sul do Pará, para suportar a incongruência estomacal desse caratonha.

Um texto com pontuação à terçado, na base do só vale vírgulas – e seja o que a gramática dele quiser.

O texto, por si, explica tudo. Como se diz, dispensa comentários.

Pois é ele quem lidera o movimento popular convocado para incendiar a região.

O tal Comitê Carajás, formado para liderar o empurra-empurra que propõe a divisão de um Estado exatamente em sua região mais rica, como se tudo fosse possível no grito, como ele mesmo diz, “agora vai ou racha”.

Como se esse processo não passasse ao largo de demorado e paciente regime de maturação, cuja força propulsora de sua conquista será o convencimento, os dados sócio-econômicos e a articulação política congressual.

Sem isso, nada se cria. Nem se transforma. A não ser a cara cínica de aventureiros similares.

Pois esse Hidelbrando é quem foi escalado para correr o Sul do Estado com a bandeira separatista, exatamente para fazer o que a classe política evita, temendo queimar o filme: fechar rodovias, ferrovias, pontes, ruas e avenidas – emparedando autoridades.

Ele é o preposto dos engravatados com mandato para pulsar a anarquia.

E foi exatamente o que fez o mocinho, semana passada, ao obstruir por mais de duas horas a ponte rodoferroviária sobre o Tocantins, paralisando o trânsito e a paciência dos moradores de Marabá.

Ato irresponsável e de caráter exclusivamente pessoal, à revelia das entidades representativas da cidade.

Um dia, O Estado de Carajás será criado.O pôster tem afirmado isso há mais de quinze anos, desde quando dedicou grande parte de sua capacidade de trabalho na edição de um jornal (ao lado de Ademir Braz) , com proposta de defender a nova unidade federativa.

De lá pra cá, nada se viu avançando no campo da qualificação político-representativa. Ninguém tratou de trabalhar a sociedade para conscientizá-la de que o Estado de Carajás jamais será criado sem uma boa base de representantes regionais eleitos para defender a proposta na AL e no Congresso Nacional. Os interesses e ambições pessoais (sem generalizar) de quem se envolve com a bandeira separatista, buscam exatamente o que está adjetivado.

Em época de eleição, como caititus, eles aparecem, em bando, e lançam-se candidatos a qualquer coisa desde que haja um partido disponível, lixando para a formação de uma unidade política em seus municípios. Resultado: o Sul do Pará, buscando sua independência político-administrativa, não elege mais do que três deputados estaduais e o mesmo tanto de federais.

Bancada para jogar truco.

Pior: com o passar dos anos, no topo da elite que defende o Novo Estado aumenta o número de pessoas cada vez mais envolvidas com o desmatamento da região, exatamente aquelas que, um dia surgindo a nova unidade federativa, estarão à frente das gestões públicas criando “novas fronteiras” de desenvolvimento e o desflorestamento contínuo do que ainda existe.

Nos últimos tempos, tenho ficado cada vez mais convencido de que o Estado de Carajás não pode surgir a reboque desse cenário.

Se jovens realmente comprometidos com o meio ambiente e com a qualidade de vida futura não estiverem à frente dos sonhos de independência, quem garante esses personagens não estão de olho em constituir uma capitania hereditária em cujo território a distribuição de riquezas será para número bem menor dos já poucos?

Voltando pro nosso personagem esperto. No site do Comitê dele, há uma enquete com intenções safadonas, ao indagar qual a cidade deveria ser a capital do Estado do Carajás (É, já está nesse nível, escolhendo a sede da capital!!).

Há sete alternativas (vejam lá), e quem está levando vantagem? “Uma nova cidade planejada”.

Sim, pela cabeça dos verdugos isso já passa, sim! Torrar dinheiro na construção de uma nova cidade.

O resto imagino todos saberem quais intenções tem um cara desse.