Estórias de beira de estrada

Publicado em 27 de março de 2008

Desta vez, até que a tchurma estava meio mansa. Não agrediu tanto como sempre faz quando decide bloquear estradas.

Mas que foi um saco, foi -, ficar quase cinco horas na beira da Pa-279, entre Eldorado e Parauapebas, enquanto os movimentos sociais colocavam crianças em bancos escolares, no centro do asfalto, fazendo de conta que ministravam aulas aos seus filhos.

Para quem tinha pressa – como o poster -, desesperadamente, as horas não passam. Ficam travadas. O ponteiro do relógio parece também ficar bloqueado, ali às margens da rodovia.

Observações cuidadosamente anotadas, enquanto aguardava, na rama, algum Xerife autorizar o restabelecimento do ir e vir democrático da cidadania:

– O fechamento por algumas horas da Pa-279 foi apenas um pré-aquecimento de outros marcados, antes da parada geral em algum dia de Abril.

– A Vale não se meta a boba achando que o MST recuará diante da liminar da Justiça Federal proibindo a interdição da Ferrovia Carajás. O instrumento jurídico concedido pelo juiz Carlos Haddad é aviãozinho de papel na concepção da militância, sem nenhum poder de desestimular a onda de invasões programadas.

Nem a liminar. Nem a multa individual de R$ 3 mil a quem transgredir a ordem da JF.

– O prefeito Sebastião Curió que se cuide. Também. A tchurma fala “tão bem” dele que melhor seria o militar da reserva ausentar-se do município nesse período negro, que vai de agora até 17 de abril.