Estado de Carajás: a resposta de Val

Publicado em 29 de janeiro de 2011

Educadíssimo por formação, o jornalista Val-André envia respeitoso emeio ao blog pontificando sua visão sobre a criação do Estado de Carajás.

A luta de Val  pelo surgimento da nova unidade federativa, o poster conhece de perto.

Ele exala idealismo, interesses coletivos e preocupações puras com o desenvolvimento da região.

Intenções genuinamente voltadas para o Bem.

Com maior respeito a ele, publico a íntegra do comentário, solicitando alto nível dos possíveis comentaristas.

Se pintar baixaria, jogo fora, no lixo.

Boa noite caro Hiroshi,

Sei que não é elegante de minha parte te enviar um e-mail sobre minha modesta opinião quanto ao debate levantado no teu blog sobre o Estado do Carajás. Porém, o faço, para deixar claro que não se trata de uma crítica conclusiva, de um cidadão que se considera o “dono da verdade” sobre o assunto. Longe, muito longe disso.

Muito menos, deixar qualquer suspeita que possa aludir meu descontentamento sobre opiniões que criticam ou desabonam o processo – inexorável – da criação daquele que será o 27º estado brasileiro.

Um comentário de minha lavra numa ou outra caixa de comentários de meus antecessores, poderia transparecer a direcionamentos equivocados dos teus milhares de leitores. Portanto, minha opinião não é uma carta para o Hiroshi Bogéa. É a minha exclusiva opinião ao editor do blog Hiroshi Bogea On Line.

Li atentamente as colocação do advogado e ex-deputado Plinio Pinheiro Neto. Assim como, o fiz, sobre a opinião do engenheiro Dário Veloso e do senhor Carlos Trocate, líder do MST.

Com o devido respeito, uma vez que não considero anônimo algo palpável para se discutir, debater ou até mesmo, responder. Não citarei qualquer um deles nesse meu pequeno arrazoado sobre o tema.

Já conversamos muito sobre o assunto Estado do Carajás, e sabes muito bem qual é o meu papel nessa luta. Deixarei bem claro aos leitores o que penso e ponto.

Os três leitores acima citados têm razão e não têm qualquer razão.

Não acho razoável fazer aqui, um jogo de palavras. Muito menos um manifesto sobre quem é o culpado do descalabro em que se encontra o sul/sudeste do Pará. Em razão de meu sobrenome, seria excitante para muitos, malhar-me até a exaustão. Adianto que podem fazê-lo. Sei quem sou e o que faço para ganhar a vida.

Para ficar bem didático, visto que não estou entorpecido pelo componente ideológico; não tenho cangalha pendurada na jugular; muito menos envolvimento que não seja rigorosamente técnico sobre o tema. Estou afeito, esclareço, à articulação da comunicação do Projeto que tramita no Congresso Nacional. Apresentado na Câmara dos Deputados pelo meu assessorado, deputado federal Giovanni Queiroz (PDT-PA), hoje apensado ao Projeto apresentado e já aprovado no Senado Federal pelo senador Leomar Quintanilha (PMDB-TO), por nossa articulação e atento assessoramento.

Existem dois tipos, bem claros, de entusiastas do projeto e apenas um tipo de pensamento que é contra.

Nos dois tipos que são favoráveis. Há aqueles que, de alguma maneira se sentiram ou se sentem alijados do processo, criticam com muita contundência, no entanto, nunca fizeram absolutamente nada sobre as tarefas a serem realizadas. Quando o fazem, logo alegam algo, como para que sentir importantes. Mas, na primeira trovoada, retiram-se como que por encanto.

O outro tipo, participa, com uma singular diferença: além de criticarem. São atores ativos. Ligam-me. Muitos a cobrar – o gabinete do Giovanni é de todos os sulparaenses, independente de partido, ideologia, cor de pele, origem, nível educacional, orientação sexual ou tamanho de conta bancária. Nunca, jamais, Giovanni tratou mal uma pessoa. Seja ela quem for. E o que me impressiona, sempre. Nunca guarda rancor de ninguém.

Esses últimos, entusiastas ao projeto: perguntam, questionam, sugerem e principalmente cobram o andamento do mesmo. Afinal, são muitos anos que o assunto vai e volta. Como a natureza do Mar. Enche e seca. Enche de novo e novamente volta a secar.

Alguns colocam a mão no bolso e, por conta própria, mandam imprimir em gráficas, o material básico que produzimos. Os não possuem situação financeira folgada. Puxam conversa com o vizinho sobre o tema. Conversam com os amigos. Explicam aos familiares algumas das básicas razões para a adesão à luta. Colam o adesivo no carro, na moto, na bicicleta, na sela do burro que os leva para a lida. Na proa da pequena canoa ou no popopó movido à diesel. Na rabeta à gasolina e agora à álcool combustível.

Os dos contra são do contra. Sabemos muito bem. Muito mais que os próprios pensam sobre seus argumentos. Com uma diferença. Colocaremos nossas razões de maneira pragmática. Já não estamos – há alguns anos – namorando. Casamo-nos com ela.

Para quem “acha! Agora um pedido. Ao dicionário para a boa compreensão do verbo “achar”. Sob o risco de que uma hora não vai mais achar nada. Porque quem acha procura e se não acha, acaba perdido! Se sente lesado.

                                      – Quem acha é porque procurou algo ou alguma coisa.

Nós que somos a favor da criação do estado, não achamos nada! Nós pensamos, desde o princípio, como procurar nossa independência. Simples assim.

Giovanni, Leonildo Rocha, João Salame, Tião Miranda, Luciano Guedes, Dário Veloso, Valmyr Matos Pereira, Maurino Magalhães, Hiroshi Bogéa, Vanda Américo, Nagib Mutran, Zé Fera, Ademir Braz, Manoel Veloso, Gilberto Leite, Mascarenhas Carvalho, Valmir da Integral, Zé Dudu, Bel Mesquita; meu irmão Markus Mutran; minha irmã Flavya Mutran, nunca mandamos matar ninguém. Escravizar ninguém. Pelo contrário, nas adversidades de nossas vidas, fomos homens e mulheres o suficiente para tocar as nossas vidas e observar com muita atenção, aqueles que cultivam o ódio de gente humilde contra a iniciativa de se fazer algo para mudar e romper o ciclo vicioso de décadas que nos subjugam e subestimam nossa capacidade de construção, reconstrução e trabalho.

Ao equivocado, raivoso e jovem líder do MST já citado. Pergunto. O senhor por um acaso já deixou um pouco de lado a leitura de seus postulados ideológicos e pegou firme no trabalho?

Posso, se quiseres. Te recomendar uma lista interessante de pensadores.

Quem me conhece sabe que não tenho duas caras. Adoraria tomar um cafezinho contigo aqui na Câmara dos Deputados, quando vieres visitar o teu patrão João Pedro Stédile. Quem sabe eu não te convenço a convencê-lo a tirar o MST da mais gritante irregularidade jurídica, jamais vista ( ooops!) – na história desse país. Uma entidade receber recurso público e internacional, sem ter, sequer, um CNPJ? Vocês são muito persuasivos.

De minha restrita biblioteca, posso te emprestar – devolva, viu? De São Thomaz de Aquino a Eric Hobsbawm, passando por toda a obra de Ruy Barbosa.

Continue lendo Leonardo Boccio. Releia Maquiavel. Leia a trajetória, de Salvador Alliende. Stalin, Roosevelt. Mussoline, Hitler, Fidel. Jimmy Carter, Mandela. Leia Mao Tsé Tung e leia, atentamente o prêmio Nobel da Paz de 2010, Liu Xiaobo. Leia Javier Pérez de Cuéllar, o “Gabo” Gabriel Garcia Marques ou o mexicano Octavio Paz. Leia Ghandi. Leia a Bíblia, seu moço. Não precisa de tanta distância. Leia Ademir Bráz.

Leia, principalmente, o estudo publicado há cinco anos atrás do IPEA, sobre o Estado do Pará, Carajás e Tapajós. Leia, o diagnóstico da Vale sobre a região. Leia os Cadernos do NAEA da UFPA. Há teses de doutorado sobre a nossa região. Aproveite o seu exílio (tá certo!?).

Quando escrever cartas aos amigos. Não os induza ao erro crasso. Não diga que não há estudos sobre a criação do Estado do Carajás.


                             – Você. No exílio. Vai pega mal para a companheirada, visse.

Talvez seja a distância que te separa da lida. Ou de uma gostosa rede num barraco de um de mais de uma centenas de Favelas Rurais que vocês chamam de Projetos de Assentamento no sul do Pará. Talvez.

Fica mufino não. Posso te enviar por e-mail o estudo: Assimetrias Regionais no Brasil: Fundamentos para Criação do Estado de Carajás. Seja um bom menino e pare de mentir aos seus amigos, dizendo que nunca, jamais, houve um estudo sobre o Carajás. Fica feio o seu patrão saber disso. Olha que ele lhe puxará as suas orelhas.

Já pensou o Stédile dizer:

                 – Pôrr#$@%%%%%a Trocate. Que cara#$%####o de estudo é esse que eu não sei?

Quem quiser o Estudo. Basta enviar um pedido na caixa de comentários do blog do hiroshi informando o e-mail. não precisa se identificar.

Até a próxima e aguardo os comentários.

Por favor, acrescente à lista:

Na pessoa do Prefeito Wenderson Chamon, Darcy Lermen e Álvaro Brito, ao qual fui adversário político nas duas campanhas que o elegeram Prefeito de Conceição do Araguaia, o mais completo estudo sobre a viabilidade do Estado do Carajás, não seria possível ter sido publicado.



Os seus nomes já estão reservados no Panteão de nova estrela da Constelação Nacional brasileira. Da mesma forma que os milhares de anônimos que não fazem questão de aparecer, porém, muito contribuem pela causa de todos.