Esse pavor da morte

Publicado em 30 de julho de 2007

Como não tirei férias, procurei sossego no sábado. Sossego mesmo, daqueles de deitar-se numa rede e ficar pensando na vida, sem ligar TV, Rádio ou Internet. Somente pela manhã de domingo, saí de meu auto-isolamento para saber como estava Lauande na luta para escapar da morte, e acessei, desconfiado e sem muitas esperanças, o Quinta. Li na parte final de um post o aviso do Juvêncio, em negrito, indicando o local onde o corpo estava sendo velado. Desliguei o computador e me recolhi, abatido, sentindo-me fragilizado.
Nunca me habituei com a lógica da morte. Considero-a um dos raros momentos da falta de criatividade de Deus. Se ele ‘pintou’ a Vida com a sua extraordinária beleza e mistérios, pra quê chamuscá-la com sua antítese?
Dois tiros em Lauande provam que não somos mais que poeira cinzenta. Pedra e cal. Mãos sem rasto. De repente, diante da antítese da vida, imagino sermos apenas um rio que se esgota, secando gota a gota. Ou uma frase inacabada.