Esclarecimento a quem faz tratamento de câncer

Publicado em 5 de fevereiro de 2012

 

 

Na manhã deste domingo, 5, a bacharel em Direito, Lívia Rodrigues Mesquita, enviou e-mail  de Goiânia – onde se encontra submetida a nova sessão de tratamento de câncer -, no qual ela esclarece como obter, junto as operadoras de plano de saúde, a injeção denominada  “Thyrogem”  (ou TSH Recombinante) para fazer exame de PCI (Pesquisa de Corpo Inteiro) – cujo valor unitário no mercado é de R$ 5 mil.

O gesto de Lívia revela toda a sua preocupação com aqueles que passam dificuldades e sofrimento num tratamento complexo como é o de quem enfrenta a doença.

É um gesto, sim, de solidariedade, da  nossa colaboradora, que o blog faz questão de compartilhar com todos os seus milhares de leitores e visitantes diários.

 

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Amigos, quero dividir uma experiência com todos e, através dela, ter a certeza de que posso ajudar muitos de vocês.

Quem sofre uma “tireoidectomia” (retirada da glândula Tireóide) e encara um tratamento de câncer, precisa se submeter à Radio-Iodoterapia. Para tal, antes, o paciente precisa fazer um exame para determinar a dose dessa Radiação. Esse exame chama-se PCI (Pesquisa de Corpo Inteiro). Também, através dele, descobre-se se existem ainda células cancerígenas, bem como onde estão, e, detecta com precisão, se há ou não evidências de metástase.

Acontece que, para fazer esse exame, o paciente precisa fazer por trinta dias uma dieta de iodo, bem como abster-se de todos os hormônios tireoidianos. Por consequência dessa abstinência, sente-se fraco, cansado e sonolento. As reações vão além! Muitos passam a ter crises convulsivas nesse intervalo de tempo, as quais, podem acarretar outro grave quadro clínico: “Epilepsia”. Também, a perda da visão e paralisia facial são comuns durante essa fase de abstinência.

Sou prova viva de todos esses sintomas. Durante o período sem meus remédios, tive paralisia facial, fiquei cega e meu metabolismo foi quase a zero a ponto de minha mãe ter que me dar banho, me alimenar e me deslocar. Como esse exame é de extrema necessidade para o tratamento, fiz toda essa dieta e passei por todos esses sintomas. No intervalo de um mês, a ambulância meu buscou seis vezes em casa.

Ocorre que, para quem é assistido por plano de saúde particular, outro caminho existe, totalmente avesso a todo esse sofrimento. Existe uma medicação que prepara o paciente para esse exame sem força-lo à essa dieta que o coloca em estado vegetativo.

“Thyrogem” ou TSH Recombinante (2 ampolas) é a injeção que “você”, contratado por seu plano de saúde, tem direito para fazer a PCI. O grande problema é que as Operadoras relutam em deferir a entrega desse medicamento, já que, trata-se de uma medicação de R$5.000,00 cada ampola.

A boa notícia é que, hoje, existe uma Lei Federal (LEI N° 9.656, DE 3 de JUNHO DE 1998) que obriga “TODOS” os planos de saúde a deferirem a concessão do Thyrogen quando requerido pelo médico.

Também, existe uma Resolução Normativa ( RN N° 167, DE 9 DE JANEIRO DE 2008) da ANS (Associação Nacional de Saúde) que também confere essa obrigação dos planos quanto à entrega do Thyrogen a pacientes que irão se submeter ao procedimento da radio-iodoterapia.

Eu desconhecia esse medicamento quando precisei fazer pela primeira vez a PCI. E, foi exatamente tudo o que passei que me deu forças para estudar meios diversos para que eu não sofresse tanto. Eu consegui! Recentemente, fiz minha segunda PCI através do Thyrogen.  A única coisa que senti foram duas picadinhas de agulha. Agora, é esperar pelos resultados…

Meu interesse aqui é que todos saibam disso, e que, insistam em lutar pelo que é de direito. Quando forem requerer o Thyrogen, não se confiem tão somente no requerimento do médico. Façam como eu fiz: Junto ao requerimento, anexei a Lei Federal, a Resolução da ANS, bem como, várias jurisprudências condenando diversas Operadoras a indenizações que variavam entre R$ 100.000,00 e R$ 1.000.000,00. Com menos de quinze minutos de minha solicitação, me entregaram o documento deferido.

Quando insisto que devem requerer esse medicamento estando armados e municiados de todos os meios, é pra evitar que aconteçam situações como a de uma amiga minha. Ela solicitou o Thyrogem apenas com o requerimento de sua médica. A perícia médica da Operadora disse a ela: “Meu bem, remédio a gente compra é na farmácia e não pedindo pros outros”.

Então, ela desistiu e se submeteu àquela dieta, a qual, quase lhe ceifou a vida em uma das crises convulsivas que ela teve. Quando eu soube, ela já tinha passado por tudo, e, não tive nem a chance de ajuda-la.

Por mim, por ela e por todos, eu quero auxiliar o quanto eu puder.

Tratamento de câncer é de longo prazo. O meu está previsto para 5 anos, sendo uma PCI por ano, logo, também, uma solicitação do Thyrogem por ano.

Caso insistam em indeferir esse medicamento preparatório para um exame que veio para salvar vidas, acione a justiça.

Através de liminar, em poucos dias, são obrigados a lhes darem a injeção. E, ainda, estarão sujeitos a indenizações de números financeiros muito além do valor das injeções.

Portanto, se você esta passando por isso, ou, se conhece um amigo, um vizinho, um conhecido, enfim, saibam todos que, meios menos doloridos podemos e temos o direito de ter.

Estou ao dispor para qualquer um que quiser conversar sobre esse assunto.

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Atualização às 17:58

Leitora  Marilza de Oliveira Leite acrescenta qualificado comentário ao post de Lívia, reproduzido também aqui na boca do palco:

 

Lívia, parabéns pela maturidade com a qual você administra a busca pela cura do câncer. Parabéns pela coragem de se expor em favor da divulgação das suas conquistas. Parabéns por ajudar a desmitificar que ”câncer” é sinônimo de ”fim”. Câncer é sinônimo de muita luta. É sinônimo de descobertas que antes nunca nos permitiríamos. É ter a coragem de não se entregar. Que cientistas, pesquisadores e médicos sejam cada vez mais iluminados e abençoados pelo Nosso Senhor para que a cura mais rápida e tratamentos menos traumáticos sejam descobertos em favor de um número cada vez maior de crianças, jovens e adultos com câncer. PARABÉNS! (Marilza de Oliveira Leite)