Entre o “glamour” e o “de-costas-pra-rua”
Até Francisco já sonhou em sentar-se "De-costas-pra-rua" - de tão gostoso é o barato
Até Francisco já sonhou em sentar-se “De-costas-pra-rua” – de tão gostoso é o barato

Da lavra da jornalista Simone Romero, publicada no perfil de seu Facebook, que se pudesse ser subscrito, levaria assinatura deste poster, tal a precisão do alvo: – praxe da irrequieta e competente jornalista paraense:

 

O que eu acho dessa onda toda de bike foods e food trucks que tomou conta do País. Em primeiro lugar não tem nada de inovador porque comida de rua já não é novidade desde o tempo das quituteiras escravas que trabalhavam pra pagar sua alforria.

Em segundo lugar, há muito joio misturado no meio do trigo. Boa parte da comida servida nos foods trucks não passa de versão mal “gourmetizada” de comidas tradicionais com o diferencial de que custam os olhos da cara – entendido como olhos da cara a relação entre preço e qualidade. Nenhum problema em pagar mais caro por algo que realmente valha a pena.

E, finalizando, me preocupa muito essa valorização excessiva dos trucks e bikes descolados, com consequente desvalorização do vendedor tradicional, aquele que ajuda a movimentar a economia do bairro porque compra de fornecedores locais, às vezes até do quitandeiro da esquina.

Existe toda uma microeconomia em torno dos vendedores de lanches tradicionais que não pode ser desprezada porque é fundamental para gerar outras microeconomias locais que, no final, são as que mais ajudam na circulação de dinheiro desde que o mundo é mundo. E Essas pessoas não podem ser expulsas pelos caminhões que estão chegando.

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Nota do blog: em março deste ano, o blogueiro repercutiu também sua preocupação em relação ao assunto.

Ademais, ao que chamamos “De-costas-pra-rua”,  é mais romantizado e cercado de “papos populares” – mesmo diante dos riscos de espalharem H Pylori  em demasia.