Entre o céu e o inferno

Publicado em 9 de fevereiro de 2010

Algumas situações devem ser colocadas, diante da seriedade da matéria publicada no site Eco Amazônia.

Leiam trechos:

Dom Erwin (Kraütler – Bispo da Prelazia do Xingu) lidera pessoalmente as articulações de grupos indígenas em Altamira, está arregimentando os indígenas, insuflando as lideranças e passou a defender mais abertamente o uso da violência como forma de protesto contra o projeto. Em entrevista ao jornal paraense Diário do Pará, Kraütler disse que o derramamento de sangue pode não ser a melhor saída, mas avalia que a ação indígena é justa. “Ao defender Volta Grande, os Kaiapó estão defendendo o próprio futuro, a própria terra. O Xingu todo será sacrificado”, disse o religioso.

Logo após a liberação da licença, Kraütler foi à Brasília e se reuniu com o presidente do Ibama, Roberto Messias, para alertá-lo que os indígenas poderiam usar a violência. De volta a Altamira, o bispo passou a arregimentar ele mesmo as lideranças indígenas. Os índios começaram a chegar a Altamira na semana passada, mas pensavam que participariam de um protesto contra a falta de atuação da Fundação Nacional do Índio (Funai) na região e não de uma “guerra contra Belo Monte”.

As reuniões dos indígenas e entidades contrárias à Belo Monte geralmente são realizadas em uma chácara da Prelazia do Xingu fora da cidade, em um local conhecido como Betânia. Lá, segundo uma fonte que participou de uma das reuniões, os indígenas escutam de Dom Erwin e de outras lideranças que a terra deles será toda alagada, até os cemitérios irão sumir e que eles precisam lutar contra isso. Os índios são orientados a manifestarem radicalmente contra Belo Monte e a ameaçarem usar a violência.

Fonte do site ligada a uma das entidades envolvidas na ação, mas contrário aos seus métodos, revela que o objetivo é criar um clima de conflito na região. “Acho que eles querem insuflar os índios e ao mesmo tempo deixar as pessoas revoltadas com os indígenas. Querem criar um clima de guerra, pois avaliam que se morrer alguém na região – de preferência um indígena – é bem possível que Belo Monte não saia do papel”, disse a fonte, que pediu para não ter a identidade revelada.

(Para ler na íntegra, Aqui)

Voltando aqui pro blog, quais as situações?

Primeiro: será verdadeiro o teor das informações repassadas ao autor do texto, a ponto de um bispo, do alto de um dos cargos de mais alto grau da Igreja Católica, expor irresponsabilidades da extensão estabelecida na matéria?

Se a verdade estiver realmente resguardando a integridade do texto, Dom Erwin Kraütler está evangelizando totalmente à margem da lei, e pode, à reboque de radicais consequências de seus atos, responder criminalmente -, caso ocorra realmente “derramamento de sangue no Xingu”.

Se acaso, bispo e o autor da matéria (o site deve ser editado por uma equipe de jornalistas) pontuam exageros distintos, cabe alerta de que a história do Xingu – e tudo o que representa de bom ou de ruim a obra da hidrelétrica de Belo Monte -, deve ser construída de forma a atender as necessidades da maioria.

O fundamentalismo de ambas as partes é que não pode, jamais, prosperar no meio de indefesas aldeias indígenas e dos interesses maiores do mercantilismo urbano.