Enfrentar alagamentos, o desafio das cidades brasileiras

Publicado em 12 de dezembro de 2014

 

O bairro Itaquera, em São Paulo, tem 220.300 habitantes, de acordo com IBGE de 2010, pouco menos do que Marabá, que registra, também segundo o IBGE, cerca de 250 mil.

É lá onde foi construído o estádio do Corinthians, por isso a denominação de Arena de “Itaquerão”.

Na última quarta-feira, 10, o bairro virou manchete da imprensa nacional, ma não por causa de algum jogo importante do “timão”.

Durante cerca de duas horas ininterrupta, houve uma precipitação de  60 mm  de chuva, praticamente somente ali naquele bairro , causando um dos maiores alagamentos que se têm notícia, nos últimos oito anos, conforme revelam noticiários.

Um veículo urbano de carga cai no Córrego Verde, zona Leste de SP (Foto Estadão)
Um veículo urbano de carga cai no Córrego Verde, zona Leste de SP (Foto Estadão)

O temporal vespertino concentrou-se em Itaquera, livrando o restante da capital paulista do desconforto e prejuízos vividos pelos moradores do bairro vitimado.

O temporal causou estragos, obrigando  a defesa civil ficar em estado de alerta.

Para quem não sabe, o bairro de Itaquera é um dos que mais receberam investimentos nos últimos dois anos, em São Paulo.

Alagamento na Rua Padre Viegas de Menezes, no centro de Itaquera, na zona leste de São Paulo, na tarde desta quarta-feira, 10. (Foto Estadão)
Alagamento na Rua Padre Viegas de Menezes, no centro de Itaquera, na zona leste de São Paulo, na tarde desta quarta-feira, 10. (Foto Estadão)

Em razão da Copa do Mundo, ali   foram realizadas obras de macrodrenagem, saneamento, abertura de novas avenidas, construção de dois piscinões para facilitar o escoamento de águas de chuvas, mas os pesados investimentos em infraestrutura ainda não forma suficientes para fazer frente ao volume de precipitação ocorrida na quarta-feira, que foi, como já registrado acima, de apenas 66 mm – muito inferior aos 227 milímetros em dez horas de chuva ininterrupta que desabou  sobre Marabá.

Dezenas de carros foram arrastados e encobertos pela água na Rua Padre Viegas de Menezes, no centro de Itaquera. (Foto Estadão)
Dezenas de carros foram arrastados e encobertos pela água na Rua Padre Viegas de Menezes, no centro de Itaquera. (Foto Estadão)

 

Populares tentam impedir a invasão da água depois da forte chuva que provocou diversos pontos de alagamento (Foto Estadão)
Populares tentam impedir a invasão da água depois da forte chuva que provocou diversos pontos de alagamento (Foto Estadão)

 

Sampa 5 Populares tentam impedir a invasão da água depois da forte chuva

 

Assim como ocorreu em Marabá, na capital paulista, enxurradas invadiram casas,  desalojaram famílias, cobriram imensas avenidas e estabelecimentos comerciais.

Itaquera, na zona Leste de Sampa, tem uma território pouco menor do que toda a cidade de Marabá.

O restante da capital, que não foi atingida pelo temporal,  ficou em atenção para alagamentos entre 15h11 e 18h30 e houve interdição total no trânsito em seis pontos, como o túnel Jornalista Odon Pereira, a Rua Tomazzo Ferrara, a Avenida Itaquera e a Avenida Jacu-Pêssego, de acordo com o Centro de Gerenciamento de Emergências.

Por causa da chuva, as linhas do Metrô 1-Azul, 2-Verde, 3-Vermelha e 5-Lilás estavam com velocidade reduzida. O Aeroporto Internacional de Cumbica, em Guarulhos, também operou por instrumentos, mas sem restrições para pousos e decolagens, por causa do mau tempo.

Iniciado no meio da tarde, o temporal perdeu força no início da noite, quando ainda havia chuvisco em pontos isolados.

A questão de alagamentos nos centros urbanos de cidades médias e grandes é o maior desafio das autoridades.

Cidades como São Paulo, Rio, Recife, Belo Horizonte e demais capitais, investem pesado  em saneamento e obras de drenagem, mas o tempo tem mostrado que esses equipamentos, às vezes, não conseguem conter o ímpeto das águas.

Cada vez  se exige mais investimentos.

Em Marabá, durante seus cem anos de existência, o setor urbano jamais recebeu atenção em quesitos como macrodrenagem de igarapés, drenagem,  saneamento e limpeza de córregos.

Aliás, exatamente durante todo o mês de  outubro de 2013, a secretaria de Obras de Marabá realizou a primeira desobstrução de todo o igarapé denominado Grota  Criminosa, desde sua cabeceira, até a foz, nas proximidades do Aterro do Bambuzal, que liga a Rodovia Transamazônica ao Núcleo  Velha Marabá.

Para aqueles que têm memória  curta, o blog deixa AQUI este link, para arrefecer dúvidas.

O planejamento e execução dessas obras, queiram ou não aqueles que estão na redes sociais atribuindo ao prefeito João Salame, a culpa total pelos alagamentos ocorridos em alguns pontos da cidade, domingo passado, hoje é uma realidade.

Dezenas de bairro de Marabá estão com suas vias abastecidas de linhas de drenagem, obras que antecedem os serviços de asfaltamento

A Grota Criminosa  está recebendo a primeira intervenção em sua  história, na primeira etapa do serviços de macrodrenagem, obra que levará saneamento, água de qualidade e esgotamento  do igarapé que corta dezenas de Folhas, na Nova Marabá, até desaguar no Itacaiúnas.

Projeto prevê chegar até o Km 7, com o asfaltamento de todas as ruas dos bairros beneficiados, além de duas imensas avenidas, paralelas ao córrego, idênticas ao que se vê na Doca de Souza Franco, em Belém.

Obra de quase R$ 200 milhões, e que em sua primeira etapa, no entorno das folhas 23 e 26, em execução, consumirá algo em torno de R$ 50 milhões.

Para se dotar Marabá de obras estruturantes capazes de reduzir enxurradas, principalmente em áreas de baixadas, é preciso de muito investimento.

Coisa de bilhões de reais.

Se todos os governantes fizessem sua parte ao longo dos anos, certamente as áreas a serem trabalhadas seriam menores.

A realidade mostra que Salame está começando do zero: implantando drenagem onde ninguém nunca fez, trabalhando macrodrenagem  –  uma das obras mais cara num planejamento estruturante – levando serviços para duas folhas (23 e 26) que seriam de responsabilidade da companhia de saneamento.

Enfrentar enxurradas exige anos.

Cada prefeito tem que fazer sua parte, dar sequencia ao que está sendo implantado, sem querer  inventar a roda.

Só assim, desse jeito, Marabá terá suas áreas de alagamentos reduzidas.

O resto é lero-lero de boteco, de gente que adora armar barraco em boteco.