Emoção à flor da pele

Publicado em 17 de setembro de 2010

Quando Lula citava as cidades linkadas ao comício de Belém, a saudação do presidente ao povo de Marabá fez a praça da Folha 12, na Nova Marabá, estremecer de aplausos e gritos.

O grande telão fixado  na lateral de um trio elétrico reproduzia imagem de excelente resolução.

O áudio, melhor ainda, amplificado pelo sistema de som do trio.

Atento a cada gesto e olhar dos espectadores da fala presidencial, o poster flagrou cenas emocionantes.

Quando Lula disse que “eles ficaram no poder por mais de doze anos e nunca se preocuparam em levar a energia de Tucuruí a quem realmente sempre necessitou, as famílias do campo, e foi preciso que um metalúrgico, apenas com o 4o ano primário, espalhasse  mais de um milhão de ligações aos agricultores através do Luz para Todos” -, os olhos de um senhor aparentando 70 anos, ao lado da uma senhora pouco mais nova, começaram a lacrimejar, culminando com o choro incontido, quando o presidente completou a mensagem, ratificando sua condição de homem simples, também sofredor igual a maioria dos brasileiros.

Ainda deu para ouvir ele se reportar a um outro atento espectador , postado mais à frente:

    – Eu, pelo menos, quando menos esperava, em 2008, vi os homens da Celpa chegando lá na minha terra, no Sapecado (assentamento de Marabá), para ligar a energia. Se não fosse o Lula, quem iria se preocupar com  nós?

Lula falou cerca de 40 minutos.

Uma fala carregada de emoção, lembrando a infância, a primeira viagem que fez ao Pará, para implantar o PT, em Cametá, em 1980.

Na praça, misturavam-se risos, aplausos e choro.

Dependendo do que o presidente abordava, fortes sentimentos se  cruzavam.

Ouvia-se apenas a fala de Lula, espalhado ao som estridente do trio elétrico.

Quando referiu-se ao caso da “diarista”,  pesou carga de emoções.

Pediu a Ana Júlia que agisse sempre “com a alma de diarista”, reportando-se às empregadas domésticas como símbolo de pessoas simples e apegadas à produção das atividades do lar.

Tocou o tema por cerca de cinco minutos, caracterizando a profissão como a das mais honrosas e honestas.

Ao redor do poster, senhoras jovens e idosas choravam, outras gritavam “Lula vocè é  igual a nós”.

Abre paranteses

A Folha 12, onde foi instalado o telão para exibição do comício de Belém, é desensamente ocupada por pessoas de baixa renda.

Fecha parenteses.

Quando o presidente começou a ensaiar  o encerramento do discurso, dizendo que estava indo para São Paulo, dando inicio a outro périplo, manifestações aqui e ali de pessoas emocionadas pediam para ele permanecer.

   – Fica mais, presidente!

   – Vai nao, Lula.

   – Fala mais, fala mais.

De todos os discursos de Luiz Inácio Lula da Silva assistidos pelo poster, o de hoje foi o mais emocionante.

Lula estava afim de falar, rememorar as viagens que fez ao Pará, fustigando sempre os tucanos.

Parece que ele foi a Belém com o espírito preparado para roteirizar sua História, e a cumplicidade inseparável dele com o povo brasileiro.

   – Desde quando venho ao Pará, vocês nunca me trairam. Vocês sempre estiveram ao meu lado, andando comigo, dando seu voto a mim, ratificando uma velha amizade. Mais do que nunca, agora eu quero que vocês fortaleçam esse companheirismo, multiplicando esforços para reelegermos Ana Júlia. Com ela reconduzida ao governo, a Dilma terá mais afinidade para trazer projetos  e recursos pro Estado. Saiam daqui com o compromisso de darmos uma virada nessa eleição, se possível, elegendo a Ana já em primeiro turno.

Na pracinha da Folha 12, os espectadores retornaram às suas casas  empolgados com a motivação do  presidente.

Dia 3 de outubro, a extensão de toda a emoção medida diante do telão, poderá ser mensurada em toda a sua extensão.