Em ritmo da motosserra

Publicado em 23 de março de 2011

Deve ser olhado com profunda desconfiança o interesse do deputado federal José Priante (PMDB) em requerer urgência para a audiência pública da Comissão da Amazônia, da Câmara,  na qual ele pretende debater o Código Florestal Brasileiro, relatado pelo deputado Aldo Rebelo e que escancara, outra vez, as portas ao desmatamento.

Olhar de desconfiança porque Priante representa forte segmento de médios e grandes proprietários interessados em reverter décadas de evolução da legislação ambiental.

O que Rebelo fez no relatório é um retrocesso sem precedente.

Esse papo de obrigar devastadores a fazer compensações em áreas de preservação coletiva, a serem definidas pelo Estado, não funciona. É mais uma válvula de escape às atrocidades cometidas contra as florestas.

Outra barbaridade é a questão das Áreas de Preservação Ambiental.

Embora permaneçam no mesmo regime, as APAs  poderão ser alteradas pelos estados que tiverem realizado o Zoneamento Ambiental. É  aí que mora o perigo.

A área de mata ciliar a ser mantida pelos agricultores fica em 70 metros no máximo, mas o mínimo passa a ser de 15 metros, podendo cair para 7,5, dependendo da definição de cada estado.

Não há outro ritmo nessa música ensaiada pelo deputado Priante que não seja os interesses dos proprietários.

A floresta, na visão de Priante, deve ser  mero bibelô decorativo no seio da Amazônia